Como somos animais passivos de forma geral, temos a tendência a esperar que algo aconteça para agirmos, que um objetivo nos seja dado como um trabalho e que situações complicadas da vida surjam para desenvolvermos os nossos sentimentos.
É incomum a proatividade, a busca pelo próprio objetivo, a energia de começar algo ou construir alguma coisa sem que haja uma sensação de necessidade externa/motivação externa.
A motivação interna para muitos é apenas o bem-estar do corpo: alimentação, descanso, segurança e sociabilidade. Com tudo isso, para que fazer mais?
Como visto em SOMOS SERES OSCILANTES (LINK DE 15/07/26), nós variamos entre as extremidades, hora mais para um lado, hora mais para o outro, mas nunca num ponto só por muito tempo.
Enquanto sonhamos com o paraíso que é o ideal individual criado pelos desejos e vontades do momento representando o que falta na pessoa para se sentir bem, o paraíso eterno parece ser uma tortura, uma depressão sem fim e sem esperança, mas apenas para quem consegue pensar nele de forma analítica ou já o conquistou.
Quando imersos em nossos problemas, não pensamos sobre nada, apenas sentimos o desespero e buscamos por formas de atenuar essa sensação que nos rouba a paz. Pensar que o paraíso pode se transformar em inferno com o tempo é algo fora da possibilidade nas mentes que vivem em sonhos enquanto seus corpos padecem na vida que criam.
É por conta dessa passividade e dessa mentalidade sonhadora que muitas pessoas têm vidas difíceis e conturbadas, mas estes não são os únicos motivos. Há muitos casos em que realmente há dificuldades que nos impossibilitam de criar uma vida melhor e que estão fora de nossa alçada.
O fato é que as pessoas que têm esse tipo de vida sem descanso vivem sempre desgastadas, sobrevivendo pouco a pouco, sem descansarem tudo o que precisam, ou seja, passam muito tempo num extremo e, assim, imaginam o céu ou o paraíso como o oposto: o que supõem que satisfá-las-ão. Então, com anos que parecem uma eternidade mergulhados em uma vida caótica e sem descanso faz com que desejem a mesma eternidade no oposto e, assim, imagina-se que o céu seja justamente o descanso eterno.
Porém, se somos seres oscilantes e sem motivação interna, nós precisamos de estímulos externos variáveis e sempre. Somente assim aprendemos, desenvolvemos sentimentos, aumentamos o conhecimento e expandimos a nossa consciência.
É por conta desse tipo de vida passiva que precisamos de dor e sofrimento para aprendermos: se tudo for igual, nós não aprendemos, apenas repetimos tudo eternamente, mas, quando temos algo que nos incomode, nós buscamos maneiras de nos livrar desse peso e é justamente assim que abrimos a possibilidade para aprendermos.
Embora muitos imaginem o céu como o descanso eterno, o céu é a morte pelo tédio enquanto o inferno, onde a dor e o sofrimento existem, é a riqueza da vida, onde realmente aprendemos porque são justamente eles quem nos empurram para frente no desenvolvimento pessoal.