Estas palavras são muito usadas por diversas pessoas. Embora não consigam dar a definição do que é moralidade, parece que todos (ou quase todos) sabem julgar o que é moral ou não. Mas como isso é possível? Como podemos afirmar se algo é ou não alguma coisa se não sabemos o que é esta alguma coisa?
A ideia de moralidade advém de um julgamento e este advém das ideologias que a pessoa possui. A pessoa acredita que há comportamentos, palavras, nomes, profissões dentre outras que são ruins.
Consideramos ruim tudo que nos gera algum tipo de mal-estar. De preconceitos e ideias, passando por imagens e barulhos, tudo que nos desagrada é julgado como ruim.
Depois deste julgamento que leva menos de 1 segundo e é feito pelo inconsciente, damos uma passo a mais e concluímos que tudo que é ruim é errado.
Então passamos a afirmar que o que é errado deve ser punido, extinto e reprimido.
Tudo isso mostra como somos egocêntricos: criamos uma opinião que é como nós nos sentimos e temos a certeza de que a nossa opinião é um fato, não um sentimento. Então, pautado nos “fatos” afirmamos o que deve ser alterado. Na verdade, nós apenas usamos de distorções, manipulações e outras estratégias sociais para convencer os outros de que nós estamos certos e que, portanto, eles devem nos obedecer.
O ser humano não apenas é egocêntrico, mas egoísta. Queremos e precisamos nos sentir acima dos outros porque comparativamente concluímos sermos melhores. Daí as comparações das nossas virtudes com os defeitos dos outros como visto em Você quer controle ou felicidade? (link de 16 de julho de 2025), idealizações comparadas com a realidade como visto em O passado era melhor? (link de 9 de julho de 2025), Passado X presente: o passado era melhor? (link de 7 de agosto de 2024), Nostalgia de um passado inexistente, Por que confundimos desejos com realidade?, A confusão de um pensamento, Pensamentos, Ascenção do pensamento, A estupidez humana e Orgulho (link de 23 de julho de 2025).
A necessidade de se sentir acima dos outros bem como as ideias criadas por imaginação e pequenas frações da realidade fazem com que a pessoa busque se sentir superior aos demais ao ser uma boa pessoa, segundo às suas próprias crenças (criação pessoal através de desejos medos, idealizações, esperança, rancor, raiva dentre outras emoções e alguns fatos aprendidos).
Imaginar que algumas coisas são boas (o que ela gosta) e outras são ruins (o que ela não gosta, faz a pessoa ter um senso de julgamento simples, fácil e rápido. Tudo é enquadrado em uma categoria ou na outra sem pensar sobre o assunto. Esta é a mentalidade dualista e extremista, em que existem apenas duas categorias para que o mundo seja enquadrado: o positivo e o negativo. É assim que o que é agradável é tudo como bom, certo e positivo enquanto o que é desagradável é exatamente o oposto: ruim, errado e negativo.
Com a interpretação da vida gerando a conclusão de que o superior é melhor/mais agradável do que o inferior, ser superior é bom, certo e positivo enquanto o inferior é o oposto. É assim que a pessoa julga o mundo: se lhe agrada, é bom; se lhe eleva o valor, é bom; se fica acima dos demais, é bom.
A pessoa tem a sensação de certeza sobre a sua opinião embora não saiba a razão de ela existir ou de ser o que é.
É com essa mentalidade que as pessoas criam ideias do que é bom, certo e aceitável, do que é ruim, errado e repudiado. Para pessoas que gostam de socializar, manter amizades e múltiplas relações sociais é algo agradável e desejável, portanto, correto. Então ela conclui que tal comportamento seja correto e, portanto, tudo que for diferente seja errado. Logo, pessoas que não apreciam a sociabilização tanto quanto elas são julgadas como erradas, ruins e inferiores. Ao “constatar” que o outro é inferior, a pessoa orgulhosa nutre o seu delírio de grandeza com a comparação feita com aquele que é inferior.
A moralidade nada mais é do que tudo o que consideramos bom e a imoralidade tudo que julgamos como ruim. Quem age de maneira que apreciamos são as pessoas morais ou com boa moral e quem age de modo que não gostamos são as imorais ou sem morais.
Vivendo em conjunto numa sociedade, nos deparamos com muitos indivíduos e alguns gostos são compartilhados por muitos. A maioria valoriza a vida, então cuidar da vida e fazê-la o possível para estendê-la é algo desejável, positivo e, então, moral. Daí ser concluído que matar seja algo imoral.
Os gostos que são diferentes entram em conflito com os gostos dos demais. Algumas pessoas acham certo a heterossexualidade porque a apreciam ou por outras crenças e concluem que os heterossexuais são morais enquanto os diferentes, homo e bi, são imorais. Como o valor da vida é mais importante do que a sexualidade das pessoas (em sua maioria), matar por conta dessa “imoralidade” é tido como errado e igualmente imoral. Contudo, ser heterossexual faz a pessoa se sentir correta diante das pessoas “erradas” o que configura algo positivo e, segundo os conceitos similares, superior. Então julgar as pessoas imorais como inferiores é uma forma de manter toda essa estrutura mental criada, moldada e alimentada por outras ilusões criadas unicamente para sustentar a própria estrutura/crença.
Para quem preza mais a sexualidade do que a vida, matar quem não seja heterossexual é um comportamento correto e moral que elimina o que é errado, inaceitável, inferior. É um comportamento ainda comum no mundo atual conhecido como “homofobia” (pessoas que ODEIAM homossexuais).
A pessoa sente o mundo e tudo o que é bom é certo, justo, correto, aceitável, desejável, ideal, superior e moral. Se a pessoa gosta de homens de terno, tal vestimenta é tida como moral e certa. Já se não gosta de pessoas maltrapilhas, logo conclui ser uma pessoa errada, ruim, inferior e imoral.
Ao nos deparamos com alguém imoral e tendo a nós mesmos como morais, concluímos sermos mais valiosos, melhores e superiores alimentando toda essa crença de ser superior. Tudo isso é apenas uma maneira que sustentar a crença criada pelo desejo de que a pessoa seja mais importante, mais valiosa e superior porque ela julga que ser assim é algo bom e agradável visto que será servida e os seus desejos serão satisfeitos por outrem uma vez que ela não consegue.
Veja mais em Moralidade (link de 22 de janeiro de 2025) e Caráter: bom ou ruim? (link de 22 de maio de 2025).