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Trate o outro como gostaria de ser tratado…?

Uma frase aparentemente inofensiva, mas que pode esconder ideias opostas às desejadas.

 

Diante de uma pessoa sem qualquer empatia, muitos usam desta frase na tentativa de provocar a empatia alheia. É uma maneira de dizer “imagine que isso que acontece comigo aconteça com você. O que você faria? Como sentir-se-ia? Visto isso, ajude-me em vez de me criticar.”

 

Para psicopatas, que não possuem empatia para com os demais, é uma frase desprovida de qualquer sentido. Se ele não consegue imaginar o que o outro sente ou não se importa com o que o outro sente, é uma frase que demonstra fraqueza e desespero alheio porque, diante da impotência, pede por ajuda, compaixão e auxílio e tudo isso mostra que a pessoa não consegue se satisfazer por si mesma.

 

Visto que moramos num planeta onde a ordem básica é o egoísmo e vivemos como selvagens que lutam o tempo inteiro para obter o que se deseja, pedir ajuda é mostrar que não consegue se manter por si mesmo, que não consegue lutar e vencer e, portanto, é fraco e uma possível presa. E quem deseja se associar a uma pessoa fraca que não tem nada a oferecer? Ninguém.

 

Todos os relacionamentos são criados e mantidos para conseguirmos algo que não conseguimos sozinhos. Os psicopatas apenas tem mais compreensão disso do que os demais que estão envolvidos em emoções demais para perceber o que fazem.

 

Dessa forma, por que ajudar uma pessoa que não oferece nada de bom? Por que ter pena e gastar o próprio tempo, a própria energia e os próprios recursos com alguém que não oferecerá nada em troca mesmo que num futuro? Não tem sentido algum, logo, cuidar de alguém fraco é reduzir a própria chance de sobrevivência e satisfação. Dessa forma, a ideia pregada por esta frase não tem sentido.

 

Já para as pessoas que começam a desenvolver a empatia, a frase consegue um grande efeito. Ao se imaginar no lugar do outro, a pessoa consegue fazer um exercício de imaginar o sofrimento alheio e, assim, é como se ela mesma sofresse. Isso significa que quem usa esta frase deseja estimular o sofrimento no outro, ainda que imaginativo, para que ele, visando acabar com o sofrimento, aja de algum modo. Se ele age de uma forma a reduzir o seu sofrimento, reduzirá o sofrimento daquele de fato sofre. Em outras palavras: a pessoa provoca sofrimento no outro na esperança de que ele aja de uma maneira a lhe beneficiar. Claramente uma atitude egoísta e maldosa visto que o objetivo é o próprio benefício e causa sofrimento ao outro ainda seja um sofrimento psicológico e momentâneo.

 

Já para as pessoas mais desenvolvidas emocionalmente, esta frase não faz sentido porque elas compreendem que cada pessoa é única e, portanto, não exigem objetivos iguais.

 

O ser humano é um animal que está aprendendo a pensar, a observar e a estudar. É através das experiências que sentimos o mundo e baseados  nestes sentimentos que identificamos o que é certo ou é errado bem como o que podemos fazer ou não. Sendo um animal estúpido e preguiçoso, temos a tendência de agirmos sempre da mesma maneira esperando o resultado que desejamos ainda que nunca o tenhamos conseguido, ou seja, permanecemos com o comportamento padrão (hábito) esperando um resultado diferente. Isso significa que, quando estamos numa situação que nos incomoda e que sofremos, nós permanecemos presa a ela por não mudarmos a nossa maneira de interagir com ela ou alterá-la. Sedentos por esperança e sem conseguir resolver o problema, resta-nos imaginar que algo fora do nosso conhecimento e poder acontecerá que resolverá o problema.

 

Acontece que os problemas que temos são nada menos do que os resultados de nossas ações e escolhas. É a escolha de não estudar que no gera a falta de conhecimento, a falta de respeitar a nós mesmos e dizer não aos pedidos dos outros que nos gera a sensação de sermos muito cobrados, é a crença de sermos melhores do que somos que vai de encontro com a realidade que mostra o que realmente somos, é a fuga de brigas conjugais que as fazem nunca terem fins… É sempre o nosso comportamento que gera um resultado e este resultado é a situação que vivemos. Então, somos nós a origem de nossos problemas, mas escolhemos procurar por outros culpados, outros responsáveis porque é mais fácil culpar outrem, é mais cômodo exigir ressarcimento e é muito difícil mudar de hábitos. Escolhemos o mais fácil, não o mais promissor e assim vivemos com os problemas que criamos esperando que milagrosamente sejam solucionados somente porque não queremos mudar a nossa maneira de pensar e agir.

 

No entanto, há pessoa que não agem dessa forma. Elas não querem milagres, querem aprendizado e usam de seus problemas como fonte de informações para aprenderem e mudarem a si mesmas visando criarem uma vida mais feliz. É um grupo pequeno de pessoas, mas que vivem de uma forma muito diferente da maioria.

 

Para estas pessoas, tratar os outros como deseja ser tratada significa não incomodar os outros e tampouco ajudá-los. Isso mesmo: para estas pessoas a melhor coisa que podem ter e fazer em suas vidas é terem tempo para amadurecerem e não terem de cuidar de outras pessoas, logo, não incomodar nem ajudar os outros é maneira de agir como desejam que os demais ajam com ela e este não é o objetivo de quem faz dessa popular frase uma afirmação.

 

Estas pessoas trataram aqueles que têm corpos adultos como adultos e exigem comportamentos de adultos. Porém, muitas pessoas em corpos de adultos não são adultos. Então estas se sentem muito cobradas (cobradas além de suas capacidades) e reclamam por isso. Elas buscam alguém que possa resolver e sanar as exigências que recebem para manterem a aparência (reputação) como adultos.

 

Ademais, estas que visam aprender em vez de solucionar problemas enxergam mais do que um corpo animado por uma consciência que escolhe como comandar o corpo em que reside. Dessa forma, veem pessoas preconceituosas, narcisistas, egocêntricas, afetuosas, carinhosas, invejosas, lunáticas, burras, arrogantes e inúmeras outras características que uma personalidade pode ter. Então têm mais facilidade de perceber crianças em formas de adultos e adultos ainda em formas de crianças e agem de acordo com esta idade chamada de maturidade.

 

Estas pessoas buscam outras visando sempre aprender. Elas não querem pessoas para controlar ou mandar. Elas não buscam obediência alheia, mas conhecimento. Então as relações são pautadas em amizades onde ambas as pessoas possas ajudá-las a aprender enquanto pessoas que disputam o controle sobre as outras e as que buscam alguém resolvam os seus problemas bem como quem deseja solucionar os problemas alheios são pessoas indesejáveis.

 

As pessoas são diferentes, funcionam com motivações diferentes e têm objetivos diferentes. Desejar que o outro aja da maneira que supomos agimos é desejar um mundo onde todos são iguais e ninguém é 100% igual a ninguém. É como um adulto tratar uma criança como adulto porque ele quer ser tratado como adulto.

 

Talvez o mais prudente seja ofertar o que o outro precisa, não o que deseja porque muitas vezes desejamos algo que nos satisfaça no momento e que nos gere prejuízo posteriormente como alguém que resolve o problema no instante e o criamos novamente depois como acontece com os problemas que se repetem constantemente. No entanto, para este caso, precisamos descobrir o que o outro precisa e isso é outro assunto.

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