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Qual é o objetivo da vida?

Várias correntes e pensamentos e filosofia fazem essa pergunta e cada uma delas se mostra específica retratando o próprio objetivo e este nada mais é do que o espelho do que elas mesmas desejam.

Nós não buscamos a sobrevivência, mas o prazer. A sobrevivência é o resultado das conquistas prazerosas que um corpo considerado são e saudável que leva o indivíduo a sobreviver e perpetuar a espécie. Tudo que não gere o mesmo resultado é considerado doença ou erro.

A crença de que lutamos pela sobrevivência mostra o instinto animal que nos domina sendo tão grande que consideramos óbvio e presente em todos ao ponto de sequer analisá-lo. Nós não pensamos se queremos sobreviver, nós temos essa afirmação como certa sem pensar e acreditamos que todas as pessoas saudáveis sejam assim. Mas, isso tem fundamento?

Queremos água, alimento, sexo, segurança, sociabilidade… Tudo isso porque nos gera prazer e satisfação tendo o resultado prático da nossa sobrevivência. Não transamos para termos filhotes, mas porque o sexo é bom e um dos resultados é a procriação da espécie.

Seja por amor, desejo ou tesão, em todas essas situações existe alguma satisfação com o sexo sendo o motivo pelo qual nós o buscamos.

Também não comemos para sobrevivermos, mas porque comer é prazeroso e prova disso é o sobrepeso que surge na população justamente por buscarmos este prazer frequentemente e o ter na mesma frequência.

Nós buscamos a socialização porque nos gera prazer e são os laços e vínculos afetivos que nos ajudam quando precisamos de outras pessoas.

Buscamos prazeres. Simples assim. Acontece que tais prazeres geram o resultado de fazer o nosso corpo continuar a funcionar elevando a nossa expectativa de vida e de acasalamento favorecendo a perpetuação da espécie.

Outra prova de que buscamos o prazer são as maneiras de se evitar os resultados do sexo como a gestação. Queremos continuar usufruindo do prazer sexual, mas sem o resultado de ter filhotes e esta escolha é geral. É incomum alguém desejar ter uma dezena de filhos, mas não deseja transar somente estas 10 vezes.

O instinto materno força as mães a amarem e cuidarem de seus filhos favorecendo a proliferação e perpetuação da espécie. Seja a gestação resultado de abuso, violência, ameaça ou impotência, situações comuns na natureza, a mãe homo sapiens tem a tendência de cuidar de sua prole e, assim, perpetua a espécie. No momento em que podemos retirar o desprazer, nós o fazemos e mantemos o prazer e é assim que nós mudamos o mundo e a sociedade.

Criamos formas de termos alimentação, segurança, amigos, família e casa sem precisarmos ter tantas insatisfações e outro exemplo disso é a nossa busca por satisfação social enquanto rejeitamos as responsabilidades das relações.

Queremos nos sentir importantes, amados e conversar, porém, os demais também. Nós ouvimos para sermos escutados, não porque de fato queremos ouvir, e o outro faz o mesmo. Então criar animais em vez de relacionamento com outros da mesma espécie passa a ser mais fácil e prazeroso já que não há tanta responsabilidade ou expectativa alheia sobre nós. E substituir animais por plantas, ainda mais fáceis de cuidar e com menos exigências, também aparece como um comportamento que parece crescer.

Temos menos filhos porque estes demandam muito de nós. Procuramos por vínculos que nos ofertam as sensações que desejamos, mas que não exijam muita responsabilidade nossa, ou seja, procuramos o prazer e evitamos o desprazer.

Muitas relações conturbadas são mantidas apesar dos conflitos porque as pessoas envolvidas não conseguem abrir mão do que possuem com a outra, ou seja, os desprazeres são inferiores aos prazeres obtidos na relação e, assim, suportá-la ainda é vantajoso.

A busca por prazer está em tudo e é a motivação em nossas vidas. Seja para reduzir um desprazer como aliviar uma bexiga cheia ou acabar com a fome ou para elevar uma satisfação como degustar de um prato apetitoso, essa é a motivação que temos e, por buscá-la e conquistá-la, acabamos por sobreviver mais e termos mais chance de perpetuarmos a espécie assim como acontece nas demais espécies.

A vida não é um planejamento racional e consciente posto em prática, mas um conjunto de emoções motivadoras que nos fazem agir sem pensar e que acabam por prolongar a nossa existência e aumentar a prole tal como os demais animais e mais exemplo disso são os problemas que são podados da história da espécie por não gerarem tal resultado. Pessoas depressivas têm uma taxa de mortalidade mais elevada e menor chance de ter filhotes e estes se proliferarem tal como outras doenças mortais que se apresentam na jovialidade. Assim, tal alteração que desfavorece a espécie é apagada com a morte do individuo que a tem, embora possa aparecer novamente em outra pessoa, em outro tempo, por outro motivo…

Todas as doenças funcionam assim: se atrapalham a sobrevivência ou a perpetuação da espécie, tendem a serem reduzidas ou erradicadas com a morte de seus portadores e é neste sistema em que as pessoas com mais motivação por prazeres que acabam por favorecer a sua sobrevivência e produção de descendentes que estamos inseridos.

Com os excessos que temos na vida atual por termos a capacidade de criar maneiras de nos satisfazer, nós experimentamos uma situação inversa em que continuamos buscando o prazer constantemente, mas que, com toda essa facilidade, nós o temos. Enquanto aproveitávamos os alimentos quando os encontrávamos, agora nós os temos a qualquer momento, mas com a mesma motivação, nós os consumimos mais.

A busca pela satisfação é indispensável e um grande problema quando muito baixa ou inexistente. Em vez de procurarmos formas de alterar o nosso funcionamento para se sentir satisfeito, nós procuramos maneiras de criar o que nos satisfaz para assim, indiretamente, conseguirmos controlar o nosso bem-estar (criamos o que nos satisfazàconsumimosànos satisfazemos).

O problema que surge é justamente que, por termos este controle, nós podemos usufruir desse bem-estar tanto quanto queremos e, sem termos consciência ou sabedoria para lidar com isso, nós apenas e simplesmente buscamos por mais e mais prazer acumulando os seus efeitos em forma de acúmulo de peso, de tédio por ter prazer constante, de doenças sexuais por conta do excesso de sexo desprotegido, de distúrbios psicológicos resultantes de comportamentos negligentes ou insistentes…

Toda ação gera uma reação e alguns efeitos colaterais podem ser mínimos ao ponto de não percebermos, no entanto, quando fazemos tal ação muitas vezes, a soma desses efeitos irrisórios se soma e passam a se tornarem perceptíveis denunciando o excesso de tal comportamento motivado pelo prazer que ele oferece à pessoa.

O limite do prazer na vida selvagem causado pelo limite de obtenção de mais prazer de forma fácil ou rápida é o que impede o excesso do comportamento que causa a satisfação e a soma de seus efeitos colaterais. Enquanto precisamos procurar por alimento, nós aproveitamos o que encontramos e comemos tanto quanto o possível, mas sem mais alimento disponível, naturalmente nós não comemos e, então, não existe o sobrepeso (permanente). Quando em época de fartura, engordamos com a alimentação constante e farta proveniente da natureza e, assim, encontramos indivíduos gordos na natureza. É a ausência de alimento que restringe a alimentação e impede que os efeitos colaterais da alimentação se somam e surjam. Sem esse limite por termos o controle da produção alimentícia, perdermos esse resultado natural.

Outra prova de que buscamos o prazer, não a sobrevivência, são os riscos que muitas pessoas assumem em busca do prazer e até mesmo overdoses de drogas porque visam a satisfação com elas, não a própria sobrevivência.

No final das contas, as pessoas com corpos mais bem equilibrados entre prazer-efeito positivo são as que sobrevivem melhor e que pode ser inclusas nas pessoas mais bem adaptadas conforme a ideia científica sobre a vida e a evolução.

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