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Egocentrismo

O egocentrismo nada mais é do que a crença/sensação de que a própria pessoa é a coisa mais importante do mundo, o que é verdade.

Se não valorizarmos a nós mesmos, como buscaríamos alimento e segurança, itens necessários à sobrevivência? Como tudo, o excesso é o problema.

Uma pessoa muito egocêntrica reduz a importância dos outros a quase zero e se coloca como a única importante e isso atrapalha as relações com os demais. Como dependemos dos outros por sermos de uma espécie que se desenvolveu a partir da sociabilidade, este comportamento afeta bastante a pessoa.

Diferente do orgulho, como visto em Orgulho  que faz a pessoa acreditar estar acima dos outros, o egocentrismo não percebe o mundo como uma pirâmide e hierarquia social vertical. É o oposto: todos são equivalentes para si mesmos, então, da mesma maneira que o egocêntrico não se importa com os demais, acredita que os demais compartilham da mesma perspectiva e também não se importem com os outros.

Para o egocêntrico as pessoas são ferramentas e as relações são de criarem uma aliança para conseguir o que desejam, tal como para o orgulhoso. A diferença está no fato de que o egocêntrico não precisa muitos dos outros emocionalmente e críticas e humilhações não fazem parte de sua vida. Ele não precisa que o outro esteja numa situação pior, valha menos ou seja inferior. Nada disso é relevante, apenas se o outro pode ou não agir como o combinado numa espécie de contrato.

A autoestima de um egocêntrico é alta ao não se ver como superior ou inferior e valorizar a si mesmo. As opiniões dos outros não lhe impactam muito enquanto o orgulhoso DEPENDE das opiniões dos outros.

As relações com os orgulhosos são repletas de críticas e humilhações porque ele sempre tenta reduzir e inferiorizar o outro ainda que o ame, que goste dele ou que tenha feito a aliança para benefício mútuo.

O excesso de ambos é ruim por ser prejudicial. Precisamos ter uma boa autoestima para manter um equilíbrio de bem-estar próprio, mas somos comparativos, então, inevitavelmente nos comparamos com os demais e queremos ser os melhores.

A interpretação da vida não é de um jeito ou de outro, mas mista. Vemos a hierarquia social quando acreditamos que o chefe é mais importante ou o superior mereça mais regalias por superior aos demais, mas vemos que nenhum trabalho é mantido sem subalterno o que faz com que o trabalho seja um resultado de várias pessoas equiparando-as.

Ainda estamos presos às ideias orgulhosas por sermos primitivos. Quanto mais aprendemos, mais percebemos as ideias infundadas que temos e que acreditamos serem lógicas ou óbvias como foi a ideia de que mulher valia menos e não tinha capacidade de trabalhar ou que negros eram inferiores e naturalmente escravos – ideias tidas como corretas e óbvias segundo à mentalidade da sociedade.

Talvez daqui há alguns milênios a humanidade tenha mais inteligência de perceber as suas loucuras e conserte-as com a sabedoria. Certamente as pessoas ficarão mais egocêntricas por conta do movimento pendular e, então, englobarão os outros em si mesmas fazendo com que o seu centro de atenção se estenda a mais pessoas, ou seja, valorizando mais a si e os demais num equilíbrio mais harmônico e produzido.

Podemos não estar vivos quando isso acontecer, mas somos os ancestrais desse povo mais sábio. Sem nós, ele não existirá e essa imagem não acontecerá. Não somos responsáveis por tal resultado, mas com certeza temos o poder de influenciá-lo.

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