Pular para o conteúdo

Empatia

Ao olharmos ao nosso redor, nos deparamos com muitas coisas inanimadas que chamamos de objetos. São sólidos com texturas e estruturas diferentes, podem ter cores diversas e os usamos ao nosso bel-prazer sem pensarmos a respeito.

Quando o “objeto” se mexe, chamamos de animal. Percebemos que possui semelhanças conosco como a movimentação, estrutura biológica similar como a presença de coração, sangue, olhos e boca além de respirarem como nós.

Por serem mais parecidos conosco do que com os inanimados, nós os chamamos e animados. Ademais, por conta de tanta semelhança percebida com os olhos, nós passamos a imaginar que, se são parecidos biologicamente conosco, emocionalmente também devem ser e é com essa premissa que criamos a ideia de que animais sentem. Mas, existe algum estudo que comprove essa hipótese que afirmamos como se tivéssemos certeza?

Mais diferente de nós, mas ainda preservando algumas similaridades, temos o que chamamos de plantas: sem coração ou sangue, aparentemente inanimado por não se mover, as plantas possuem algumas características similares às nossas como a respiração e reprodução sexuada. No entanto, por não ter tantas similaridades conosco como os animais, nós não as vemos como semelhantes. Assim, enquanto concluímos sem prova ou evidência de que animais sentem por mera comparação e similaridade, nós não fazemos o mesmo com as plantas.

O poder da empatia é essa perspectiva de acreditar saber o que o outro sente, então, para isso, precisamos acreditar que o outro seja parecido conosco.

A empatia é fundamental na vida humana, indispensável à socialização e sociedade, estrutura que permite a sobrevivência e proliferação da espécie. É sabendo o que o outro sente que podemos chegar ao nível de sentir compaixão por ele, ajudá-lo, protegê-lo e colaborar com o grupo. Estes são os ideais de quem deseja receber auxílio e compreensão do outro, no entanto, a empatia também é fundamental às lutas, guerras e armadilhas.

É o conhecimento sobre o que gera medo que bandidos conseguem fazer reféns colaborarem e guerras serem impedidas. É a empatia para com o outro que nos permite saber o que lhe causa medo ou angústia e, assim, usamos a nosso favor contra o outro de modo a fazê-lo nos obedecer.

Por outro lado, imaginar como sentir-nos-íamos numa determinada situação pode nos gerar compaixão por quem a passa e um exemplo disso a execução de uma pessoa. A ação de matar é impactante, mas indispensável à manutenção da vida, mas matar uma pessoa é algo que impacta ainda mais o ser humano de forma geral por conta da empatia que temos.

Nós vemos a vítima, o seu estado e naturalmente imaginamos o que ela sente, o que pensa e isso nos causa agonia suficiente para não queremos continuar com a ação de homicídio. Talvez seja um instinto natural do ser humano que favorece a sociedade em vez da auto extinção já que evitamos matar os outros tanto quanto o possível assim como tentamos pertencer a um grupo.

Mesmo para militares com treinamentos ou mesmo experiências múltiplas de assassinato, o impacto psicológico é muito grande e isso é visto em soldados nas guerras. Traumas psicológicos diversos sobre a sua sobrevivência, perda de companheiros, lutas e assassinatos dos inimigos os tornam pessoas às vezes incapazes de se ressocializarem. O medo, a angústia, a incerteza, as lembranças e as outras várias sensações e imagens horríveis acabam com muitas pessoas que mantêm os seus corpos ainda funcionando. Para que vê de fora e nunca passou por anda parecido, não há compreensão ou compaixão por tais pessoas que aparentemente estão ótimas e são produtivas, mas para quem já passou por isso, existe a empatia que gera compaixão muitas vezes.

Compreender o que o outro sente ou pensa não é fácil e distinguir o que nós sentimos sobre o outro, as nossas expectativas sobre ele e o que ele realmente sente, que muitas vezes ele mesmo não tem conhecimento claro, torna esse processo um labirinto emocional em que não há certeza de nada e, por conta disso, nem todos estão dispostos a entrar neste mar tão profundo e escuro.

Durante a guerra na Europa em 1939, o assassinato em passa de pessoas que não apresentavam periculosidade alguma à integridade dos soldados era feita por armas de fogo. Soldados apenas fuzilavam as vítimas diversas vezes e depois lidavam com a montanha de corpos recém-abatidos. Tais soldados que eliminavam estes inimigos em seu ponto de vista, passaram a desenvolver problemas psicológicos que afetava a sua produtividade na guerra, razão pela qual a ciência fora convocada para criar uma forma de matar toda essa gente sem que os soldados tivessem de fazer por eles mesmos.

O assassinato indireto, quando não vemos ou não fazemos a ação de matar em si, faz com que possamos imaginar que não somos os culpados e, assim, conseguimos criar e nutrir uma mentira para nós mesmos que nos permite ter menos dano psicológico, mas quando nós fazemos por nós mesmos, nós somos o objeto da morte do outro, nós temos de agir de forma violenta, ver o sofrimento do outro até a morte e lidar com o resultado final de nos percebermos como assassinos. Esconder ou ignorar tudo isso é muito mais difícil do que apenas apertar um botão para matar milhões sem que sequer vejamos os seus rostos ou os seus sofrimentos. Conseguimos, então, não ter as lembranças traumáticas, apenas dados que são processados pela parte cognitiva do cérebro, não a emocional.

Enquanto a empatia de soldados se solidarizavam com as vítimas e fazendo com que tais soldados não quisessem mais cometer tal ação, para os sádicos, era justamente isso que os alimentava de prazer.

A criação de câmaras de gás para abater mais pessoas foi criada para que os soltados tivessem o efeito da morte de seus inimigos sem os efeitos traumáticos de os matarem um por um nem verem o seu sofrimento. Sem ver sangue, mutilações, gritos e olhares desesperadores eles podiam apertar alguns botões e depois apenas recolher os corpos das pessoas que agora sofriam mais, apenas “dormiam”.

Enquanto a compaixão vinda da empatia motivou a criação da máquina de gás para execução humana, o sadismo usou da mesma emoção, a empatia, para o oposto. Eram os momentos de desespero, angústia e tortura que faziam com que muitos aproveitassem formas de torturar outras pessoas como a história humana possui de longa data. Saborear os gritos, os pedidos desesperados e a dor do outro soam como uma linda música de relaxamento e prazer para os sádicos. A mesma emoção base de empatia que, por conta de como cada um se sente em relação ao outro, gerou resultados opostos.

Se a humanidade fosse sádica, auto exterminar-se-ia, então parece que tal característica não é tão dominante assim. Ademais, existe o sadismo emocional, intelectual e psicológico além do físico e todos estes favorecem a sobrevivência, logo, não fora extintos ao longo da história.

O instinto de sociedade é tão fundamental que matar os demais sem que haja um perigo iminente a nós mesmos por conta deles nos gera mal-estar. Preferimos a união de pessoas e soma de produtividade do que lutas e brigas e é assim que a sociedade conseguiu prosperar tanto e alcançar um nível global de população.

O desejo pela compaixão ou auxílio partindo do outro para nós é muito grande e, por conta disso, nós confundimos empatia com compaixão, mais uma disfunção cognitiva por conta de desejos influenciando a nossa mente como visto em Por que confundimos desejos com realidade?, A confusão de um pensamentos e Acreditamos em nossos desejos como se fossem fatos.  

A empatia, na prática, é a criação de ideia acerca do que o outro sente, isto é, pura imaginação feita em nossas cabeças. Nós deduzimos o que o outro sente de acordo com que imaginamos que ele deva sentir, isto é, de acordo com as informações que temos, como nós sentir-nos-ia se estivéssemos no lugar do outro. contudo, não temos todas as informações acerca do outro e somos fortemente influenciados pelas expectativas que criamos sobre os demais de modo que nos satisfaça. Em resumo, o que faríamos no lugar do outro?

Bem, se estivéssemos no lugar do outro, teríamos todas as informações que ele possui; teríamos a mesma história; as mesmas lembranças e traumas que ele tem; teríamos o mesmo corpo com defeitos e qualidades… seríamos o outro e, portanto, agiríamos exatamente como o outro age.

A empatia verdadeira não é muito conhecida, nem todos a possuem e aqueles que a possuem costumam ter dificuldade em controlá-la e entendê-la. Pessoas dotadas da verdadeira empatia são conhecidas como EMPATAS. Elas absorvem a energia emocional do outro de modo a sentir o que o outro sente. Ela não imagina como o outro sente, era verdadeiramente sente.

O problema disso é que há mistura entre os próprios sentimentos e os sentimentos dos outros dificultando a compreensão do que se passa. Ademais, é uma faculdade que varia em grau, podendo ser mais intensa ou mais branda, assim, há pessoas que sentem um pouco dos sentimentos alheios e outras que os sentem bastante.

A falta de compreensão, estudo, conhecimento e tempo para processar tudo isso faz com que empatas absorvam tais energias emocionais dos outros com frequência fazendo-os se sentirem confusos uma vez que tal absorção não é somente de uma pessoa, mas de vários sentimentos dessas pessoas e de outras pessoas além dos sentimentos próprios. Se temos dificuldade em entender os nossos próprios sentimentos, quem dirá processar os dos outros além dos nossos.

O ser humano possui sentimentos compartilhados com outros indivíduos porque são sentimentos comuns da espécie e, ao vermos alguém que parece sentir o que nós sentimos (vemos o comportamento e expressão do outro parecidos com o que nós fazemos quando nos sentimos de determinada forma, então concluímos que o outro também tem tal sentimento), nós reagimos a isso com compaixão ou não.

Curiosamente as pessoas com menos compaixão são justamente as que receberam menos compaixão. Em vez de agirem como gostaria que os demais agissem com ela, ela repete o que lhe aconteceu e reforça o ciclo expandindo a reação falta de compaixão para com os outros. a percepção dessa pessoa é “se não cuidaram de mim e venci/sobrevivi, então sou forte e tenho orgulho disso e só os fortes vencem/sobrevivem”. É uma percepção comumente inconsciente, mas que se mostra através do comportamento daquele que o assim age. Por outro lado, as pessoas que recebem compaixão costumam ser mais solidárias e auxiliar mais os outros. em seu íntimo a ideia que passa é “fui/sou acolhido, posso ser eu mesmo, então posso ajudar que isso não me torna fraco”. Claro que sempre existem exceções e pessoas que receberam compaixão e não são compassivas bem como aquelas que não receberam nenhuma solidariedade e justamente por conta desse trauma ela evitar repetir e ser o monstro que não a ajudou quando precisava.

A perspectiva sobre a vida da pessoa é intrínseca, isto é, nascemos com ela, mas passamos a ter mais noção conforme entramos na adolescência e idade adulta, mas pode ser alterada por conta das experiências que passamos uma vez que aprendemos com a prática/vida.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *