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Delírio X Desejo

O que é um desejo? É uma vontade. Uma sensação de que teremos prazer com algo ou alguma ação, então buscamos ter tal coisa ou agir de tal forma visando usufruir dessa boa sensação.

O que é um delírio? De acordo com uma IA na internet, é uma crença falsa fixa e persistente que a pessoa mantém apesar das evidências em contrário e que, muitas vezes, está associada a transtornos mentais como a esquizofrenia ou o transtorno delirante

Características dos delírios

  • Fixidez: A crença não muda, mesmo quando confrontada com provas contrárias. 
  • Persistência: Mantida ao longo do tempo, podendo durar mais de um mês. 
  • Falsidade: Não corresponde à realidade, embora possa envolver interpretações distorcidas de experiências reais. 
  • Não bizarros: Podem envolver situações que poderiam ocorrer na vida real, mas são exageradas ou distorcidas, como acreditar que está sendo traído ou perseguido. 
  • Bizarros: Envolvem situações muito improváveis, como a crença de que os órgãos internos foram removidos sem deixar cicatriz. 

O transtorno Delirante é caracterizado pela presença de um ou mais delírios persistentes durante pelo menos um mês, sem outros sintomas de psicose. 

No manual MSD  (PorMichael B. First, MD, Columbia University, Revisado porMark ZimmermanMD, South County Psychiatry, Revisado/Corrigido: out. 2024 | modificado jun. 2025), delírios são crenças fixas falsas que a pessoa tem, apesar de existirem provas em contrário. Alguns delírios estão baseados em uma interpretação errada de percepções e experiências reais. Por exemplo, a pessoa pode se sentir perseguida, pensando que ela está sendo seguida pela pessoa que está atrás dela na rua ou que um comum acidente é uma sabotagem propositada. Outras pessoas pensam que a letra de uma música ou artigos de jornal contêm mensagens que dizem respeito especificamente a elas (um quadro clínico denominado delírio de referência).

Algumas crenças parecem mais plausíveis e podem ser difíceis de identificar como sendo delírios, porque elas poderiam ocorrer ou já ocorreram na vida real. Por exemplo, pessoas são ocasionalmente seguidas por investigadores do governo ou têm o seu trabalho prejudicado pelos colegas. Nesses casos, é possível classificar a crença como sendo um delírio devido à insistência da pessoa em continuar a manter a crença apesar de existirem provas em contrário.

Outros delírios são mais fáceis de identificar. Por exemplo, em delírios religiosos ou de grandiosidade, a pessoa pode crer que ela é sagrada ou o é o presidente do país. Alguns delírios são bastante estranhos. Por exemplo, a pessoa pode pensar que seus órgãos foram todos substituídos por peças mecânicas, ou que sua cabeça contém um rádio que recebe mensagens do governo.

Em outro momento (PorCarol Tamminga, MD, UT Southwestern Medical Dallas, Reviewed ByMark Zimmerman, MD, South County Psychiatry, Revisado/Corrigido: abr. 2022 | modificado set. 2022), há um artigo que fala sobre transtorno delirante

Sinais e sintomas do transtorno delirante:

O transtorno delirante pode surgir no contexto de um transtorno de personalidade paranoide preexistente. Em tais pessoas, a desconfiança disseminada e a suspeita de outras pessoas e de suas motivações começam no início da idade adulta e se estendem por toda a vida.

Os sintomas iniciais podem incluir sensação de estar sendo explorado, preocupação com a lealdade ou a fidedignidade de amigos, tendência a ler significados ameaçadores em observações ou eventos benignos, propensão persistente a ressentimentos e facilidade de responder a descortesias percebidas.

Vários subtipos de transtorno delirante são reconhecidos:

  • Erotomaníaco:pacientes acreditam que outra pessoa está apaixonada por eles. Esforços para contatar o objeto do delírio por meio de telefonemas, cartas, espionagem ou perseguição são comuns. As pessoas com esse subtipo podem ter conflitos com a lei relacionados ao seu comportamento.
  • Grandiosidade:os pacientes acreditam que possuem grande talento ou fizeram descoberta importante.
  • Ciúmes:os pacientes acreditam que seu cônjuge ou amante é infiel. Essa crença se baseia em conclusões incorretas, sustentadas por evidências dúbias. Eles podem recorrer à agressão física.
  • Persecutório:os pacientes acreditam que estão sendo vítimas de uma trama, que estão sendo espionados, difamados ou importunados. Eles podem tentar obter justiça repetidamente por meio de apelos a juízes ou entidades governamentais e recorrer à violência em retaliação à perseguição imaginada.
  • Somático:O delírio se relaciona a uma função corporal; p. ex., os pacientes acreditam que possuem uma deformidade física, um determinado odor ou um parasita.

O comportamento dos pacientes não é obviamente bizarro ou estranho, e além das possíveis consequências dos seus delírios (p. ex., isolamento ou estigmatização social, dificuldades conjugais ou de trabalho), a capacidade de funcionamento dos pacientes não é acentuadamente prejudicada.

Já no Hospital Israelita Albert Einstein (às 11:21 de 18 de março de 2025), tem-se que o delírio

Seja uma crença ou realidade alterada que é mantida com persistência apesar de evidências ou acordo em contrário, geralmente ligada a um transtorno mental.


Segundo às ideias atuais sobre delírios, é um sintoma de uma alteração da função correta ou normal do encéfalo que deve ser tratado por psiquiatras ou psicólogos. Ao mesmo tempo, tem-se uma onde da delírios coletivos que não são vistos como tais uma vez que somos animais de manada e, portanto, acreditamos na maioria independentemente da lógica, argumentação ou racionalização. Simplesmente seguimos com o grupo sem pensar sobre o tema.

Assim, temos pessoas, tanto profissionais quanto leigas, que acreditam que os delírios devam ser tratados e que são um funcionamento anormal ou doente do encéfalo, mas, ao mesmo tempo, temos muitas pessoas que se enxergam de forma completamente diferente do que as demais veem nelas.

Há quem se veja como negro quando claramente é pardo ou mesmo branco diante dos olhos de outras pessoas. Elas são malvistas porque parecem que tentam usar de regras específicas para o grupo dos negros para se beneficiar;

Há quem se veja como rico enquanto as contas se acumulam. Elas não são pessoas que vivem no delírio de serem mais ricas, apenas pessoas sem planejamento financeiro;

Há quem se veja como um indivíduo exemplar para a sociedade, mesmo que a sua família se afaste e a evite. Neste caso são apenas problemas familiares;

Há quem acredite ser um pássaro e tente voar ao pular de um prédio como visto em VERDADE, IDEAL OU DELÍRIO? (LINK DE 08/04/2026). Neste caso, mesmo não envolvendo mais ninguém além dela mesma, a pessoa é vista como maluca que acredita no que não existe. Ela é levada para algum hospital ou clínica para ser tratada visando consertar o seu encéfalo que acredita em mentira;

Há quem acredite em deuses e sofra preconceito por conta disso, perdendo oportunidade de emprego ou estudos;

Há quem acredite em apenas um deus e seus milagres mesmo que a realidade mostre que tais “milagres” foram apenas acontecimentos que, na época quem ocorreram, eram desconhecidos e gerou benefício para alguém;

Há quem acredite ser homem apesar de ter um corpo de mulher ou que acredite ser mulher apesar de ter um corpo de homem. Neste caso, essa mesma crença que se mostra contrária à realidade não é vista como delírio, mas como um direito.

Como podemos ter tal direito? Será que algum outro animal na natureza também se sente assim?

Desejar ser homem ou mulher é diferente de se sentir homem ou mulher. Acreditar ser de um sexo quando não o é, é a explicação prática da definição de delírio, mas como há uma disseminação sobre esta ideia como não sendo um delírio, a manada humana vai junto copiando e repetindo sem perceber o que acontece.

De repente somos uma sociedade em completo delírio coletivo e que, tal como o louco defende a sua loucura por acreditar ser real, nós fazemos o mesmo e agimos como o louco que não distingue imaginação da realidade.

Muitas pessoas querem impor as suas vontades, tanto sobre o que querem ser, como querem ser vistas ou tratadas bem como impor os seus ideais do que é saudável ou não.

Por que uma pessoa que vive em delírio e não prejudica nem ameaça ninguém precisa ser tratada? Talvez não precise.

Somos livres para acreditarmos no que desejarmos, mas somos parte de um coletivo e, portanto, temos responsabilidade para com este. Dessa forma, somos livres para agirmos e vivermos como desejamos desde que não afete os demais. Embora essa ideia pareça linda, ao colocarmos na prática ou a analisarmos inevitavelmente caímos nas garras da realidade que prova que tal ideal é impossível de ser real.

O ser humano vive em sociedade justamente porque não sobrevive sozinho. Precisamos dos outros e os outros precisam de nós. Trocamos favores e produtos envolvendo-nos completamente nestas trocas. Então, as nossas crenças estão sempre presentes tal como os nossos sentimentos, portanto, acreditar como alguém deva ser e exigir tal comportamento é justamente impor a própria expectativa sobre o outro obrigando-o a cumpri-la e isso é fundamental na sociedade.

A criação de leis é justamente isso: imposição de ideias sobre as pessoas através do medo (do prejuízo). Portanto, ser livre completamente não é uma opção porque não podemos fazer tudo ou quaisquer coisas que desejamos se isso afeta o outro.

Abrimos mão desse direito para termos o benefício do grupo como as seguranças físicas e alimentares e isso é melhor explicado em Hipocrisia: certa ou errada? Boa ou ruim? Por quê?

Ser homem é diferente de desejar ser homem assim como ser mulher é diferente de desejar ser mulher e pode ser mais aprofundado em Ideais no cotidiano. Além disso, sentir-se ser um ou o outro é um terceiro tema.

O fato é que participamos de uma sociedade que possui organizações e funções sociais. múltiplos papéis que ocupamos em relação aos outros por diversos fatores distintos como visto em FUNÇÕES SOCIAIS: NASCEMOS OU NOS TRANSFORMAMOS?  (LINK DE 27/05/2026) e por conta disso o conceito de ser mulher ou homem não apenas varia, mas é influenciado por muitos fatores que não são biológicos. Contudo, estes continuam sendo importantes para a definição do sexo e do papel da pessoa na sociedade.

Por conta desses outros fatores que podemos desejar ou sentir, ficamos confusos em relação ao conceito do que seja ser homem ou mulher e esta é a brecha que as pessoas usam para defender a sua loucura como se fosse realidade.

O fato é que desejar ser do sexo que não é, é um desejo, não um fato, portanto, é um delírio uma vez que se acredita em um desejo, não em fatos (veja mais em Por que confundimos desejos com realidade?, A confusão de um pensamento, A estupidez humana e A estupidez humana natural ou normal.

A ideia de delírio, tanto para profissionais quanto para leigos, é justamente a crença em algo não real e ainda mais grave quando a crença persiste mesmo com provas reais de que é grave. Ao mesmo tempo que condenamos o delírio como errado e que deve ser abolido e a mente da pessoa reparada, nós temos os nossos próprios delírios e os defendemos tanto quanto podemos.

Quanto mais distante da realidade está a nossa mente, mais complicada é a nossa vida porque agimos de acordo com a nossa mente, mas com resultados na realidade. Então, quando estamos entrosados com a realidade, as nossas ações possuem resultamos mais próximos dos que imaginamos e, assim, temos uma criação de situações desejadas, isto é, temos uma vida melhor ou mais próxima do que queremos (ao colocar em prática).

Contudo, acreditar somente na realidade é impossível e a criatividade é uma característica do ser humano que, inclusive, nos permite descobrir cada vez mais sobre o mundo.

Como visto em Delírios saudáveis e Delírios saudáveis II, acreditar no que não existe não apenas faz parte do ser humano como é fundamental para que continuemos a existir. Sem crenças que alimentem esperanças mesmo diante da impossibilidade de serem reais faz com que tenhamos vontade ou ímpeto em continuar, em tentar, em lutar, em persistir, em não nos entregar e isso aumenta a nossa expectativa de vida bem como a chance de termos descendentes perpetuando a espécie.

Sendo inteligentes ou não, as pessoas possuem os seus delírios e batalha para mantê-los vivos (manter a crença). Das mais sensatas às mais distantes da realidade, todos nós criamos e alimentamos os nossos delírios porque são partes indispensáveis de nós e oriundos da mente humana.

Temos delírios pelo simples fato de sermos humanos.

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