Pular para o conteúdo

Bom senso

Muitas pessoas afirmam que há quem não tenha bom senso e que há comportamentos de bom senso ainda que vão contra às leis.

Talvez o bom senso leigo seja o cumprimento das leis num pensamento lógico uma vez que as leis são criadas pelas próprias pessoas e de acordo com suas crenças e mentalidade,  mas nem todos pensam assim.

 

Num condomínio antigo foi criado espaço de academia e posto elevador, coisas que não havia quando fora construído. Sem permissão para ter ambos já que não fora construído com suporte visando estes fins, o condomínio não tem permissão legal de tê-los. Contudo, o bom senso dos condôminos os levou a serem a favor de tais projetos e criaram tais regalias.

 

Brigas em reuniões discutiam o que deveria ser imposto ou não bem como a regulamentação de uso da academia e todos afirmaram que era necessário ter bom senso para solucionarem tais problemas. Apesar de todos terem a mesma opinião sobre ter o bem sendo, não havia concordância sobre as atitudes condominiais a serem tomadas evidenciando as diversas definições de “bom senso” que as pessoas tinham.

 

Para algumas, o bom senso era exercer a lei, o que acarretaria na perda das regalias feitas, para outros, o bom senso era seguir a opinião da maioria e, para terceiros, o bom senso eram as próprias opiniões.

 

No primeiro caso, o bom senso significa seguir a lei e, se assim o for, pessoas que têm este bom senso são pessoas tradicionais que não querem nem pedem mudança alguma. No passado eram pessoas a favor da escravidão quando legalizada, da posse feminina pelo familiar masculino e de castigos físicos incluindo a morte como punições. O bom senso também era a favor de jogos mortais como entretenimento sacrificando e torturando vítimas e escravos somente pela diversão dos espectadores. Com tudo isso sendo legal, o bom senso motivava a manutenção das regras e leis evitando a mudança.

Visto as mudanças ocorridas ao longo da história da espécie, não concordamos com costumes e leis antigas o que nos leva a não concordar com essa definição de bom senso.

 

No segundo caso, a opinião da maioria é quem dita as regras o que mostra que leis não serão obedecidas se a maioria discordar. Então, se a maioria concordar em roubar, o roubo deixará de ser crime; se a maioria julgar certo matar grupos menores, tal genocídio será visto como bom senso; se a maioria concordar que o islamismo é a religião certa e que todos devem obedecer, então assim será. Dessa forma, o bom senso nada mais é do que pessoas com a mesma opinião, não que esta tenha algum embasamento legal, argumento ou fato que a sustente.

Nós nos sentimos reprimidos, oprimidos e perseguidos quando nossas opiniões são desvalorizadas e ignoradas. Nós nos sentimos reprimidos e oprimidos quando temos de obedecer às ordens de outros em vez de fazer o que queremos, logo, se não concordarmos com a maioria, nós seremos reprimidos e, portanto, não acharemos que este bom senso seja correto.

 

No terceiro caso, a opinião da própria pessoa é a única que importa para si. Ela acredita que sabe mais do que os outros e que, por isso, deva fazer as escolhas do grupo mostrando que não se importa com mais ninguém além de si mesma. Este bom senso nada mais é do que o egoísmo de uma pessoa que acredita ser mais do que é e que deva direcionar ou ditar o grupo como se fosse alguma envida divina que sabe tudo ou quase tudo. Se ela sabe tudo, ou quase tudo, ela sabe das opiniões alheias, sabe das leis e que ambos estão errados. Mas o que é estar errado?

O ser humano busca o melhor para si e a opinião nada mais é do que a conclusão do que sente. Se ele se sente bem em relação a algo, julga este algo como bom; se ele se sente mal com este algo, julga este algo como ruim ou mau. Logo, sendo o seu bom senso a sua própria opinião, ele criará regras para benefício próprio porque as considera como boas.

 

Bom é uma opinião favorável que alguém tem sobre algo. É a sensação agradável sobre algo que leva a pessoa a julgá-lo como bom. Da mesma forma, ruim é a opinião sobre algo que gera desconforto, dor ou sofrimento fazendo do bom e do ruim opiniões pessoais, não resultados de estudos ou conclusões de fatos. Dessa forma, cada um tem o seu próprio bom senso.

 

Senso significa sabedoria ou conhecimento, informações suficientes para entender sobre um assunto o suficiente de modo a gerar uma opinião realista e, portanto, equilibrada. Dessa maneira, a pessoa que tem senso é uma pessoa conhecedora do assunto, mas normalmente quem se julga ter bom senso ou exige bom senso dos outros não é uma pessoa que estudou muito acerca do assunto discutido indo contra a própria ideia de bom senso que a pessoa julga ter. Ademais, muitas acham desperdício se aprofundar em um assunto tão abstrato uma vez que querem resultados práticos. Assim, exigir bom senso do outro acaba por ser uma contradição já que não se deseja que o outro estude o assunto, mas que apenas concorde com a própria opinião.

 

Assim, bom senso é uma opinião positiva sobre algo muito bem estudado e o conhecido sendo uma raridade em uma pessoa porque não é comum nos especializarmos em vários assuntos para termos opiniões embasadas e porque não buscamos aprofundamento sobre assuntos que não nos gerarão retorno. Em outras palavras, nós buscamos especialização como forma de aumentar o nosso currículo e, então, a nossa remuneração. Também buscamos aprofundamento de assuntos que nos afetam direta e negativamente porque desejamos resolver os problemas o que nos leva a compreensão de que buscamos o conhecimento para melhorar a nossa vida, não para elevar a nossa taxa de sabedoria.

 

Então o bom senso é uma raridade, mas que muitos afirmam ter e exigem que os outros tenham também como se bom senso fosse algo bem definido e único o que tornaria todos com bom senso tenso a mesma opinião, mas como a opinião é algo pessoal, esta ideia já se prova impossível se ser real e antagônica quando analisada. É somente uma ideal abstrato por mentes pequenas que se acham certas e grandes que querem se impor através de discursos sofistas e falácias sem qualquer embasamento lógico, argumentado ou sustentado com informações verídicas (fatos e dados).

 

Como vamos todos ter bom senso e viver em harmonia? Impossível. Já não temos o bom senso, quem dirá todos terem a mesma opinião para que não haja brigas ou disputas. Apenas um sonho de pessoas sem senso sobre o assunto porque não pensaram insuficiente para se aprofundarem e perceberem a loucura que são as suas opiniões e ideais/desejos como um simples desejo que todos tenham o mesmo bom senso/opinião porque a harmonia para estas pessoas é a ausência de brigas e conflitos e isso só acontece quando todos têm a mesma opinião.

 

Como fazer todos acreditarem nos mesmos ideais se cada um possui o seu conjunto próprio de ideias?

Como fazer todos acreditarem que todos devam trabalhar igualmente se cada um tem habilidades próprias?

Como fazer todos terem a mesma remuneração se há pessoas mais capacitadas do que outras em cada área de competência?

Como fazer todos acreditarem que devam se ajudar se há pessoas que precisam de mais ajuda e outras precisam de menos?

Como fazer todos satisfazerem as nossas vontades porque assim queremos e não conseguimos por nós mesmos se eles também deseja que nós os satisfaçamos?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *