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Consciência

Como visto em Empatia ), o ser humano se enxerga nos outros e quanto mais parecidos nos vemos com o outro, mais acreditamos que somos semelhantes também na forma de pensar, imaginar e sentir. Assim, temos mais dó daqueles que passam por coisas que nos faria tristes

A questão é: sabemos o que sentimos?

Muitas vezes não. Sentimos um bolo de emoções misturadas e aparentemente contraditórias que nos criam uma enxurrada de pensamentos incoerentes que nos fazem agir de uma forma que sequer percebemos.

Temos consciência pequena sobre nós mesmos, sobre o que sentimos e pensamos e o que fazemos, mas, são essas pequenas pontas de consciência que nos permite enxergar similaridade no outro e, então, termos empatia.

Nós observamos como o outro reage e comparamos com as nossas ações. Ao serem similares, acreditamos que o sentimento do outro seja parecido com o nosso também e é assim que “entendemos” o que o outro sente.

Mas a maior parte de nós mesmos não é conhecida. Não temos consciência sobre nós mesmos e reagimos à vida sem pensar. Escolhemos sem perceber, agimos sem pensar e criamos uma vida nada planejada justamente por esta ser resultado do que fazemos, não do que sonhamos.

Gostamos de acreditar que somos superiores, que temos consciência e sabemos mais do que os demais, mas o fato é que não sabemos como os animais pensam para fazer a comparação e termos um resultado correto de quem é mais inteligente. Novamente caímos nas armadilhas da mente que é controlada por nossos sentimentos como visto em Por que confundimos desejos com realidade?, A confusão de um pensamentos e Acreditamos em nossos desejos como se fossem fatos

Entendemos que os animais estão vivos porque nós estamos e eles se assemelham conosco. Entendemos os instintos deles porque nós também os temos, mas quanto mais distanciamos de nós, menos empatia e compreensão temos. Será que alguém já se perguntou o que uma rocha pensa ou como um pente se sente? São perguntas sem sentido quando partimos do pressuposto de que eles não têm consciência. Mas, como sabemos disso?

Onde está ou fica a consciência? É algo difuso, que engloba muitas partes e com diversas informações provenientes de lugares distintos além de serem processadas de modo também específico. Enquanto a pele sente o vento de uma determinada forma, a orelha o percebe como um som enquanto os olhos não sabem de sua existência, mas todas essas informações não são provenientes do cérebro, mas de todo o corpo bem como do conhecimento intelectual. A consciência do vento é resultado do processamento das informações sobre a sua sensação, o seu poder e o conhecimento de como ele funciona. Nós temos consciência sobre o vento quando o sentimos ou quando vemos outras coisas o sentirem como as árvores que balançam. É uma informação visual indireta sobre algo que sentimos de forma diferente em nosso corpo, mas que nos faz ter consciência de que ele existe na árvore em que passa.

Algumas pessoas não conseguem pensar ou imaginar a vida de qualquer outra pessoa enquanto outras conseguem fazer isso. Algumas conseguem perceber a dinâmica que acontece no mundo, como tudo está conectados e muitas outras não, ou seja, algumas têm consciência do funcionamento global e várias outras não têm. Como se pode definir onde está a consciência?

Por conta da perspectiva visual, nós enxergamos o corpo do pescoço para baixo como embaixo de nós e o que está acima como em cima. Nós fazemos parte do corpo inteiro, mas temos a tendência de nos colocarmos no lugar em que temos as imagens. Contudo, diante de emoções intensas, sentimos que o coração muda, que o peito se aperta e, assim, que que as emoções estão no coração, contudo, elas também são processamentos de informações feitas no encéfalo.

O fato é que a central de processamento de informações pode ser na cabeça, mas as informações são captadas pelo corpo e transmitidas a essa central que, então, devolve a conclusão em forma e emoções e alterações no corpo como o comportamento. Então dizer que a consciência está na cabeça é difícil já que sem o corpo a cabeça não consegue ter a consciência do meio em que está.

Acredita-se que consciência seja o que nós ativamente sabemos, conhecemos ou controlamos enquanto todo o resto nos parece desconhecido e, portanto, estamos inconscientes dele.

O cérebro é uma máquina que processa muitas informações e ter consciência é algo que requer muita energia e atenção, transformando a consciência em algo extremamente oneroso energeticamente. Se sobrevivemos sem consciência, então por que batalharíamos tanto para tê-la se esta pode nos prejudicar?

Talvez este seja o motivo pelo qual não temos consciência de nós mesmos por completo e razão pela qual ter consciência completa seja impossível. Não temos ferramenta biológica para processar tantas informações, mas ainda estamos vivos e proliferando, então, na perspectiva da natureza, a consciência não é algo muito positivo.

Ainda assim, precisamos de consciência para o aprendizado. Tal como aprender a dirigir requer muita atenção dos movimentos do corpo bem como com o que acontece ao redor, aprender a andar também e o mesmo vale para caçar, comportamento visto em muitos animais. Então, talvez os animais não sejam tão inconscientes quanto supomos ser…

O fato é que nós processamos muitas informações de forma inconsciente, mas super rápida e temos comportamentos naturais que não afetam a nossa sobrevivência, então, sobrevivemos, temos filhotes e a espécie continua.

A nossa reação natural de agir sem pensar nos gerou benefícios e malefícios, no entanto, não impossibilitou a nossa existência e, assim, a nossa espécie continua viva. A natureza funciona de forma simples: se é mortal, o indivíduo morre e não tem filhotes, então o comportamento mortal não é repassado à nova geração; caso contrário, os filhotes têm chance de perpetuarem a espécie.

Talvez isso mostre que somos mais parecidos com os animais que acreditamos serem irracionais do que acreditamos. Nós reagimos ao meio à nossa volta, aos estímulos que chegam ao nosso corpo e essas reações não nos matam, então estamos vivos.

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