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Homo sapiens primitivo atual

Muitas ideias permeiam o mundo. Das mais sensatas à mais insanas, as vencedoras não são as realistas, mas as que alimentam o que desejamos que seja realidade. Quanto mais distante da realidade estamos, mais delírios e alucinações acreditamos porque são os que nos nutrem de esperança de conseguirmos ter o que não temos na realidade.

Vários delírios coletivos históricos exemplificam essa característica humana de crer no que deseja, não no que é real.

Histórias de raças superiores, cores de pele como distinção de quais pessoas são melhores ou piores, quem vale mais ou menos de acordo com a conta bancária, nações que têm o direito de se impor e as que devem satisfazer outras, povos que têm “Deus” ao seu lado para se expandir contra outros povos e governar sobre os demais, fêmeas que valem menos que machos, escravos que têm o dever supremo de satisfazer seus donos, nações que têm o dever divino de espalhar a sua religião e moldar outras às suas vontades, classe sociais que vivem em guerra ou disputa… Muitos delírios perpetuados pela força da vontade de que sejam reais sem provas ou indícios.

A regra básica é a natural: os mais capazes fazem o que desejam e podem e os menos capazes obedecem por medo de sofrerem mais. Isso não se aplica apenas à sociedade, mas à vida individual. Se não sabemos ou não conseguimos algo, cabe a nós pedir, esperar por ajuda ou rezar ao acreditar que isso pode fazer a nossa vontade se tornar realidade. independente de haver outra pessoa envolvida ou não, a incapacidade faz a pessoa não conseguir o que deseja e ficar à mercê da “vida”. Talvez a sua vontade seja realizada, talvez não. O sofrimento nada mais é do que ter uma vontade não satisfeita.

De fome ao poder social; dor física ou emocional. O Sofrimento é o medo que gera insegurança e a ausência de satisfazer essa vontade de segurança gera o medo, o sofrimento. conseguir segurança aplaca esta sensação ruim gerando um bem-estar maior. Sozinhos em meio à floresta, a incapacidade de criar um abrigo seguro faz a pessoa viver em uma situação de medo, um sofrimento. Sem qualquer outra pessoa próxima, o sofrimento por conta da incapacidade só pode ser amenizado se a pessoa encontrar um abrigo de alguma forma ou que ele lhe apareça. Diante da incapacidade e do desejo por algo, resta-nos acreditar que o que desejamos acontecerá de alguma forma externa à nós e que nos chegará e, assim, criamos a ideia de que de alguma maneira o que desejávamos vai ser concretizado.

Numa sociedade, rapidamente conseguimos distorcer essa crença e direcioná-la a outra pessoa ou classe de pessoa afirmando que tais pessoas ou classes sociais têm o dever de satisfazer a nossa vontade. Para não parecer tão egoísta e egocêntrico, trocamos a “nossa vontade” por “nosso direito” uma vez que direito dá uma ideia de que não seja apenas para nós, mas para uma grande grupo de pessoas.

Todos os direitos são deveres de outrem. O direito de andarmos seguros pelas cidades advêm do dever dos outros cidadãos serem corretos e não agirem de modo a não prejudicar outras pessoas. Os direitos legais empregatícios monetários nada mais são do que o dever do empregador os pagar. O direito à escolaridade da sociedade é o dever de as pessoas que a gerenciam oferecê-la à mesma, isto é, os salários dos funcionários, merendas, obras e manutenção das escolas é paga por alguém (a própria sociedade através dos impostos).

Todos os direitos individuais são restrições das liberdades alheias ou deveres alheios, portanto, é algo passivo a ser recebido sem necessidade de esforço pelo “assegurado” e, por isso, tão desejado. Quem não quer viver em um lugar em que há direito para tudo tendo as suas vontades atendidas sem precisar se esforçar? Quando esta ideia individual é colocada para a população como um todo arrebata corações insatisfeitos e sofridos que desejam esperança de que as suas angústias serão sanadas. Não importa como e sequer é importante ter um plano: o importante é alimentar esta esperança e, assim, discursos populistas sobre direitos sempre ganham os votos daqueles que sequer sabem o que significa os seus direitos para os demais na sociedade.

O egoísmo e egocentrismo destas pessoas atraem mais das mesmas no processo de que similar atrai similar. Apenas que está nas mesmas situações desejando esperança sem desejar progredir por si mesmo (sem esforço pessoal) são atraídos por este delírios incapaz de ser real em qualquer momento histórico. Como satisfazer todas as vontades de todos se cada um é diferente e o que é certo para um poder ser visto como errado por outro?

Quem deseja progredir por si mesmo busca conhecimento e maneiras de criar a sua realidade como deseja e, por isso, não é arrebatado pelos discursos passionais sobre direitos. Estas pessoas sabem que tais discursos são mentirosos ou, no mínimo, ingênuos demais uma vez que não podem ser efetivados de forma prática.

Da mesma maneira que a população egoísta que não quer saber sobre os outros, apenas de si mesmo individualmente, razão pela qual acredita neste delírio coletivo, aqueles que o proferem buscam exatamente o mesmo na situação em que similares se atraem mutuamente criando um ciclo de pessoas que alimentam as suas próprias esperanças através de ideias, discursos, fé, crenças e outras ideias abstratas que não são postas em prática e sequer organizadas visando este fim.

Mentes muito limitadas não conseguem a capacidade de planejamento, aprendizado, amadurecimento, crescimento, aperfeiçoamento, produtividade e riqueza. Incapazes de fazerem em suas vidas o que desejam, caem nas graças da imaginação que faz de tudo para alimentar a esperança desejada incluindo criar ideias irreais, contraproducentes, contrárias e prejudiciais.

Aceitar a realidade de que não temos o controle sobre o mundo, sobre nós mesmos gera muito medo e, para evitar este medo, criamos ideias que nos geram segurança. A crise de 2020 com a pandemia de COVID, assim como outras pandemias ao longo da história da espécie, mostra o quão primitivos ainda somos.

Surtos de doenças e grandes epidemias ao longo da história foram tratadas como castigo divino, algo mágico, místico. Para combater essa praga, usava-se de “mágicas” e crenças que alimentavam a ideia inicial do motivo da doença em surto.

Doenças sexualmente transmissíveis eram tidas como castigos pelo pecado do sexo, um pecado moral. Para tanto, deveria ser curado com a alta moralidade, isto é, com sexo com virgens, pessoas que não tinham este pecado em suas almas. Resultado: proliferação das doenças e condenação de quem as pegava.

Remédios e terapias venenosas e prejudiciais também eram aplicadas na crença de que seria bom e curaria, isto é, vendia-se ESPERANÇA, não resultado. Diante do caos e desespero de haver a doença se espalhando por todos os lados causando muitas dores, sofrimentos e morte, acreditar que algo ajudaria era o que alimentava a esperança.

O uso de mercúrio assim como o rádio (que tem radioatividade) quando descobertos como fontes de remédios e curas foi amplamente divulgado e usado. No entanto, o efeito era o contrário gerando mais prejuízo do que benefício e até mesmo matando as pessoas.

A sangria, processo de deixar o paciente sangrar, era um método amplamente conhecido como cura para as enfermidades do corpo. O uso de sanguessugas para o mesmo fim também era popular entre os nobre que tinham como adquirir tais bichinhos. A essência desse tratamento é “tirar o sangue contaminado” do doente, então ele curar-se-ia. No entanto, agora que sabemos sobre anticorpos e funções sanguíneas, sabemos que perder sangue fazia o doente ficar ainda mais fraco. Portanto, quem sobrevivia com tais tratamentos não o fazia por conta dos tratamentos, mas APESAR deles.

Em um cenário de solidão em meio a um lugar desconhecido e desértico, muitas pessoas têm a ideia de beber a própria urina ou água do mar se tiver quando sedentas. Acreditando que ingerir algum líquido as ajudaria, elas agem dessa forma. Contudo, o corpo precisa de mais água ainda para expulsar os sais ingeridos fazendo a pessoa desidratar mais rapidamente, isto é, agindo CONTRA a sobrevivência.

O fato é que buscamos a SENSAÇÃO de controle e segurança, não a concretização de fato de ambos. Por conta disso agimos e criamos ideias que, muitas vezes, são prejudiciais aos nossos objetivos.

O pânico que as sociedades do passado enfrentaram aos doenças é o mesmo da sociedade atual. Podemos ter mais tecnologia e conhecimento, mas diante de um cenário desconhecido, agimos da mesma maneira: pânico, fé, orações, criação de crenças que nos gerem bem-estar.

Como visto em O medo de não agir, a sociedade atual criou comportamentos baseado em crença e fé. Uso de máscaras de pano, distanciamento de 1 metro dentre outras medidas foram comportamentos adotados e impostos mesmo sem qualquer estudo para averiguar se tinham algum resultado positivo. A SENSAÇÃO de segurança com tais comportamentos era o suficiente para fazer com que as pessoas ditassem que tais ações eram suficientes e obrigatórias. Como o vírus circulava? Como contaminava? Como agia no corpo? Ninguém sabia, mas, apesar de ninguém saber como a doença era, funcionava ou se proliferava, ações aleatórias baseadas unicamente na fé de serem eficazes foram o suficiente para convencerem as pessoas de que tais ações deveriam ser implementadas e obrigatórias criminalizando quem não fosse a favor. Qual a diferença disso para uma sociedade que deve obedecer a uma igreja específica, a qual cria regras sem estudo bem como punições para quem age diferente de sáculos atrás?

Gostamos de acreditar que evoluímos, que progredimos e somos melhores porque saber que somos isso nos satisfaz, satisfaz os nossos egos, então, sem qualquer estudo, afirmamos que o que desejamos é realidade provando, mais uma vez, a nosso burrice. Veja mais em Por que confundimos desejos com realidade? e A confusão e um pensamento.

O pânico diante de uma doença desconhecida fez com que medidas aleatórias e prejudiciais fossem adotadas em grande escala como o lockdown. Somos uma espécie que se perpetuou e se desenvolveu por conta da sociabilidade. Precisamos nos socializar não apenas para o bem-estar emocional e pessoal, mas porque é assim que criamos a sociedade.

As cidades são as altas concentrações de pessoas justamente porque unem as capacidades de varias pessoas de criarem e produzirem. Buscamos cidades e tribos desde o surgimento da espécie, até mesmo antes, quando “éramos macacos”. Precisamos de pessoas ao nosso redor por várias razões. A globalização é o resultado positivo dessa alta concentração de pessoas. Várias unidas em fábricas e empresas criando produtos para a sociedade gerando saúde e bem-estar além de qualidade de vida e o aumento da mesma. Remédios e comidas, antes escassos, favorecem a sobrevivência e a felicidade das pessoas e dependem diretamente da sua distribuição que também é feita por pessoas.

Pessoas por todos os lados: criando, produzindo, distribuindo, divulgando, vendendo, consumindo, sobrevivendo e vivendo. Este é o ciclo humano no mundo e o lockdown é justamente o oposto. A maior vantagem da espécie foi eliminada sem estudo, sem dados, apenas na fé de que funcionaria. A fé foi tão grande que as pessoas não cogitaram estudar os efeitos do lockdown com um grupo controle em paralelo para averiguar se havia alguma diferença. Simplesmente foi implantado como se houvesse a certeza de que funcionaria. Resultado: locais com lockdown tiveram crises econômicas uma vez que as pessoas não podiam mais fazer o que faziam de melhor: produzir coletivamente. Sem produção, como pagar salários para pessoas que não trabalhavam? Demissões, fechamentos de empresas e outras mais falidas foi o resultado de nações inteiras. Sem emprego, não havia salários, sem salários, como comprar o que é necessário? Comida e casa por exemplo? Famílias inteiras dizimadas com a pobreza pela proibição do trabalho individual.

Sem pessoas empregadas, como criar e produzir em larga escala? Com poucos produtos sendo feitos, os seus valores aumentavam e, somando à crise financeira pela falta de emprego aceitável neste cenário de uma doença que não se sabia como era proliferada, o valor proporcional dos produtos ficou MUITO mais caro do que antes. Poucos produtos, muitas pessoas sem emprego = muita pobreza e ↓ qualidade de vida.

Os locais que não agiram com tal mudança abrupta não relataram mais danos, contaminações ou mortes revelando que tal medida não tinha efeito positivo na prática. Ainda assim, muitos permaneceram acreditando que tal medida era eficaz, afinal de contas, somos animais tão passionais que descartamos TUDO que vai contra as nossas ideias, mesmo que sejam boas e realistas enquanto as nossas ideias são apenas fruto de uma imaginação muito fértil.

As brigas políticas deixaram isso muito claro. ideologias brigando pelo poder da narrativa em vez e buscarem amparo realista e científico. Não apenas políticos embarcaram nesta, mas a grande maioria provando a passionalidade do ser humano em detrimento da razão, afinal, preferimos a sensação de estarmos certos (sensação de segurança) do que uma realidade insegura.

Os medicamentos, quando entram no mercado, sempre são vistos com desconfiança e dúvida. Muitas pessoas se negam a usá-los por não saberem se são bons ou não, mesmo com validações científicas o suficiente que os atestam como eficazes. Só demais de décadas de uso e bons resultados que os medicamentos passam a serem aceitos. Aceitamos porque ouvimos dizer que faz bem, que ajuda e funciona por vizinhos, médicos, pacientes, familiares e mídias que os divulgam. Acreditamos na QUANTIDADE de pessoas que ouvimos, não na bula do remédio que informa sobre os seus efeitos e como funciona. Da mesma forma, acreditamos na NARRATIVA divulgada pelas mídias e, por conta disso, há a briga pela “dono” da narrativa. Se o dono da narrativa fala que beterraba faz mal à saúde, grande parte da população parará de consumir beterraba sem questionar, sem buscar informações, sem estudar o assunto ou mesmo sem testar.

Não temos como analisar todas as informações e todos os assuntos, por isso acreditamos ou não nas ideias que chegam a nós. O problema é que o normal no ser humano é só acreditar nas ideias que tem acesso sem questionar ou compreender, daí a busca pela narrativa: se tem a narrativa dominante, tem toda uma população obediente. A culpa é do dono da narrativa? Em parte uma vez que tem responsabilidade sobre o que fala, mas a sociedade que apenas copia sem analisar também sem a sua parcela de responsabilidade.

Venenos como radioatividade e mercúrio foram muito usados por médicos que orientavam e recomendavam tais componentes como medicamentos provando que até os “cientistas” são passionais e reféns da fé em vez do conhecimento.

Muitas recomendações médicas são criadas e mantidas por fé como episiotomia nos partos, evitar falar após uma cesárea, não tomar ivermectina para paciente de covid… São orientações que não foram estudadas, que não foram analisadas, apenas impostas como boas medidas tal como o uso de máscaras para evitar contaminação de uma doença que se desconhecia o seu meio de contaminação.

Assim como olhamos para séculos passados que usavam de ações contrárias á saúde visando curar um paciente com desdém, gerações futuras farão o mesmo conosco e, provavelmente, agirão da mesma maneira se houver nova epidemia em grande escala: com pânico e fé porque continuam sendo seres humanos, isto é, baseados em emoções, não em conhecimento.

Os pacientes de epidemias do passado eram tratados com exílio para não contaminar quem estava saudável e, da mesma forma, o pânico criado pelas narrativas de grande divulgação também motivou as pessoas a agirem da mesma maneira, exilando e isolando os contaminados. Dentro de suas casas ou quartos, sem acesso a pessoas, sem relação social, apenas a solidão e a dor da doença. Esta foi uma realidade para muitas pessoas. Até mesmo os hospitais e unidades de saúde reservaram alas específicas para suspeitas da doença sendo o mesmo comportamento de 2 000 anos atrás. Melhoramos? Ou queremos acreditar que melhoramos? Veja mais em Preconceito 2020.

Veja também: somos emoções e sentimentos com um pingo de consciência.  

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