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Vida social

A necessidade de opinar é característica de pessoas pequenas. Sem estudo ou mesmo uma análise sobre o assunto a ser divulgado, pessoas pequenas opinam sem conhecimento provando sua falta de inteligência até mesmo para reconhecer a própria falta de conhecimento sobre o assunto.

As pessoas mais carentes, pobres ou pequenas buscam se mostrarem para que sejam vistas numa característica primitiva de se manterem vinculadas ao grupo e, assim, usufruírem dos benefícios sociais deste. Já as pessoas grandiosas não precisam se mostrar, as suas habilidades e contribuição para com o grupo é o suficiente para não serem esquecidas bem como para serem valorizadas e até mesmo presenteadas com benefícios exclusivos.

Todas as relações são assim: oferece mais para quem produz mais ou o que é mais valioso e oferece menos para quem contribui menos ou que é menos importância.

A disposição dos valores de itens no mercado, de bens e serviços até mesmo a mão de obra dos trabalhadores é o reflexo dessa relação de poder em que pode-se mais quem oferta o que é mais valioso para o grupo. Uma pessoa especializada em um serviço supervalorizado terá sua mão de obra mais cara enquanto uma pessoa genérica que oferta um serviço que pode ser realizado por várias outras terá sua mão de obra barateada já que, se não aceitar o valor proposto, outra pessoa aceitará. Portanto, aceitar o pouco é melhor do que nem o ter.

Os conflitos sociais são parte da vida humana em toda a sua história e sempre será.  A ausência de conflito é resultado de indivíduos que concordam em tudo e isso só será possível em uma situação muito peculiar e que levará a humanidade ao fim, afinal, são os conflitos que geram novas ideias, novas organizações, novas criações, novas tecnologias, novas sociedades e novos desenvolvimentos.

As pessoas pequenas possuem uma visão muito limitada da vida restringindo-se a si mesmas. Elas valorizam muito os seus problemas como se fossem as únicas coisas em suas vidas. Vivem reclamando e resmungando, não valorizam o que têm de bom e ignoram os problemas alheios. Elas são obcecadas pelos próprios problemas ao ponto de, se o resolverem, entram em depressão ou ansiedade por não os ter mais provando que as suas vidas são voltadas a eles.

Os conflitos sociais são reflexo da diferença entre as pessoas, característica óbvia e indispensável à vida humana. Se todos fôssemos iguais, seríamos selvagens tal como os outros macacos, viveríamos fazendo sempre o mesmo e alterações climáticas dizimar-nos-iam por não conseguirmos nos adaptar à nova realidade. Felizmente o ser humano desenvolveu habilidades incríveis que nos permitem colaborarmos com desconhecidos de modo a evitar os problemas mais graves que extinguir-nos-iam como a fome e as guerras. Hoje temos quase que um planeta inteiro organizado como uma espécie predominante e dominante que trabalha em conjunto, embora haja exceções.

No passado, muitas tribos extinguiam outras; muitas guerras aconteciam de modo que este cenário era o comum. A paz, a felicidade e a segurança eram momentâneos e duravam pouco tempo; hoje, esta é a realidade predominante mesmo com tantas tribos existentes.

As guerras eram formas de tomar bens uns dos outros porque pessoas pequenas não têm alta produtividade, mas suas demandas são altas, então a maneira de se conseguir o que deseja ou precisa é tirando de outras pessoas criando um estilo de vida de pirataria, roubos e guerras. Hoje ainda temos muitas pessoas pequenas, no entanto, há mais pessoas grandiosas e uma organização social que oferece mais bens indispensáveis à maioria bem como as pessoas pequenas contribuem para o grupo evitando ter de tomar dos outros e guerrear.

Temos mais alimentos do que o necessário, mais abrigos do que precisamos e tranquilidade para descansarmos em vez de ficarmos alertas para possíveis predadores. Embora muitas pessoas gostem de imaginar que a vida hoje é pior do que antes, isso não condiz com a realidade. O ser humano vive mais e melhor, como pode ser pior atualmente do que no passado? Descubra em A nostalgia de um passado inexistente.

As pessoas de mentes pequenas vivem sob estresse dos problemas que possuem. A ideia de felicidade que possuem é justamente não ter mais tais problemas e fantasiam com isso.

Outra característica comum das pessoas pequenas é o orgulho: sentimento que as fazem acreditar que são mais valiosas do que são, que são mais importantes do que os outros quando não são e que são mais capazes do que de fato são. Essa distorção da realidade sobre si mesmas as faz agir de modo incoerente com a realidade, mas coesa com a sua fantasia. Ela acredita que suas opiniões são mais importantes, que são as corretas e que, portanto, não devem ser criticadas, questionadas ou ignoradas.

A necessidade de opinar, como visto em Opinião, as levam a fazer isso sempre que possível enquanto a dor de não ser vista como correta as levam a lutar e criticar a discordância. Sem conseguirem de se impor, não conseguem invalidar o outro; mas sem conseguirem convencer, recebem “ataques” (críticas, ignorância ou discordância). Para evitar esses “ataques”, alegam que não devem acontecer ao mesmo tempo que defender a possibilidade de opinarem.

O problema é que ouvir uma opinião diferente das suas gera a sensação de ter de se “defender” ou “atacar” o outro, isto é, a pessoa quer discordar da opinião do outro, mas não quer as consequências da discordância ao mesmo tempo que, para o outro, acontece o mesmo. O que acontece?

– Uma primeira pessoa opina sobre um assunto e outra (segunda) discorda;

– A segunda quer emitir a sua opinião e o faz;

– A primeira pessoa sente ser um ataque à sua opinião (a si mesma);

– A primeira pessoa revida dando outra opinião ou atacando efetivamente a segunda;

– A segunda pessoa tenta se defender;

– Está instaurada a briga/luta/disputa.

Qual a fantasia da primeira pessoa? Dar a sua opinião e ninguém “revidar” (discordar). Contudo, se ninguém tem o direito de discordar significar que ninguém tem o direito de emitir a sua opinião sobre o assunto opinado pela primeira pessoa e isso é censura. A própria pessoa não quer isso porque deseja opinar quando desejar e, se ela for contra a emissão de opinião do outro, será contra a própria emissão de opinião uma vez que entende essa regra válida para todos, incluindo ela mesma.

Para evitar esse conflito, a pessoa tenta trocar de palavras para distorcer a sua vontade visando não ser vista como ruim já que impedir que os outros opinem é visto como algo errado e ruim socialmente. A pessoa precisa da aparição pública, de elevar a sua importância e, para tal, emitir a sua opinião. Então ela diz que “o outro pode opinar, só precisa respeitar a opinião dela”, mas o que é respeitar uma opinião?

Opinião é a sensação de algo, contudo, por falta de conhecimento pessoal e por conta dos instintos animais, costumeiramente emitimos uma opinião como se fosse uma afirmação, um fato e é compreendido de tal maneira.

A outra pessoa critica a ideia ou o “fato” dito, mas quem emitiu a opinião disfarçada de fato entende que é um ataque à sua opinião, à sua própria pessoa, então revida e entra na luta.

Como se resolve uma situação em que uma pessoa deseja falar tudo o que quer sem consequência?

Não se resolve e essa é a realidade ignorada pelas pessoas de mentes pequenas que fantasia com a vida perfeita e feliz sem qualquer conflito em suas vidas.

Elas querem algo que lhes faça bem, mas causa prejuízo aos outros, no entanto, não quer prejudicar aos outros para não serem malvistas por eles, então tentam distorcer as suas ideias para não serem vistas como egoístas para, assim, não serem desprezadas ou excluídas dos grupos.

Amor e ódio.

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1 comentário em “Vida social”

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