Pular para o conteúdo

Saúde e sociedade

De acordo com ideias da Organização Mundial de Saúde, saúde é o bem-estar de um indivíduo. Dentro deste aspecto, temos que, tudo que gera insatisfação e infelicidade seja o oposto de saúde e o que sacia e felicita o indivíduos são itens saudáveis. Com uma definição tão abstrata e generalizada, rapidamente chegamos a conclusões que vão de encontro com as práticas da saúde.

Se saúde é o bem-estar, em comer comidas processadas é saudável uma vez que gera bem-estar imediato na pessoa.

Sendo saúde o bem-estar da pessoa, o trabalho sendo uma obrigação é contra a saúde enquanto o lazer é a promoção da saúde.

Com esta definição de saúde, os relacionamentos são necessariamente contrários à saúde uma vez que demandam muito do indivíduo promovendo, assim, a sua insatisfação. Por outro lado, lhe oferece outros bem-estares sendo, então, favorável à saúde. Com esta perspectiva percebe-se que não existe algo pró ou contra a saúde, mas partes a favor e contra. No caso do trabalho, é negativo ao gerar estresse, ansiedade e cansaço. Por outro lado, promove o bem-estar interno ao gerar a sensação de ser útil e produtivo, colaborar com outras pessoas, promover a sociabilidade bem como uma renda. Para cada item negativo à saúde, há outro positivo, portanto, tudo depende do ponto de vista para categorizar como pró-saúde ou contra a saúde.

As terapias são meios para se promover a saúde de acordo com definições desta época, logo, tudo que gera bem-estar é uma terapia e o mesmo vale para o oposto. Da mesma forma vale o remédio que é tudo que gera bem-estar de alguma forma. Assim, uma viagem para uma cabeça estressada é um remédio bem como um encontro com os amigos para quem se sente bem com tal situação. Em outras palavras, tudo que nos satisfaz é remédio uma vez que melhora a nossa qualidade de vida (sensação de bem-estar) e as formas de conseguir a felicidade são terapias.

Ao falar de saúde não pensamos em saúde em si, mas na sua ausência. Pensamos em médicos, exames, remédios, tratamentos, cirurgias. Por conta disso assimilamos a ideia de remédios como agentes promotores da saúde na tentativa de corrigir o que está errado. Já quando pensamos em terapia, imaginamos consultórios psicológicos uma vez que esta área absorveu mais esta palavra.

Com a perspectiva de que o bem-estar emocional e mental afetam o bem-estar geral, algo meramente lógico, mas que demorou muito a ser percebido, chegamos à conclusão de que devemos tratar os problemas que são criados ou mantidos nestes campos. Com pouco conhecimento para corrigir os problemas da cabeça, usamos de habilidades psicológicas rudimentares, mas que são as mais atuais que temos, para tentar corrigir o que achamos estar errado e assim chegamos à ideia de que a palavra terapia esteja conectada ao campo mental como se não fosse parte do corpo.

Ademais, somos animais que nos prendemos muito no sentido visual. Vemos o tronco, os braços, pernas e pés e concluímos que são partes de nosso corpo, mas não NÓS especificamente. Temos a ilusão de termos a consciência alojada na cabeça e que nós somos a consciência. Assim concluímos que estamos na parte superior do corpo, mas não somos o corpo em si.

É com essa perspectiva que vemos doenças no corpo como doenças e problemas que não foram criados por nós, mas que nos prejudicam. No entanto, não vemos da mesma forma os problemas que acontecem na cabeça. Ainda o que o encéfalo seja um órgão como outro qualquer no corpo e, portanto, passível de sofrer lesões e alterações, ainda mantemos a percepção de que o que está na cabeça sejam nós enquanto os erros que estão no restante do corpo sejam resultados fora do nosso controle. Assim compreendemos que sofremos com as doenças no corpo (tirando a cabeça) e que tudo o que acontece na cabeça somos nós. Dessa maneira, as formas de pensar e sentir, oriundas da cabeça, não são vistas como doenças, mas como característica de nossa personalidade e, com este pensamento, concluímos que não existem doenças mentais, apenas pessoas loucas (que pensam completamente diferente).

O progresso na área do encéfalo é lento, mas existe. Temos mais informações do que antes e todos que busquem um pouquinho de conhecimento sobre o assunto compreende que as doenças mentais são uma disfunção fisiológica do cérebro tal como uma disfunção do pâncreas que gera diabetes ou do coração que o faz bater de forma anormal. Para as duas últimas opções, entendemos claramente que são alterações que não temos controle e concluímos que a pessoa que possui tais doenças é o agente passivo que sofre com a doença, mas para a primeira opção, apenas os mais elucidados sobre o significado de saúde e o funcionamento do corpo compreendem que tais alterações são igualmente prejudiciais gerando um paciente que sofre com tais anomalias e que não é uma escolha da pessoa, afinal, quem escolhe a fisiologia do corpo? Quem escolhe ter artrite, cardiopatia ou outras doenças? Da mesma forma, quem escolhe alterar o funcionamento de seu cérebro de modo a criar problemas, desconforto e insatisfação?

As terapias medicamentosas para o encéfalo são poucas e caras porque são novidades e o conhecimento sobre o funcionamento da cabeça ainda é pouco. No entanto, assim como sabemos que alguns estilos de vida são mais favoráveis à saúde e ao bom funcionamento do corpo, também sabemos que algumas formas de pensar também podem promover o bem-estar ou o mal estar e, a partir daí, concluímos que a maneira de pensar pode ser alterada visando criar pensamentos mais agradáveis do mesmo modo que atividades físicas regulares e sem exagero também promovem o bom funcionamento do corpo.

Uma das provas de que a nossa cabeça é parte de nosso corpo é a boa sensação após atividades físicas. Reações acontecidas abaixo do pescoço geram resultados acima do pescoço. Uma afeta o outro, então é provável que pensamentos possam afetar o corpo.

O corpo se ajusta às atividades regulares. Ganhamos massa muscular quando treinamos grupos musculares e conseguimos desenvolver resistência com treinos longos. São ações (externo ao corpo) controladas por nós que modulam o corpo internamente ativando metabolismo mais adequado aos treinos praticados. O aumento de passa muscular e resistência são exemplos mais fáceis de serem observados. Enquanto escolhemos praticas tais atividades, o corpo reage produzindo e liberando hormônios favoráveis às atividades o que promove a mudança do corpo em si.

O mesmo acontece com a cabeça. Assim como temos estilos de vida (físico), temos estilos de vida mental chamados de padrões de pensamentos. Nós apenas pensamos sem perceber tal como andamos sem nos dar conta. Pensamos apenas em onde queremos ir e vamos sem prestar atenção nos movimentos do corpo. Temos um ritmo de caminhar, uma postura determinada e o equilíbrio que se altera o tempo inteiro visando evitar um tombo. Não prestamos atenção em nada disso, mas somos resultado disso tudo. Ter uma dor na perna nos leva a sobrecarregar a outra gerando um ritmo manco que, ao longo de muitas caminhadas (semanas, meses ou anos) gera um resultado ruim no corpo e da mesma maneira os pensamentos acontecem.

Eles são os passos que nos levam às ideias sem percebermos como chegamos lá. Não notamos o que pensamos ou como fazemos conclusões. Nós só sentimos as conclusões em forma de sentimento e tomamos como realidades.

Podemos modular o corpo com comportamentos e ações num ritmo que o transforme num corpo que desejamos e também podemos fazer isso com o encéfalo ao prestarmos atenção no que pensamos, percebermos o padrão de pensamento e interrompermos os padrões que nos afetam negativamente. Podemos criar novos padrões que nos gerarão bem-estar constante, razão pela qual refazer a maneira de pensar vale a pena. Contudo, não é tão fácil como mudar o comportamento, o que já é bem difícil, mas é possível. Podemos mudar de vida adotando novos comportamentos e eliminando outros num processo gradual. Algumas pessoas terão mais facilidade e outras mais dificuldade porque o tipo de funcionamento do corpo colabora muito para tal finalidade.

Um corpo atlético que reage rápido a exercícios físicos fica definido facilmente enquanto que corpos com doenças e metabolismos lentos precisarão de mais exercícios para mudarem e, ainda assim, não alcançarão o corpo definido. O mesmo acontece para a cabeça: há pessoas que facilidade em pensar e reconstruir a si mesma mentalmente e outras que terão muita dificuldade e não conseguirão alcançar o mesmo nível de aprendizado e mudança. Alguns encéfalos são pré-disposto a se “definirem” por terem uma fisiologia propícia a pensarem e outros que terão mais empecilhos a fazerem o mesmo.

Isso tudo mostra que, da mesma forma que há diversos corpos e que nem todos têm as mesmas chances de alcançarem um determinado nível de definição, os encéfalos também são diferentes. Algumas pessoas naturalmente pensarão por si mesmas e outras precisarão de muito treino para melhorarem e, ainda assim, não alcançarão o mesmo nível de que tenha encéfalos susceptíveis ao pensamento, em outras palavras, nem todos podem ser atletas e competir em olimpíadas mesmo que treine mais do que os atletas que competem porque os seus corpos não têm a mesma capacidade física e o mesmo vale para o encéfalo em que nem todos têm a mesma capacidade de pensar e aprender por mais que se esforce.

Sim, a inteligência não é igual para todos assim como os corpos não são iguais. Algumas pessoas são ótimas em construir, outras são brilhantes em lidar com pessoas, há quem saiba pensar logicamente, quem seja empregado exemplar. Todos são importantes porque o homo sapiens se desenvolveu em comunidade, usando das qualidades individuais a favor do coletivo, ou seja, sem construtores não teríamos as cidades nem tecnologias; sem pessoais sociáveis não haveria organização social, apenas briga, caos, insegurança e medo; sem pensamento não haveria compreensão do mundo; sem bons empregados não haveria empresa alguma acarretando na falta de produtividade e, consequentemente, na insatisfação da sociedade.

De forma simplista, somos reagentes químicos num tubo de ensaio gerando um produto final. De forma mais complexa, somos parte de um complexo e enorme metabolismo com diversos sistemas funcionando, se retroalimentando, estimulando ou inibindo outros tal como num corpo humano. Quando desregulado, criamos os problemas sociais que são as doenças do corpo, quando equilibrado, a dinâmica permite o progresso, o desenvolvimento e crescimento do corpo. Nenhum corpo funciona sem órgãos ou hormônios. Nós somos os órgãos e hormônios sociais que fazem a sociedade, o corpo, funcionar.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *