Acompanhando a pirâmide de Maslow, percebemos que nas 3 primeiras etapas o ser humano é egoísta uma vez que visa a sua própria sobrevivência. Além disso, a perspectiva é de olhar sempre para fora visando consumir algo externo para manter o interno como alimentos e redução de predadores (manter o corpo físico íntegro).
Sendo o instinto de sobrevivência visto como natural, normal, aceitável e até incentivado já que se condena o oposto com programas contra o suicídio são criados e mantidos, temos que a busca pela sobrevivência supera todos os demais objetivos.
A sociedade cria regras para impedir que os seus integrantes criem prejuízos para o coletivo, então limitar as capacidades individuais de prejudicar os demais são aceitas e desejadas como regras. Contudo, por conta do instinto de sobrevivência, conseguimos suspender essas regras e agir de modo errado segundo às leis para proteger a nossa própria vida e é de comum acordo que isso seja aceitável.
Enquanto estamos nas 2 primeiras etapas, buscando satisfação fisiológica e segurança, aumentando a expectativa de vida, entendemos que lutas e disputas são aceitáveis e que é o normal das pessoas e animais. É nada menos do que este instinto posto em ação.
A mentalidade que desenvolvemos nestas etapas é justamente esta de busca para si mesmo que haja prejuízo ao outro porque a nossa sobrevivência está em perigo.
Quando entramos na terceira etapa e criamos vínculos, ainda mantemos a mentalidade da etapa anterior, porém temos as facilidades e benefícios da vida em sociedade. Neste momento experimentamos uma divergência entre nós e os outros porque quando ainda presos na mentalidade anterior, ainda pensamos apenas em nós. Contudo, ao vivermos em sociedade o nós passa a englobar os demais também uma vez que o prejuízo do coletivo também é nosso prejuízo já que fazemos parte dele.
É nesta etapa em que muitas pessoas estão: agem de forma egoísta apesar de estarem fisicamente na terceira etapa (mentalidade 2 e vida 3).
Quando aprendemos e subimos na pirâmide, aprendemos a colaborar com os outros porque fazemos parte do todo, da coletividade e, assim, colaborar com a sociedade é necessariamente colaborar conosco mesmos.
Entrar na próxima etapa com esta mentalidade também cria uma divergência e confusão (mentalidade 3 e vida 4). Participar de reuniões, festas, política e socialização é a mentalidade que aprendemos ao convivermos em sociedade, mas a etapa 4 nos leva a buscar mais de nós mesmos, contudo, sem egoísmo.
Trocamos gradualmente o egoísmo para o egocentrismo em que no primeiro nada mais importa além de nós e no segundo somos o centro de nossas vidas. Com o egocentrismo passamos a viver de modo a nos satisfazer (evitando prejuízo aos demais) bem como a colaborar com quem nos rodeia. O bem-estar das pessoas próximas passa a ser importante para nós.
Na etapa 4 aprendemos mais sobre nós mesmos e nos tornamos produtivos por vontade própria. Temos a motivação e satisfação em contribuirmos e colaborarmos além de não causar prejuízo aos demais.
A etapa 5 é intensificar ainda mais a 4. Agora já sabemos quem somos e nossas habilidade e tentamos aumentar a escala de nossas ações para influenciar positivamente mais e mais pessoas.
Ainda somos o centro de nossas vidas, contudo com a consciência em expansão, nós aumentamos mais e mais a nossa capacidade de enxergar e nos preocuparmos com os outros. o que na etapa 4 estava mais ligado às pessoas próximas, agora a pessoa se preocupa até mesmo com desconhecidos.
Nas duas últimas etapas a pessoa vive para dentro. Sem buscar mais consumo, ela passa a ser mais produtiva, enxerga que nem tudo precisa ser extraído, mas pode ser produzido e com essa compreensão entende que riqueza se cria, não apenas de consome como a mentalidade mais primitiva vista na base da pirâmide com a riqueza sendo os recursos de sobrevivência.
Agora a riqueza passa a ter ideias e emoções, campos antes ignorados por que vivia nas primeiras mentalidades e esses novos campos da vida ganham importância e passam a consumir tempo e atenção, mas só são possíveis de terem toda essa notoriedade por conta da segurança em ter a base da pirâmide segura, isto é, não se precisa lutar ou buscar arduamente por recursos físicos e de segurança por conta da comodidade do coletivo que gera riquezas e produtos por conta da organização social pautada em trocas.
Só conseguimos subir na pirâmide quando temos as etapas anteriores asseguradas. Isso significa que uma pessoa que esteja na etapa 5 pode voltar à etapa 1 se a sua vida estiver ameaçada como em uma situação guerra por exemplo. Contudo, ter etapas asseguradas não significa que necessariamente progrediremos assim como o tempo não faz ninguém mais sábio. A pessoa tem mais tempo para acumular mais conhecimento, mas pode usar o seu tempo de outras formas e não se tornar mais sábia. Da mesma forma, podemos permanecer com a mentalidade numa etapa por muito tempo até entendermos o que nos satisfaz, o que nos realiza, o que nos completa e, então, subimos na pirâmide.
Estamos todos fadados a subir na pirâmide, quer levemos pouco tempo, ou muito tempo. quem tem uma visão mais clara de como conseguir isso traça uma rota que favorece este resultado agilizando este processo. No entanto, muitas pessoas não sabem ou estão muito presas em suas mentalidades que sequer pensa sobre o assunto e vivem dia após dia fazendo a mesma coisa, buscando satisfações em atividades conhecidas, mas sem conseguirem se sentir completas.
“O ser humano aprende pela dor” é uma ideia popular que mostra que, na prática, somos teimosos e agimos repetidamente até nos cansarmos, até não aguentarmos mais, até os prejuízos serem demais. Então abandonamos o orgulho por conta da exaustão e aceitamos novidades. Seja uma maneira nova de ver a vida, uma nova meta, um novo caminho, novas maneiras de se satisfazer…
O fato é que começamos pela princípio básico da vida que é continuar vivendo. Conforme descobrimos novas sensações, buscamos por maneiras de satisfazê-las e, devido à teimosia, procuramos saciar estas vontades novas com satisfações conhecidas e, assim, vivemos em descontentamento, sentindo que falta algo, que estamos incompletos.
Continuar buscando satisfações no exterior não gera satisfação interior, então a sensação de vazio, de que falta alguma coisa, de que estamos perdidos, surge. É somente nós mesmos mostrando que o que nos falta não está nos lugares conhecidos.
O ser humano é um ser completo. Ter vontades e necessidades não significa que tenhamos buracos a serem preenchidos, mas que estamos num universo em que a troca é fundamental.