O que você acha ser melhor: ser alguém que recebe cerca de 2 salários mínimos ou ser um rei de 3 séculos atrás?
Se você prefere ser um rei 300 anos atrás, você é uma pessoa orgulhosa, que acredita ter mais valor do que realmente tem e que o seu valor é medido pelas opiniões alheias. Além disso, você é uma pessoa muito criativa e ilusória.
A sua ideia de ser rei significa ter servos, ser admirado, valorizado e glorificado e tudo isso só existe através de opiniões alheias sobre você.
Você é uma pessoa sem autoestima que precisa dos outros para se sentir importante e é diretamente dependente emocionalmente do grupo onde está inserido. Se as pessoas gostam de você, você acredita ser uma boa pessoa, caso contrário, acha-se uma má pessoa.
Quando você é não querido pelos outros acredita ser um erro deles que agem de modo proposital para lhe repreender e lhe reprimir porque você tem a certeza de ser uma pessoa maravilhosa e de extremo valor. Então, se os outros não lhe veem assim, eles agem de modo proposital para lhe machucar ao lhe desvalorizar, uma perspectiva imaginativa já que não é compartilhada com os demais.
Você não quer apenas ser reconhecido por seu valor maravilhoso, mas acredita que deve ser servido pelos outros com devoção porque interpreta a vida como uma hierarquia onde quem tem mais valor manda mais e, sendo uma pessoa valiosa, deve mandar e ser obedecida.
Você é uma pessoa tão imaginativa que idealiza a situação de vida de um rei de 300 anos atrás imaginando apenas luxos e comodidades por estar no topo da pirâmide hierárquica, mais uma prova de que a sua perspectiva sobre a vida é delirante.
Ter pessoas ao redor, ou melhor, embaixo de você é mais importante do que ter uma vida cômoda de tão dependente emocionalmente que você é. Há 300 anos atrás não se tinha:
- xampu, condicionar ou sabonete. A higiene era precária até para os mais abastados;
- água encanada ou tratada. Doenças com vômitos e diarreias eram comuns;
- não existia geladeira ou fogão a gás. A comida tinha de ser abatida ou colhida no momento de ser consumida;
- não se tinha eletricidade para fazer eletrodomésticos funcionarem ou iluminar a casa. Era tudo manual. Precisava de muitas pessoas e muita força. Ainda assim, não se tinha as opções de hoje;
- não havia ventiladores, aparelhos para refrigerar ou aquecer os ambientes. Resistir ao calor ou cortar lenha eram as opções;
- não existia escova de dente ou pasta de dente. A dor de dente era curada com a extração do mesmo através da brutalidade;
- não existiam dentistas nem anestesias. Era preciso suportar a dor para continuar sobrevivendo;
- não se tinha remédios, apenas chás e que não tinham em grande disponibilidade. Dipirona, paracetamol e remédios para gripes não existiam nem na imaginação da época;
- não havia cirurgias. Uma apendicite, infecção urinária ou outra infecção era fatal com uma morte lenta e cheia de dor até o corpo sucumbir por completo;
- os sapatos não eram macios e confortáveis como hoje. Era feitos de materiais mais brutos que irritavam a pele;
- os partos eram momentos de tensão por conta da alta taxa de mortalidade para a mãe e para o bebê. Uma hemorragia não tinha como ser contida e um bebê que não estivesse completamente pronto adoecia rapidamente;
- não existia fórmula infantil para mães sem produção de leite. Era preciso arrumar uma mãe que abrisse mão de seu filho para amamentar outra criança, como os herdeiros do rei;
- os tecidos eram mais brutos, pesados e casos. Usava-se muitas peças e muito tecido para se cobrir e apenas artesãos para produzi-los tornando-os muito caros e desconfortáveis;
- o banho não era comum e doenças associadas à falta de higiene eram comuns;
- não havia papel higiênico ou mesmo banheiros. Usava-se penicos que ficavam no mesmo ambiente com urina e fezes até que um serviçal o tirasse dali;
- precisava de cômodos para abrigar os empregados uma vez que não havia transportes para os locomoverem até suas casas. Era mais uma parte a ser cuidada, bem como a sua alimentação, vestimentas e tudo o mais que precisassem;
- não existiam lojas de roupas para comprá-las. as roupas eram encomendadas através de medidas. O processo de criação de roupas demandava muito tempo e riqueza e o rei tinha a responsabilidade de fazê-lo para os seus servos também.
- Precisava ter e manter terrenos para caça porque não havia pecuária em grande produtividade;
- As plantas tinham de ser cultivadas e coletadas apenas quando fossem para o consumo sem a possibilidade de guardá-las. Não havia sistema de irrigação, então dependia-se do clima para ter chuvas que nutrissem a colheita. Falta ou excesso de chuva eram sinônimos de fome e aumento de gasto com alimentação;
- O rei tinha o dever de manter e proteger as fronteiras dos seus territórios, incluindo o do seu reinado, gastando com trabalhadores e exércitos;
- o rei era a política e ninguém podia substitui-lo. Então se preocupar constantemente com exércitos, guerras, fome e o que mais assolasse a população não podiam ser negligenciados resultando em uma vida de preocupação sem trégua;
- o casamento era a união de nações, não de pessoas. Amor e bons relacionamentos não eram opcionais e, quando existiam, causavam mais problemas do que soluções. Transar com quem não se gostar era dever, mais uma exigência que pesava em suas responsabilidades;
- o castelo nada mais é do que um aglomerado de cômodos em que cada um era a “casa” de cada nobre. Morar num castelo era morar com centenas de pessoas e ter penas o seu quarto (os aposentos) para si. O rei tinha os seus aposentos, o seu quarto com cama e algumas cadeiras como seu realmente;
- não havia muitos móveis. Guarda-roupas, cômodas e outros móveis não existiam. Apenas uma mesa com cadeira como escritório.
- não havia caneta ou lápis. Era preciso pena, tinta e paciência para molhar a pena diversas vezes durante a escrita. Também não existia borracha ou liquid paper;
- vivia-se no trabalho sem trégua, rodeado de colegas de trabalho e sem um lar de descanso;
- não tinha horário de trabalho. A vida ERA o trabalho;
- dentre outras.
Em outras palavras, a sobrevivência era difícil até para quem tinha ouro e servos porque somos todos reféns de nossos corpos. Sem tratamento ou cura de doenças corporais, restava-nos sobreviver e resistir o máximo que podíamos.
Ainda assim, mesmo sabendo como eram as vidas dos reis e nobres de séculos atrás, muitos ainda caem na ilusão de que não era tão ruim ou que o luxo era bom demais a ponto de compensar todas essas adversidades. Para estas pessoas, ser o rei da merda é de suma importância enquanto ser a merda do rei é pior que a morte.
O desconforto físico e pessoal é muito menor do que o desconformo emocional de não ser quisto pelos demais ou sentir ser melhor do que eles. A importância emocional suprida e mantida pela opinião pública é o que sustenta a pessoa e, por isso, sentir que é desmerecida ou não ser tão bem-querida quando acredita merecer são golpes de intensa força que se tornam mais doloridos do que dores físicas. Suportar quebras de ossos, concussões, socos e doenças é muito mais fácil do que suporta o desdém de alguém. Por isso, viver sozinho é tão degradante e insuportável enquanto humilhar os outros é tão agradável.
A essência dessa perspectiva de vida é a comparação constante com os demais visando ter uma conclusão de ter mais habilidades do que os demais porque a pessoa não consegue pensar por si mesma ou analisar por si mesma. Sentar-se numa cadeira confortável é bom? A pessoa não sabe. Então ela se compara com outras pessoas sentadas e, se as outras reclamarem mais e estiverem mais incomodadas, ela tem a cadeira mais confortável e, assim, conclui que está numa situação melhor que as demais e, portanto, é mais feliz. Da mesma forma, a pessoa compara o que tem com as posses de outras pessoas. Se tem mais do que as outras, tem mais felicidade e, então, é mais feliz.
Esta perspectiva sobre a vida é chamada de orgulho, quando a pessoa acreditar ter mais do que os demais e, por isso, buscar comparações que gerem tal conclusão. É uma perspectiva primitiva e selvagem necessário e muito produtiva para presas que fogem de seus caçadores, afinal, se duas pessoas fogem de um caçador e uma delas cai, a outra sobrevive se permanecer fugindo. Logo, não precisa ser o melhor de todos nem se empenhar duramente para sobreviver, basta que outra pessoa caia e seja eliminada e, então, provocar o outro de modo a fazê-lo perder é uma estratégia muito boa e funcional.
O orgulho é o que se destaca nesta personalidade. Por um lado pode ser muito bom por dar mais confiança para investir no que se deseja, mas se não for acompanhado de inteligência que crie e planeje formas para se conquistar o que se deseja a vergonha aparecerá rapidamente por se achar demais e não ser de fato. O lado ruim (socialmente) é que o prejuízo alheio é satisfatório e prazeroso porque, ao se comparar, concluirá ser melhor e, assim, sentir-se-á melhor, maior, mais importante e com mais valor. Então a pessoa tenta guardar este segredo e teme que seja revelado porque, desejando ser bem-vista, não pode se mostrar uma pessoa que não se importa com as outras uma vez que o valor é justamente fazer o outro gostar ou depender dela.
As relações são formas de lidar com pessoas e sempre se comparar com elas. Buscando se sentir mais e melhor em relação ao outro, humilhar e prejudicar o outro no relacionamento é uma característica comum porque as duas pessoas terem benefícios iguais ou a outra ter mais benefícios é algo ruim para este tipo de personalidade. Portanto, a relações são a busca de construção e conquista de algo ao mesmo tempo que o outro não pode ter o mesmo benefício ou ganho ou, pior ainda, ter mais benefício ou conquista. Daí ser um relacionamento em que a pessoa tenta passar a perna no outro para que o outro caia e ele, de pé, se sentia maior e mais forte.
Cuidado: se você se identifica com este perfil não significa que você é uma pessoa ruim ou errada. Significa unicamente que é assim que você funciona e, por conta disso, o seu pondo fraco é justamente as relações interpessoais das quais você depende. Sendo um ponto fraco, a chance de você aceitar abusos e violências emocionais é maior, portanto, preste atenção e tente se valorizar mais para depender menos de outras pessoas.
Caso você tenha escolhido a segunda opção, você é uma pessoa que busca satisfação pessoal e independe de outras pessoas. A opinião outros não é tão importante porque você não se compara com os demais visto que você busca ser a melhor versão de si mesmo se comparando consigo mesmo no passado. Desenvolver habilidades, ter mais capacidade e criar o que deseja é o que lhe faz se sentir bem, capaz e valorizado já que é você mesmo quem cria o seu valor. Logo, quanto mais capaz, mais valor tem.
Ficar na própria companhia é ótimo e gastar tempo com os outros não tem muita serventia. Pode ser chato ou depressivo ir a eventos sociais enquanto estudar e trabalhar são atividades satisfatórias e prazerosas.
Por não se comparar aos outros e não enxergar a vida como uma hierarquia você não se incomoda nem aprecia os prejuízos de outras pessoas. Basta fazer o que gosta que a felicidade e o bem-estar emocional lhe abraçam profundamente tornando a sua vida boa.
O egocentrismo é a chave dessa personalidade. A pessoa busca o próprio bem-estar (como qualquer pessoa) e, fazendo-o por si mesma, tende a se afastar das pessoas e de tudo que a afaste dela com a sua própria companhia. Afinal, se ela pode fazer a própria felicidade, por que gastar tempo com outras coisas ou pessoas?
Por buscar essa satisfação e não se importar com a opinião do outro, tende a criar e manter relações que sejam muito produtivas.
Enquanto a primeira personalidade se incomoda quando o outro está feliz, quando o outro parece ser melhor ou ter mais valor, esta personalidade não se importa se o outro está feliz ou não. Relações com produtividade para ambos ou com mais ganho para o outro do que para si são boas e bem-vindas.
Cuidado: vivemos em sociedade e ninguém é completamente independente de ninguém. Sobrevivemos justamente por trocarmos uns com os outros em múltiplas relações, não apenas na parte prática com objetos, mas na parte emocional. Trocamos afetos e elogios fortalecendo os vínculos e nutrindo a autoestima dos envolvidos, porém, as pessoas mais independentes emocionalmente não precisam de tantos vínculos e sociabilidade porque grande parte de sua autoestima é feita por elas mesmas individualmente. Dessa forma, é uma pessoa que não apenas sobrevive emocionalmente sozinha, mas que progride e se sente feliz nesta circunstância.
CURIOSIDADE 1:
Observe que a primeira personalidade é mais envolvente socialmente enquanto a segunda é mais distante. As relações com a primeira personalidade são mais conflituosas e em maior quantidade enquanto a segunda tende a ter poucas relações calmas.
O ser humano, enquanto espécie, cresce por conta das diversas trocas e relacionamentos. São pessoas ambiciosas e orgulhosas que imaginam estruturas grandes como nações e grandes empresas, as quais são formas de oferecer mais opções e mais baratas ao público favorecendo bastante o bem-estar de muitos.
Em contrapartida, essas pessoas querem se engrandecer ainda mais e, quando não são inteligentes para criarem novos métodos, novas ideias ou inovações sugam das outras em oferecer nada de bom em troca. seus relacionamentos são alianças com pessoas e estas pessoas são também suas rivais e inimigas, portanto, são relacionamentos com desconfianças e tensos. Ainda assim, se são inteligentes, são pessoas que fazem grandes melhorias e são visionárias.
A segunda personalidade, que oferece calma e paz em vez de luta, são pessoas mais quietas e anônimas. Por um lado não costumam criar confusões, por outro, se mantêm distantes das demais.
Os seus relacionamentos são mais construtivos para as pessoas envolvidas gerando mais produtividade, contudo, cria relações diretas e poucas, não influenciando muito a sociedade como um grande grupo social.
CURIOSIDADE 2:
Ambos os tipos de personalidades são moldados através da forma de pensar e os pensamentos se retroalimentam. Assim, quanto mais uma pessoa depende dos outros, mais ela investe seus recursos em conseguir agradar os outros para se sentir importante a eles, embora eles não possam ser mais ou melhores do que elas para não acabar com suas autoestimas. Quanto mais investe em relações, menos investe em si e, consequentemente, menos consegue se satisfazer. Quanto menos se satisfaz, mais precisa de outros que a satisfaçam e, assim, tentam agradar os demais visando um retorno futuro.
A pessoa consegue satisfação através de outros que as façam e, por isso, investem tanto em sociabilidade para agradar os demais.
Já a segunda personalidade é voltada mais para si mesma sem precisar de intermediário. A pessoa faz o que gosta e se satisfaz. Logo, não investe em relações porque perder o tempo agradando pessoas que não suprirão suas vontades é burrice.
A vida é uma mistura onde hora temos de nos impor, hora devemos obedecer, às vezes questionamos, às vezes só aceitamos. Às vezes precisamos sociabilizar, mas às vezes devemos fazer por nós mesmos. E tudo isso tem um ponto de equilíbrio que varia de acordo com a situação, com os envolvidos, com os objetivos, a paciência…
Características ruins podem ser boas em situações diferentes e caraterísticas boas podem ser ruins em alguns cenários. O que determina ser bom ou ruim é o resultado que tal característica gera.
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