Apesar de a palavra surgir da união entre a palavra gordo, que significa uma pessoa com muita massa adiposa, e fobia, que significa medo, ela é usada para significar repulsa, asco, desgostar ou afastamento de pessoas gordas.
Essa mesma ideia é usada em outras palavras com o mesmo sufixo (fobia) como hidrofóbico (algo que se afasta, evita ou não se mistura com a água – hidro) e homofobia que é o desgosto por pessoas que apreciam sexualmente pessoas com o mesmo sexo que elas mesmas.
O ser humano possui diversos preconceitos como visto em Discriminação: uma característica da humanidade, Somos tão diferentes dos outros bichos?, Preconceito 2020, Formação de grupos e preconceito, O preconceito numa sociedade estúpida e Criamos preconceitos para tentar diminuir um preconceito específico sendo natural do ser humano.
O preconceito em si costuma evitar riscos, isto é, diante de algo desconhecido, tendemos a julgar o pouco que conhecemos para distinguir se nos é benéfico ou maléfico. Com isso, quando vimos uma pessoa armada, gritando e ameaçando, com estas poucas informações criamos o nosso julgamento de que ela nos é uma ameaça e reagimos como se assim fosse. Por conta disso o preconceito muitas vezes nos é benéficos sendo uma possível explicação pela qual nós o temos (herdamos de nossos ancestrais).
O problema atual não é o preconceito, mas a discriminação que é o comportamento baseado no preconceito APESAR de termos acesso a mais informações do que temos ou supomos ter (muitas vezes acreditamos em algumas ideias sobre povos ou sociedades que não tem fundamento verídico, é apenas crenças que criamos).
Por conta da tecnologia, a sociedade mudou bastante. Temos muito mais pessoas no mundo além de muito mais trânsito dessas pessoas o que permite termos acesso a mais pessoas distintas.
Pelo instinto natural, nós julgamos os diferentes como possíveis ameaças e, portanto, reagimos com desconfiança e afastamento, contudo, temos muito mais informações no mundo de hoje do que os primitivos de nossa espécie que participaram da seleção natural, ou seja, temos os mesmos instintos naturais, mas não vivemos mais baseados nele porque não vivemos mais na ideia de natureza sem alteração feita pela nossa espécie.
Com isso encontramos o conflito entre os nossos instintos e a sociedade moderna que burla as regras naturais. Vivemos muito mais do que a natureza sem permite, temos menos filhos, mais saúde e temos até tempo para aproveitarmos e desenvolvermos outras áreas sem nos focarmos somente em sobreviver pelos próximos dias. Pensamos em gerações futuras, planejamento de décadas ou mesmo de séculos e isso não é natural do ser humano numa situação de natureza.
Os nossos corpos de desenvolveram de modo a se adaptarem para sobreviver em meio às condições naturais em que os primitivos viveram, mas não vivemos mais nas mesmas condições, ou seja, algumas características que poderiam definir se sobreviveríamos ou não num passado mais distante atualmente não são importantes e, por termos mudado bastante o lugar em que vivemos e como vivemos por conta dessa mudança, tais características podem e muitas são maléficas.
Um corpo capaz de reter muito líquido e estoque de caloria em gordura é um corpo que sobrevive por mais tempo em locais ou períodos de escassez, situação que era comum de acontecer até décadas passadas. Atualmente temos uma produção de alimento quase infinita devido às tecnologias e isso não bate com esse corpo adaptado para sobreviver na situação oposta.
Como os instintos são difíceis de serem contidos, continuamos agindo motivados por eles incluindo o instinto de comer muito quando possível além de preferirmos alimentos muito calóricos. O resultado e que sofremos com o oposto do que o nosso corpo está adaptado: sobrepeso.
Com a tecnologia nos movemos menos. Não precisamos plantar, cuidar da plantação, colher e cozinhar para então poder nos alimentar. Temos máquinas e muitas pessoas para fazer isso além das plantações serem mais tecnológicas e não sofrerem muito com o clima ou pragas favorecendo o seu rendimento e produção diferente do passado em que chuvas fortes ou secas devastavam plantações e as pessoas consumiam o pouco que sobrava. Esta situação não está tão distante assim no tempo. Um século atrás, os nossos avós ou bisavós viviam assim usufruindo dessa característica corporal de engordar e estocar energia com aparente facilidade.
A comida era mais orgânica e cara, razão pela qual os pratos eram feitos pelos alimentos mais baratos que eram os mais facilmente plantados e cultivados. Daí que a alimentação era rica em verduras, frutas e legumes.
A tecnologia favoreceu a produção disso tudo abaixando o custo de sobrevivência. Os pratos das pessoas começaram a aumentar de tamanho e a tecnologia também trouxe os alimentos processado supercalóricos e apetitosos que, quando surgiu, eram caros como toda novidade, mas com o tempo baratearam e passou a ser comum nas vidas das pessoas.
Temos uma geração de adultos que vive em condições muito diferente das que tinham quando crianças, de seus pais e avós. Hoje temos a superprodução, e não apenas de comida.
Temos mais entretenimento do que conseguimos usufruir, mais informações do que conseguimos processar, mais notícias do que conseguimos acompanhar e mais comida do que precisamos. Tudo isso é exagerado para o corpo que temos e sofremos com transtornos e dificuldades novas para a espécie uma vez que não tínhamos tanto de tantas coisas.
Embora muitas coisas tenham melhorado, favorecendo a expectativa de vida, que era a preocupação no passado, hoje temos a sensação de que a expectativa de vida é longa e até mesmo previsível enquanto no passado qualquer corte na pele poderia se tornar uma infecção e transformá-la em morte.
Passamos por situações que nossos antecessores não passaram e, portanto, nem eles sabem como devemos agir ou viver. Enquanto o mundo era o aprendizado dos mais jovens com os mais velhos, replicando os seus ensinamentos e forma de vida, atualmente nem isso é mais lógico já que com tantas informações aprendemos que muitas crendices familiares estão erradas, mas que foram tidas como regras e certas até esta nova época de dados.
Copiar os pais não é mais o fundamento da vida como fora até então. Precisamos de mais do que eles podem nos ensinar e mais do que eles sabem ao mesmo tempo que temos uma enxurrada de informações que não sabemos processar, que ultrapassa a nossa capacidade de raciocínio sendo que muitas não são de fontes confiáveis ou corretas, isto é, ainda temos de estudar a veracidade da informação.
Tudo isso faz com que sintamos insegurança por não sabermos propriamente o que fazer, como fazer, quando fazer, no que acreditar, no que desprezar… Por conta disso temos a sensação de que o passado era melhor, mais certo, mais seguro: tínhamos a sensação de segurança por não termos tantas informações para analisar. Curiosamente, tínhamos menos informações corretas, mas por serem poucas, apenas acreditávamos e lidávamos com elas tendo a sensação de segurança de fazermos a melhor escolha dentro das (poucas) opções.
É fácil analisar poucas opções e concluir a melhor, mas quando temos muitas, isso fica difícil e angustiante, razão de ansiedade. Então, tendo muitas informações de todos os assuntos, em todos os lugares, o tempo todos, é fácil perceber que nos sentimos como baratas tontas que não sabem para onde devem ir.
Em relação à comida, numa época em que era escassa, pessoas gordas eram vistas como bonitas e desejáveis, uma assimilação mental humana de que se é gordo, tem comida, logo, não passa fome. Mas como a situação de fome reduziu muito, hoje este aspecto não é mais tido como atraente, mas sim o de magreza, o completo oposto.
A humanidade tende a apreciar as novidades prazerosas e fazer essa assimilação. Quando o açúcar foi criado, era caro como as novidades costumam ser e, portanto, apenas os mais ricos conseguiam consumi-lo. Sem higiene bucal, dentes podres e cáries surgiram sendo associadas à riqueza e, assim, as pessoas assimilaram que tais problemas bucais eram sinônimos de riqueza e eram tidos como bonitos.
Atualmente, a classe mais rica tem dinheiro para viagens, procedimentos estéticos, treinamentos físicos, dietas restritivas e chiques e, com a assimilação mental humana que temos, julgamos tudo isso como bom, bonito, desejável e ideal.
Vivemos com muitas opções de alimentos e não passamos mais fome (para a maioria das pessoas), o que era um problema sério e amplo até décadas atrás, então temos como prestar atenção em outras coisas na vida, em coisas menos importantes como a sobrevivência já que esta está assegurada e, assim, passamos a valorizar um pouco mais a estética.
Dentro desse tema, temos o tamanho do corpo sendo a quantidade de gordura acumulada um destes.
O ideal de beleza varia conforme o indivíduo já que cada um aprecia coisas diferentes. Mas por vivermos cercados de pessoas e interagirmos com elas, vivemos em uma cultura em que as ideias e as emoções são misturadas, emanadas e absorvidas. É assim que absorvemos ideias e sentimentos, criamos raiva de desconhecidos por conta de vermos nossos pais com raiva deles e acreditamos no que ouvimos com frequência quando a realidade não nos impede.
Enquanto os gordos foram vistos como lindos numa época de escassez de alimento, atualmente são vistos como problemáticos e doentes porque a nossa perspectiva mudou e isso aconteceu porque não temos mais as lentes da fome, mas a da abundância.
Todas as situações possuem suas partes boas e as ruins. Ser gordo é bom para quem vai para um local com pouco alimento ou alimento muito caro, a gordura cutânea (ao redor do corpo, embaixo da pele) protege os órgãos internos de agressões externas, mas essa mesma gordura faz o corpo pesar, ter dificuldade de mobilidade e afeta o metabolismo nocivamente.
O estresse, advindo da ansiedade, do excesso de trabalho, das exigências e demandas criadas socialmente fazem com que nos sintamos esgotados, uma sensação ruim. Procuramos por boas sensações na tentativa de aliviar um pouco esta tensão através de prazeres sendo um deles o paladar.
Comer é relaxante e comer algo saboroso é mais ainda. Com cansaço, embora o trabalho seja menos físico do que no passado, buscamos por descansar através de prazeres e com a alimentação farta, fica muito fácil escolhermos por comer para conseguir esse relaxamento.
Por conta dessa estrutura tecnológica e social que temos, tempos muitos alimentos supercalóricos e saborosos, mas com poucos nutrientes e encontramos uma situação impensável para os nossos antepassados: a desnutrição na obesidade.
Ingerimos muitas calorias, mas poucos nutrientes e a desnutrição também gera problemas ao corpo humano.
O estresse e a comida andam de mãos dadas nesta época de fartura alimentícia e de estresse. Lidamos com mais pessoas do que os nossos corpos se desenvolveram para lidar, lidamos com problemas incomuns para a nossa espécie enquanto animal no mundo, criamos problemas diferentes, novidades que nos geram receio, informações que não sabemos entender e mais opções do que conseguimos comparar. Tudo isso gera um quadro de estresse mental e emocional crônicos que nos fazem sentir mal-estar e, para contrabalancear, buscamos prazeres.
Comer, transar e comprar são recorrências grandes atualmente por conta disso tudo. consumimos muito além do que de fato precisamos para sobrevivermos porque o nosso parâmetro não é mais a sobrevivência, mas a felicidade e isso também é uma novidade para o ser humano.
Não sabemos o que é ser feliz ou estar feliz, se são sinônimos ou não, como se busca, criar ou adquiri, mas nós queremos isso, ou seja, mais insegurança, insatisfação, dúvidas, medos e ansiedade. Como aliviar tudo isso? Comendo, bebendo, transando, fumando, comprando…
Momentaneamente sentimos alívio, mas manter essa rotina significa somar todas as pequenas alterações nocivas que, nesta quantidade irrisória não nos afeta, ao ponto de nos afetarem e nos prejudicarem. Sem uma mudança na rotina, sem aprender a lidar com essa realidade, inevitavelmente caímos na tentação de aliviar a carga que carregamos e, de dia e dia, somamos os resultados dos dias anteriores.
Embora a única forma de manter um bom peso corporal seja o equilíbrio entre o consumo e o gasto, muitas coisas estão envolvidas nisso porque não comemos apenas por fome. Na verdade, ouso dizer que raramente comemos por fome (para a maioria das pessoas). Comemos pelo paladar, pelo momento, pelo prazer, pelo relaxamento e, conforme o estresse aumenta, o consumo alimentar também aumenta.
Esse cenário é facilmente percebido com os olhos com as pessoas com vidas mais complicadas (com mais demandas) consumindo muitos alimentos calóricos resultando na obesidade ou no sobrepeso.
Antigamente as pessoas mais pobres morriam de fome e a magreza não era uma opção, mas um resultado prático da falta de alimentos, hoje elas sofrem com o excesso de tecido adiposo em seus corpos porque temos a opção de nos alimentar, como, em que frequência ou quantidade.
Mais uma vez somos resultado de nossos instintos que nos levam a comer sem uma necessidade de sobrevivência em termos de caloria. Sentimos a necessidade de comer para aliviar o estresse, para não gastar muito tempo, para comer enquanto fazemos outras coisas… A motivação dessa “necessidade de comer” mudou, mas o resultado de comer permanece o mesmo.
Ademais, temos mais pessoas doentes e com transtornos de saúde, resultado da tecnologia que evita a seleção natural e permite a sobrevivência de doentes que passam as suas genéticas “ruins” para os filhos. Doenças relacionadas ao metabolismos já se tornaram comuns por conta da quantidade de pessoas que as possuem e das novas pessoas que nascem com transtornos ou predisposição aos transtornos.
De condições metabólicas, de funcionamento de órgão, de origem mental, emocional ou psicológica, usamos da opção de comer para muitas funções diferente e motivados por razão também diferentes e isso faz com que um plano alimentar geral (para todos) seja difícil de criar ou implementar.
Além disso, muitos medicamentos também possuem efeitos colaterais que afetam a parte corporal responsável pelo equilíbrio corporal. Às vezes o medicamento estimula uma compulsão alimentar, às vezes uma anorexia, às vezes afeta todo o metabolismo alterando a sua funcionabilidade de modo a não conseguir mais manter o equilíbrio.
A idade também colabora para o aumento do peso. Quando crianças, comemos mais do que precisamos para nos manter. Comemos para desenvolver os nossos corpos e passamos praticamente as 2 primeiras décadas de vida com um hábito alimentar específico e, quando chegamos à fase adulta, em que não precisamos comer para além do necessário para nos manter, já estamos acostumamos a comer mais do que precisamos.
É também nesta fase que os estresses e a ansiedade começam a se elevar num quadro geral já que passamos a ter mais responsabilidades e temos de dar conta das coisas.
AFINAL, POR QUE NÃO GOSTAMOS DE GORDOS?
O fato é que por algum motivo não apreciamos corpos gordos. Seja por conta do estímulo visual que não nos satisfaz, seja por ideias contra gordos, por imaginações de que são mais doentes ou nojentos…
Por sermos uma espécie passional, nós primeiros temos uma opinião, que é o resultado dos estímulos que temos, afinal, somos uma grande cinestesia (colocar link de 19/08/26), e então procuramos por argumentos que sustentem tal opinião e convençam os demais de que estamos certos e que eles devem concordar, afinal, não dizemos a nossa opinião apenas por dizer, queremos que os demais concordem conosco para refirmar a nossa crença (opinião) e para nos valorizar socialmente uma vez que somos animais sociais que precisam se manter em grupos, assim, buscamos por validações para reforçar a nossa importância e presença no grupo como visto em Pirâmide de Maslow: meio, 3° degrau ou socialização (link de ?????)
Com as nossas crenças sendo influenciadas por cultura, crenças alheias, discursos, argumentos, absorção de ideias, desejos e outros sentimentos, os nossos ideais também são particulares e mostram mais de nós do que do mundo. Eles refletem o conjunto de tudo o que apreciamos ao mesmo tempo que mostra o que rejeitamos e é com eles que criamos e variamos de opinião incluindo de gordos são bonitos ou não.
PROVÁVEIS MUDANÇAS COMERCIAIS
Os notáveis problemas de saúde advindos do sobrepeso e em grande escala, políticas públicas e assistência médica para tais problemas provavelmente passarão a existirem visando reduzir os efeitos nocivos que atrapalham a sociedade.
Com isso incentivos comerciais e fiscais podem aparecer favorecendo o desenvolvimento de tecnologias que inibam tais efeitos ruins e permitindo que continuemos a usufruir dos prazeres de comer tal como a tecnologia contraceptiva que nos permite apreciarmos o prazer do sexo sem (tanta) possibilidade de uma gravidez (o efeito nocivo quando não desejada).
Com uma sociedade que preza por comer sem engordar, as empresas buscarão formas de manter o sabor de seus produtos ou ainda reforçá-los ao mesmo tempo que não há mais tanta caloria ou mesmo que seja nula (sem calorias) como muitos refrigerantes atualmente.
Assim como enriquecimento de alimentos como a farinha de trigo e o sal de cozinha foram estratégias adotadas para evitar problemas com a falta de nutrientes na população, acredito que futuramente muitos alimentos terão em seus componentes neutralizadores de enzimas que evitam a digestão alimentar ou que afetem a sua absorção pelo corpo num período que poderemos comer muito sem nos preocuparmos em engordar ou não.
Os suplementos alimentares surgiram como uma forma de complementar as dietas da população. Como novidade, surgir como algo muito caro, razão pela qual os ricos podiam consumir, mas com a popularização e o barateamento de sua produção e comercialização, são mais acessíveis à população se incrementando à dieta de forma corriqueira.
O suplemento de proteína já não é algo da classe alta estritamente. Muitas pessoas da classe média também o consomem de forma regular e, conforme a tecnologia progride, será ainda mais barato e as camadas mais pobres também terão acesso.
Não é difícil imaginar que suplemento de proteína também seja adicionado a alguns alimentos.
Talvez no futuro tenhamos alimentos próprios para a dieta (nutrição e aquisição de calorias) e alimentos palatáveis com tecnologias que evitam a sua absorção de alguma maneira. Será que teremos alimentos com etiquetas “para consomo metabólico” e “para o paladar”?
Alimentos sem calorias como bebidas doces já são uma realidade justamente por conta do excesso de caloria que temos em nossas vidas, talvez os alimentos também tenham “0 caloria por porção” em suas embalagens no futuro.