Claro que não temos como analisar tudo para ter uma opinião bem embasada e a prova de balas. Por isso buscamos por pessoas especialistas que resuma os assuntos e que nos diga o que está certo e o que está errado.
No entanto, parece que a maioria das pessoas não possui o comportamento de analisar as informações que recebem seja por falta de tempo ou outra coisa. Mesmo assim, quando conseguem tempo são incapazes de analisar qualquer assunto de forma lógica e séria demonstrando que a capacidade de raciocínio não é algo comum na espécie humana.
Se as pessoas não conseguem analisar um assunto simples, como analisariam as pesquisas e os estudos científicos?
Como visto nos primeiros artigos desse blog, a capacidade de raciocínio é facilmente manipulada por emoções gerando escolhas e comportamentos nada lógicos e como esta característica é humana e são humanos que fazem a ciência, nada mais justo do que concluir que estes cientistas têm grande probabilidade de terem os seus raciocínios manipulados por suas emoções gerando resultados irreais.
Dessa forma, temos várias pesquisas mentirosas e precisamos de muitos grupos de pesquisadores distintos analisando o mesmo objeto para que a conclusão seja mais crível.
Se pesquisadores que aprenderam a estudar pesquisas e analisá-las têm dificuldades para entender o próprio meio em que está, como imaginar ser provável que seres leigos consigam fazer melhor?
A ausência de conhecimento bem como a ignorância (incapacidade de raciocinar logicamente) são fatores que andam de mãos dadas pela população e quanto menos há a primeira, maior é a segunda. Exemplo disso é a política: uma gigantesca massa de pessoas que não entende de política vota para decidir a mesma e acredita ser a melhor forma possível porque o resultado final é da maioria. No entanto, não fazemos o mesmo para levantar uma casa ou diagnosticar a nós mesmos.
Nós procuramos engenheiros e médicos, pessoas que estudaram a fundo o assunto, para nos dizerem qual é a melhor opção e nós acreditamos e seguimos com suas orientações. Ou não. Somos livres para não obedecer aos especialistas.
Se para a saúde buscamos médicos e para construção buscamos engenheiros, por que na política nós queremos dar opinião sendo que a maioria não estuda o assunto? O povo sequer lembra de décadas passadas para avaliar o que foi feito e os resultados e não acompanha a movimentação feita na política, mas, ainda assim, quer dar opinião e mais que isso: quer que a sua opinião tenha valor.
Nós admitimos que não sabemos de medicina ou engenharia, mas não admitimos o nosso analfabetismo político. Por quê?
O ser humano é social, isto é, político. A política é justamente lidar com pessoas e gerenciá-las e todos nós somos políticos administrando as pessoas em nossas vidas. Portanto, a habilidade política é indispensável ao ser humano como indivíduo e sentir que saber a respeito eleva a confiança e a esperança de que se consegue administrar tal parte da vida. Assim nós concluímos que somos bons e que sabemos o suficiente sobre o assunto, então aumentamos a escada de uma vida individual para um país com mais de 200 milhões de habitantes como se administrar um país fosse como administrar uma família: um “singelo arredondamento”.
Não ter a opinião aceita é como não ser aceito em si no grupo e por isso lutamos para que ninguém critique a nós através de nossas opiniões. Queremos dá-las o tempo inteiro e nos reafirmamos em nossos grupos bem como termos mais valor e sucesso social quando as nossas opiniões são ouvidas e, principalmente, aceitas sendo vistas como corretas. O nosso ego infla, a nossa confiança aumenta e a nossa autoestima vai ao céu numa sensação satisfatória. Logo, buscamos por esta sensação constantemente criando um comportamento opinativo em que acreditamos que devemos opinar em todos os assuntos.
Quanto mais sabemos sobre um tema, mais percebemos que sabemos pouco, no entanto, quanto menos sabemos, maior é a sensação de sabermos tudo numa reação descrita no efeito Dunning- Kruger.
Com uma vasta população desprovida de conhecimento político em grande escala como as políticas públicas, a mesma se considera inteligente e sabedora sobre o assunto tendo os indivíduos se julgando como mais espertos que os demais. Contudo, somos apenas comuns, normais e semelhantes, todos burros no tema sem admitir esta fato.
Gostamos de opinar seja falando sobre o assunto ou criticando outra pessoa, mas não gostamos de receber crítica, então criamos ideias para que todos, enquanto sociedade, possam opinar, mas sem que nós, individualmente, recebamos críticas. Assim surge a ideia de “respeitar opiniões”.
Opiniões são ideias e ideias não são pessoas. Ideias são livres para serem analisadas, criadas, alteradas e extinguidas, no entanto, a NOSSA opinião é sentida como parte de NÓS fazendo com que sintamos que NÓS somos criticados. Ademais, as críticas que recebemos são ameaças ou golpes sobre a nossa ideologia de nós mesmos.
Nós acreditamos que somos uma determinada pessoa e, quando alguma ideia ou algum sentimento nosso é criticado, sentimos como se nós mesmos fôssemos feridos e, para evitar isso, evitamos as críticas.
Outro comportamento muito comum é a violência como forma de reação à uma ameaça. Sendo uma crítica entendida como uma ameaça, nós reagimos de forma agressiva e violenta quando não temos argumentos que sustentam as nossas ideias. É neste ponto que passamos a ofender os outros numa tentativa de ferir o outro em resposta à “ferida” que ele nos gerou e quando nem a ofensa serve para este fim, passamos à agressividade física com tapas, socos e outros golpes.
O fato é que precisamos dar nossas opiniões e queremos ser importantes, queridos e admirados e, tendo as nossas ideias como parte de nós já que são sentimentos como visto em A confusão de um pensamento, Por que confundimos desejos com realidade? e Somos emoções e sentimentos com um pingo de consciência, nós concluímos que nossas opiniões nos representam, portanto, buscamos que estas sejam importantes, válidas, reais, importantes e admiradas.
As nossas opiniões são resultado de um processo complexo que nós mesmos desconhecemos. Usamos de todas as nossas informações, reais ou não, para julgar algo. Desde elementos visuais sobre o objeto, olfativos, auditivos, mentais, ideais, lembranças pessoais e tudo o mais que podemos vincular ao tal objeto. Quando desconhecemos uma pessoa, nós a julgamos pelo que vemos: roupas, comportamento, cabelo, pele, rosto, altura… Estas são as informações que temos, portanto, são as que usamos para criar essa opinião sobre este desconhecido.
Mas lembranças, algo puramente pessoal, também são usadas para criar opiniões sendo um dos motivos pelo qual as nossas opiniões são tão parciais. Se uma pessoa teve uma péssima experiência sexual, violenta ou não, sente que o sexo não é bom e, portanto, o evitará tanto quanto possível bem como terá uma opinião de que sexo não é bom.
As nossas ideias também impactam bastante em nossas opiniões. Se acreditamos que devemos ser corretos para ir para o céu e vemos alguém fazendo algo que não se enquadra na categoria de “certo”, concluímos que esta pessoa irá para o inferno e isso faz dela uma pessoa ruim.
As nossas opiniões são a mistura de todas as informações que temos sobre o assunto em questão, sejam informações imaginárias, criadas, lembranças, sentidas por sensores físicos ou embasadas por fatos. Por ser essa mistura toda, ela nos afeta como um todo representando todas essas partes de nós. Ademais, por ser misturada, nós não conseguimos explicar a opinião temos, mas tão certo quanto os nossos sentidos físicos, temos certeza de que estão certas. Se sabemos que estão certas, para que analisá-las?
As ideias apresentadas aqui são resultado de observações pessoais, portanto, opiniões. Assim, tudo isso é fruto da mistura de ideias, crenças, fatos, análises, sentimentos e sensações. Você acredita em tudo o que lê ou analisa? Será que os artigos publicados no blog são verdades ou mentiras? Você absorveu como faz com a maioria dos temas ou analisou e concordou com as opiniões explicadas e publicadas?
Não seja burro. Analise. Conclua. Concorde. Ou não.
O mais importante é você saber mais sobre você porque quanto mais sabemos sobre nós mesmos, maior é chance de fazermos as melhores escolhas para nós resultando numa vida mais satisfeita, feliz e proveitosa.