Pessoas de mentes pequenas costumam ser orgulhosas acreditando serem melhores que as demais e que devam ser obedecidas e acatadas. A perspectiva delas é de como as pessoas devem ser ou como mundo deveria ser claramente ignorando a realidade para alimentar a sua perspectiva de que o mundo deveria da forma que mais lhe convém e agrada. Elas não se sentem apenas o centro do universo, mas que os demais devam viver para lhe satisfazer.
Essa perspectiva é comum na humanidade revelando como a mesma é egoísta e com grandes limitações mentais além de impulsivas em vez de inteligentes uma vez que alimentam o desejo em vez de compreender a própria ideia, sua origem e falta de conexão com a realidade.
Essa perspectiva é encontrada em bebês que, sem capacidade de cuidarem de si mesmos e sendo cuidados por outras pessoas, compreende que o mundo seja dessa maneira. Algumas pessoas amadurecem e descobrem que não é assim que a vida funciona, muitas outras permanecem com essa crença vivem em conflitos tentando se imporem.
É com essa perspectiva que cria-se o ideal de governo: uma entidade abstrata, sem sentimento ou pensamento que deve satisfazer a sociedade como se fosse um escravo desta. Então muitos protestam contra a realidade e tentam impor os seus desejos em forma de ideias através de afirmações idealizadas. Com falta de compreensão sobre a linguagem e sobre si mesmo, muitos não percebem que se trata de uma opinião e entendem a afirmação alegada como se fosse uma realidade. Então se unem para impor essa “realidade” exigindo que alguém ou algo (o governo) os obedeça.
Acontece que o governo é uma massa de pessoas com poderes de realizar muitas coisas, logo, exigir do governo é exigir de pessoas. No entanto, como a ideia da escravidão está fora de moda, usar de palavras que lembram esta ideia pega mal socialmente e, como os manifestantes precisam de apoio popular, trocam palavras “feias” por palavras bonitas que despertam esperança nos demais numa manipulação que consegue os votos dos demais. No final das contas todos se unem em prol do melhor para si mesmo já que acreditam que é por isso que lutam: são várias pessoas buscando se impor sobre outras que se unem por conta do mesmo objetivo egoísta comum.
Esta mentalidade é um dos motivos que alimenta a ideia de que o governo, que não é percebido como pessoas, deva sempre obedecer à sociedade e satisfazê-la. Assim, todos os problemas que as pessoas têm são terceirizados para o governo restando-as reclamar e julgar o mesmo sem de fato fazer algo para melhorarem as suas próprias vidas.
A falta ou precariedade de emprego, conhecimento, educação, produtos, serviços, saúde, inteligência, felicidade… Tudo é direcionado ao governo, o escravo ideal do povo de mente limitada.
Reclamar e julgar são formas de se sentir emocional e socialmente melhor e superior àquele de quem se compara sem de fato agir e fazer alguma coisa para que isso seja uma realidade. Por conta disso muitas pessoas vivem com reclamações constantes bem como fazem julgamentos recorrentes daqueles que desconhecem sentindo-se melhores momentaneamente, mas sem melhorar as suas vidas e sanar os seus problemas.
Culpar o outro é fácil e rápido, planejar, agir e ter resultado é difícil e demanda tempo bem como esforço. Na regra da economia de energia e a melhor busca de satisfação possível, no momento a primeira opção é a melhor e, portanto, mais usada. Contudo, não resolve os conflitos e não faz a pessoa mais feliz, então a longo prazo não é uma boa escolha. Isso significa que reclamar e desabafar é uma ferramenta boa no momento do estresse e sobrecarga, contudo não passar para a próxima etapa visando a resolução do problema faz com que o mesmo permaneça e, assim, muitas pessoas vivem reclamando e desabafando de problemas que elas mesmas não resolvem.
É neste cenário que existe a crença de que o estado (governo) deve satisfazê-las dando o que o povo quer sem pensar ou analisar o que é de fato possível fazer, o que é responsabilidade do governo e o que é responsabilidade dos indivíduos.
A busca por renda visando o consumo de bens necessários à sobrevivência é a base da sociedade. Trabalhamos para conseguir dinheiro e o trocar pelo que desejamos. Felizmente vivemos em tempos de abundância em que temos mais comida do que precisamos, mais segurança do que os nossos ancestrais e uma ótima expectativa de vida se comprada com o passado. Vivemos mais e melhor, mas não estamos satisfeitos. Nunca estamos satisfeitos.
Sem saber o que mais precisamos ou queremos, buscamos prazeres conhecidos entrando no extremo: o excesso.
Comemos mais porque comer é bom, transamos mais porque transar é bom, descansamos mais porque descansar é bom, nos entretemos mais porque nos é agradável. Sempre buscamos prazeres e tendo grandes ofertas, nós as consumimos em grande quantidade.
Já a escassez ou a sua sensação (insatisfação) é terceirizada para o governo e, então, criamos a ideia de que o governo deva fornecer-nos o que desejamos e, sem que este o cumpra, o povo vive a reclamar.
A reclamação de falta de emprego ou de boas remunerações é constante. Se compararmos com o objetivo da vida que é sobreviver tal como os nossos antepassados faziam comendo, dormindo e socializando, temos muito mais atualmente, mas como essa ideia não favorece a nossa reclamação, nós a ignoramos. Buscamos por ideias que possam sustentar as nossas ideias para convencermos outras pessoas de que estamos certos e que, portanto, devam ser implementadas.
Assim nasce a comparação idealizada contra a realidade parcial gerando o resultado que desejamos. Comparamos os ideais que temos de outros locais e governos contra pontos específicos que não gostamos do nosso governos e criamos o resultado de que “todo o mundo é melhor do que aqui” ou de que “se em tal lugar é assim, aqui também pode ser” enquanto ignoramos e desprezamos todo o resto da estrutura governamental desses locais que alimentam esse ponto positivo especificamente.
Queremos uma economia aberta para termos mais disponibilidade de produtos e serviços, no entanto queremos direitos e exigências de que as empresas e fábricas que as produzem ofereçam bons salários, condições de trabalho e grande número de funcionários sem que todo este custo seja acrescido no produto final porque queremos produtos baratos. Em suma, queremos ser obedecidos e não nos importamos em como isso pode acontecer. Apenas exigimos um milagre de alguém que resolva todos os nossos conflitos e insatisfações de forma imediata e eterna.
A ideia de oportunidade é restrita, embora as palavras sejam amplas. Nós nos focamos em oportunidades de emprego com boa remuneração porque é o objetivo básico da vida em sociedade. Como os empregadores buscam pessoas com conhecimentos, nós associamos que seja necessário ter conhecimentos para conseguir um emprego e, assim, criamos a ideia de que precisamos de mais escolaridade para termos bons empregos.
Na década de 70, 80 e 90 a ideia de estudar em uma universidade crescem com as propagandas sociais fazendo com que o sonho de grande parte da população fosse fazer o ensino superior. No época, por haver poucas pessoas com tal ensino em seus currículos e ter o conhecimento muito restrito a entidades de educação formal, a ideia sobre o assunto foi concebida, alimentada e disseminada como fórmula para a felicidade e enriquecimento.
Atualmente, com tantas universidades, a proporção de pessoas com ensino superior em seus currículos aumentou saturando o mercado que busca tal mão de obra resultando em muitas pessoas com formação superior sem o emprego que fora divulgado durante o seu crescimento.
Visando atualizar o quadro de mão de obra de acordo com o mercado de produção, o governo investiu em escolas técnicas para formar mais pessoas técnicas, necessárias à realidade do mercado atual. Contudo, assim como investiu em universidades, bolsas e programas para financiamento da graduação no passado que gerou a grande oferta de mão de obra de pessoas graduadas, parece que o mesmo está por vir com os novos técnicos.
A ideia de que a escolaridade é oportunidade está arraigada nas mentes das pessoas que cresceram sob esta bandeira ideal amplamente propagada em diversas formas durante as suas vidas. Manter essa ideia e alimentá-la é mais fácil do que analisar a realidade e perceber que isso era somente um ideal de outra época. Deixamos de nos atualizar porque exige observação, análise e estudo e o que queremos são apenas empregos que paguem por nossa mão de obra.
A ideia de que aumentar as oportunidades seja sinônimo de aumentar a escolarização não é completamente realista. Até um determinado grau de escolarização é fundamental à vida em sociedade atual como saber escrever, ler, se comunicar, fazer contas e outros assuntos considerados básicos, no entanto, a especialização muitas vezes é perda de tempo em termo de currículo já que há muitos engenheiros e advogados trabalhando em Uber ou vendendo doces, profissões que não precisam sequer de um ensino médio para serem exercidas. Ainda assim, estamos apegados ao ideal que absorvemos por anos a fio de que quanto maior a escolaridade, maior serão as chances e oportunidades.
O que é oportunidade em si?
As oportunidades são vistas como ofertas de emprego e que este é resultado da qualificação da mão de obra, isto é, da sua escolaridade. Contudo, aprender os conteúdos nas escolas não depende unicamente da escola, seus recursos, mão de obra ou infraestrutura.
Uma pessoa cm matrícula na melhor escola que possa existir não aprenderá se passar por fome em sua casa. Uma família confusa, agressiva ou violenta também influencia muito negativamente o aprendizado de uma pessoa. O tempo que leva para ir e voltar, o caminho percorrido e como é percorrido também são fatores que influenciam a pessoa favorecendo ou desfavorecendo o seu aprendizado.
Ter carinho, apoio, orientação ou ajuda dentro do próprio lar também impacta diretamente no aprendizado da pessoa além de seus limites fisiológicos para aprender e para se dedicar ao aprendizado.
Tudo isso mostra que, ainda que tenhamos todas as condições externas favoráveis ao nosso bem-estar, ainda temos as limitações internas. Um corpo doente, que adoece com facilidade, com restrições de mobilidade ou intelectuais não podem ser ignorados se desejamos enxergar a realidade e todos nós temos limites, cada um com os seus próprios.
Alguns serão ótimos em matemática, outros serão incríveis na área de comunicação ou de socialização, mas raramente há uma pessoa perfeita em todas as áreas mesmo que tenha toda a estrutura externa possível porque o próprio ser humano tem limites.
Isso mostra que famílias e lares são fortes influenciadores que, portanto, favorecem ou desfavorecem o aprendizado do indivíduo. Em outras palavras, as oportunidades não estão somente em locais de ensino formal, mas em todos os aspectos da vida. Se uma pessoa mora em um lugar perigoso, provavelmente terá mais foco e atenção em cuidar de si e sobreviver do que estudar os conteúdos acadêmicos e isso é redução de oportunidades.
Mais uma vez a sociedade aponta para o governo como se ele fosse o responsável por manter a segurança completa em todos os lugares, mesmo que saibamos ser impossível. Ainda assim, o desejo de que isso seja real é tão ardente que ignoramos a impossibilidade e apostamos tanto quanto conseguimos de que o governo agirá como desejamos.
As relações familiares também são fortes influenciadores sociais. Ter pessoas que brigam frequentemente, que não se comunicam ou que possuem outros atritos dentro do lar faz que com este local seja de insegurança fazendo com que os seus integrantes tenham estresse por mais tempo e vivam em constante vigília para não serem prejudicados. Com a atenção no que lhes é mais perigoso, como se dedicar ao estudo?
Mais uma vez responsabilizamos o estado por este cenário, não aos indivíduos que não se comunicam de forma clara ou não se respeitam.
Atualmente foi criado a ideia de “responsabilidade afetiva”, “maturidade” e “desenvolvimento emocional” como responsabilidade dos pais a oferecem aos seus filhos. Mas como implementar esta ideia se nem os pais as compreendem nem as aplicam em suas próprias vidas? Assim como responsabilizamos o governo por tudo que podemos, fazemos o mesmo para as outras pessoas.
Não queremos saber como elas farão isso, apenas exigimos que o façam para não criarem indivíduos que possam nos prejudicar revelando, mais uma vez, que não nos preocupamos com mais ninguém além de nós mesmos.
A mentalidade orgulhosa faz com que acreditemos que sabemos tudo ou que possamos tudo, mas quando a realidade não se mostra da forma que desejamos e queremos alimentar essa mentalidade, criamos outras ideias para culpar e responsabilizar outras pessoas porque, se aceitamos que nós somos os responsáveis teremos de encarar que não somos tão maravilhosos e perfeitos quanto acreditamos (na verdade desejamos) ser e isso é um perigo psicológico e emocional muito grande para pessoas imaturas. Então, caímos na cilada de ignorar tudo que podemos e mergulhamos na hipocrisia para sustentar duas ideias opostas ao mesmo tempo sem jamais pensar no assunto até que sejamos obrigados a percebê-lo. Neste momento passamos por surtos e colapsos emocionalmente dolorosos e, por isso, nós os evitamos ao máximo.
As oportunidades não são a escolaridade, mas toda a vida. Temos oportunidade de aprender de várias formas diferentes, temos mais aptidão para algumas áreas do que para outras e tudo nos afeta influenciando as nossas vidas.
Sempre criamos as nossas próprias oportunidades ao escolhemos o que fazer. Escolhemos estudar ou não, quais assuntos estudamos, quanto nos dedicamos, se expandimos o nosso conhecimento ou nos retemos ao que nos é obrigado, se criamos ou produzimos bens ou serviços…
Podemos escolher ficar dentro de casa sem fazer nada, mas podemos escolher procurar por emprego ou carreiras bem como nos dedicar ou não a elas e isso tudo depende de nós, do nosso corpo e dos fatores ambientais externo a nós.
Mergulhados na crença de que somos perfeitos ou melhores do que os demais, negamos tudo que for conta essa crença e, com isso, criamos a ideia de que se não temos tudo o que julgamos merecer (na verdade queremos), alguém está nos sabotando porque não somos os culpados ou os responsáveis por nossa insatisfação uma vez que somos ótimos, capazes e merecedores.
De fato, temos limitações que nos impedem de progredir em algumas áreas e, quanto mais limitações temos, menos capazes somos e, portanto, menos conseguimos produzir e colaborar com a sociedade em forma de trabalho resultado na escassez financeira.
Algumas dessas limitações pessoais são fisiológicas, outras são por falta de desenvolvimento do corpo ou dos órgãos, por imposição de regras e crenças ou por nós mesmos nos limitarmos para não lidarmos com mais informações do que conseguimos processar porque isso gera mal-estar, dúvida e insegurança. Então temos oportunidades e prejuízos não apenas no meio acadêmico, mas em toda a nossa vida. Podemos ter sucesso em relacionamentos inter ou intrapessoais e fracasso profissional se soubermos lidar com as pessoas próximas; podemos ter sucesso profissional e ter uma vida pessoal turbulenta por não saber lidar com pessoas assim como podemos ter vários sucessos e vários fracassos ao mesmo tempo em áreas diferentes da vida.
O fato é que as oportunidades não são dadas, mas criadas por nós. Nós escolhemos estudar, aprender, buscar emprego, criar boas relações ou não. Existe o fator externo uma vez que vivemos num mundo com outras pessoas e acontecimentos, mas não são eles os determinantes de nossas vidas. Nós determinamos as nossas vidas com as escolhas que fazemos tenhamos consciência ou não delas. Escolhemos casar e ter filhos ou nos dedicar mais à carreira sendo que para ter mais sucesso em um, precisamos abrir mão de dar atenção ao outro, logo não podemos ter a perfeição em ambos.
As oportunidades são criadas por nós, pelos outros e por tudo que nos rodeia e responsabilizar um destes pelo resultado é ignorar a realidade ou desprezá-la. E só uma maneira de alimentarmos o nosso orgulho em vez de alimentar o bem-estar na vida.