O ser humano é focado em bens, instinto animalesco indispensável à vida. Queremos o que nos faz bem e a essência são as satisfações de necessidades fisiológicas. Queremos alimento, alimento gostoso e em grande quantidade; queremos dormir, uma cama confortável e tempo para descansar; queremos socializar, fazer parte de grupos, conversar e fofocar; queremos transar, momento privado e satisfatório; o resto são derivações do básico.
Atualmente, conseguimos obter muito do que desejamos através de relações financeiras de compra e venda. Compramos serviços e produtos que são feitos e ofertados por outras pessoas enquanto ofertamos dinheiro nesta troca. É assim que comparamos tempo para socializarmos e descansarmos, compramos camas e sofás confortáveis, alimentos saborosos em grande quantidade e fazemos festa satisfazendo a nossa necessidade social.
Conseguimos muitas coisas através de relações diretas, razão pela qual precisamos de outras pessoas. Trocamos gentilezas, agrados, favores, elogios e tudo o mais que possamos trocar. Ofertamos prazer e recebemos prazer em relações não comerciais. Estas relações são as íntimas, privadas ou pessoais enquanto as que lidam com dinheiro são comerciais.
Trocamos dinheiro, favores, objetos e tudo o mais que podemos trocar e usamos tudo isso ao mesmo tempo em relações diferente e similares.
Precisamos de vínculos (relações emocionais) para nos relacionarmos socialmente de modo a usar as satisfações emocionais como moeda troca. É assim que lidamos com parentes e familiares: sem pagar por seus favores e ajudas. Contudo, em relações com desconhecidos, como oferecer um elogio se não se conhece algum ponto positivo do outro? Ademais, as trocas emocionais são longas, isto é, não é feito na hora, mas ao longo da relação oferecendo ajuda hoje e recebendo ajuda meses ou anos depois como é o caso de uma mãe cuidar de seus filhos para depois de anos receber algum cuidado de volta.
Por isso as relações são investimentos pessoais: fazemos muito para obtermos resultados posteriores enquanto as comerciais são trocas rápidas e imediatas sem a necessidade de conexão emocional com o outro.
As pessoas são diferentes em vários aspectos tanto por suas habilidades quanto por suas vontades. Há pessoas que se sentem felizes com pouco; há quem precise de muito para se sentir satisfeito; há quem seja rico em habilidades e construa muitas coisas; há quem seja pobre em capacidade precisando usar de outras pessoas para obter o que precisa/deseja.
A definição de pobreza é a falta enquanto a riqueza é o excesso.
A riqueza de alimentos é a obesidade, a pobreza de alimentos é a magreza;
A riqueza material é ter muitos bens que satisfazem a pessoa; a pobreza é não ter toda essa satisfação através de bens materiais;
A riqueza familiar é ter uma família agradável e feliz; a pobreza familiar é ter uma família que vive brigando;
A riqueza de saúde é tê-la; a pobreza de saúde é não a ter;
A riqueza de inteligência é tê-la; a pobreza da inteligência é a burrice;
A riqueza mental é ter a capacidade mental de gerar ideias ou que gerem prazer; a pobreza é essa incapacidade;
A riqueza emocional é ter a capacidade de gerar as emoções desejadas; a pobreza emocional é não a ter.
A falta de capacidades para criar a realidade que se deseja e satisfazer as próprias vontades é a definição clara e emocional do que é ser pobre. Ao nos focarmos em bens materiais e o prazer que nos ofertam, a pobreza é ter menos bens materiais que sentimos serem necessários para nos sentirmos bem, satisfeitos ou felizes.
Ao analisarmos a história da humanidade, as pessoas mais pobres da era moderna possuem muito mais do que reis e imperadores de séculos atrás, mesmo assim, se veem como pobres porque não possuem tudo o que desejam. Dessa maneira, pobreza é relativa e pessoal, não algo definido. Em relação ao passado, somos todos tão ricos que os antepassados não tinham capacidade de imaginar ser possível se ter tanto enquanto nós, agora, comparando o que temos com o que existe e não temos, nos enxergamos como seres carentes por não termos tudo o que desejamos.
A perspectiva focada no que nos falta é primitiva e instintiva que nos guiou como espécie rumo à sobrevivência, mas que, por não estarmos mais nesta situação, não nos é mais favorável.
Precisávamos pensar nas possibilidades ruins para escolhermos os caminhos que seguiríamos, se caçaríamos ou fugiríamos, se comeríamos alguns frutos ou não e toda essa informação era guardada na cabeça. Portanto, pensar nas coisas ruins era prever possíveis mortes e, assim, agir de modo diferente e sobreviver fugindo de predadores em vez de lutar, deixando de comer frutos desconhecidos que podiam ser venenosos, escolhendo caminhos mais visíveis em vez dos mais nebulosos, estocando comida durante época de escassez…
Se pobreza é não ter o que precisamos, então somos todos ricos porque temos o que precisamos, caso contrário não sobreviveríamos. Contudo, nós nos referimos à pobreza a situação de insatisfação material.
A carência de habilidade ou carência da importância de uma habilidade geram pouco valor para os demais, consequentemente estes pagam pouco pelo pouco que obtém com tal montante financeiro. Dessa forma, a carência pessoal gera a carência financeira e, portanto, a carência financeira nada mais é do que o reflexo das capacidades da pessoas dentro do grupo ao qual faz parte.
Se criamos algo que ninguém deseja, ninguém comprará, mas se criarmos algo que muitos querem ou que alguém pague alto, então podemos vender e nos enriquecer. A realidade é essa: tanto a riqueza quanto a pobreza nada mais são do que o resultado do valor que a sociedade se dispõe a pagar por nossas capacidades sendo a primeira resultado de pessoas com altas capacidades e as segundas com poucas.
Por não aceitamos a situação de que somos pouco, acreditamos no oposto que confronta diretamente com a realidade de termos pouco (em relação ao que desejamos ter). Por não termos controle sobre as nossas habilidades e produtividade, nós distorcemos a realidade e responsabilizamos o nosso esforço em vez de nossas capacidades porque temos como controlar o esforço. Assim, ao acreditar que devemos ter resultados por conta do nosso esforço, nós concluímos que podemos nos esforçar para sermos ricos, contudo, isso continua não sendo real.
Da mesma maneira que as pessoas não compram o nosso esforço, nós não compramos o esforço de nenhum. Não queremos uma pessoa que se esforce para construir a nossa casa, queremos alguém que tenha a capacidade de fazê-la; não queremos alguém que se esforce em ser instalar um eletrodoméstico para nós, queremos quem de fato o faça; não queremos alguém que se esforce para levar as nossas mensagens para quem desejamos, nós queremos quem o faça realmente.
Nós não pagamos pelo esforço dos outros, mas pelos resultados que eles geram e que nós desejamos. Da mesma forma, acontece para nós. No entanto, queremos ser a exceção para que tudo se enquadre em nossas fantasias e tenhamos a satisfação que desejamos, então criamos a ideia de que nós, individualmente, devemos ser recompensados por nossos esforços por serem controlados por nós, mas que os demais devam vender as suas habilidades concretas, não o que se esforçam para oferecer. Dois pesos, duas medidas.
Por estarmos presos à interpretação de nossa própria pessoa e uma inteligência escassa, temos muita dificuldade de compreender os demais ou mesmo de perceber que existem. Nós vivemos para nós, por nós e conosco, então nada mais justo do que pensar somente em nós. Assim, calibramos a balança que avalia a vida ao nosso favor SEMPRE e, com todos agindo assim, os conflitos inevitavelmente aparecem que nada mais são do que balanças com medições diferentes para os mesmos produtos.
Sendo a riqueza algo produzido pelo ser humano, não é algo finito, extraído ou que se obtém com roubo, portanto, pensamentos que levam estas ideias como afirmações limitantes (como se não fosse possível criar riqueza) são pensamentos irreais e muito limitados que desconsidera a realidade.
Se a maioria das pessoas tem poucas habilidades ou habilidades pouco valorizadas por gerar pouco valor aos demais, a maioria das pessoas possui pobreza de habilidade o que resulta da pobreza de venda dessa habilidade concretizando a sua pobreza pessoal.
Isso mostra que, diferente da fantasia que muitos acreditam de que somos iguais, que todos podem criar e enriquecer, a realidade mostra que somos diferentes, que há pessoas com mais ou menos habilidades e produção gerando o resultado de que há quem tenha muito e quem tenha pouco, mas não porque as pobres foram roubadas, mas porque não usam de habilidades para criar o que a sociedade valorizar seja por falta de habilidade, por se focar em outras áreas ou pela escolha de simplesmente não o fazer.