Assim como qualquer outro animal no planeta, o ser humano extrai da natureza o que deseja e despeja na mesma os dejetos no ciclo natural. Nós colhemos da natureza, manipulamos e criamos novidades, mas não somos os únicos.
Ninhos e tocas são exemplos da manipulação da natureza por vários animais que os que constroem deixando claro que essa interferência não é exclusividade do ser humano.
O ser humano primitivo que começou a criar ferramentas com itens naturais equivalem aos animais que também criam outras coisas com objetos naturais. Ambos manipulam pouco o ambiente e objetos naturais, mas manipulam.
Com o tempo, o ser humano desenvolveu cada vez mais ferramentas e ideias usando-as para manipular os objetos encontrados no meio ambiente e isso levou a criação de muitas novidades. Ferramentas que alteram ferramentas num ciclo que torna o objeto final mais e mais diferentes de seu objeto inicial coletado da natureza diretamente.
Essas revoluções permitiram muitas novidades e melhorias como a criação de casas melhores, métodos de cozimento de alimento, armazenagem de comida, elevação no número de plantações, remédios, vacinas, roupas e tudo o mais que temos. São objetos muito diferentes do objeto inicial que coletamos diretamente como o algodão que é plantado, mas que transformamos em roupas as quais não são encontradas na natureza neste estado.
As melhorias provenientes dessas diversas manipulações são óbvias, embora não valorizemos. Temos remédios, vacinas e tratamentos que nos oferecem vidas menos sofridas e mais longas. Contudo, não desenvolvemos formas de decompor o lixo que produzimos e continuamos tal como a humanidade primitiva de milênios atrás: devolvemos à natureza e esperamos que se decomponham sozinhos.
Com a longevidade e melhoria de saúde, a população de seres humanos aumentou bastante e, com alteramos muito a matéria prima que extraímos da natureza, esta não está adaptada a decompor o lixo que lhe despejamos resultando no acúmulo de lixo na natureza.
Quando o ser humano tinha poucos indivíduos comparados com os bilhões atualmente, o lixo que produzíamos era relativamente pouco para a natureza como um todo ter de lidar, mas agora com tantas pessoas, a produção e despejo de lixo aumentou ao ponto de prejudicar a nós mesmos já que continuamos dependendo do meio ambiente para sobrevivermos.
Alterações no planeta são cada vez mais claras como a mudança de temperatura de oceanos ou lagos, alteração nas migrações de animais, as populações de plantas e animais, mudanças de correntes marítimas e clima. Sofrendo com tudo isso, começamos a perceber que o despejo do nosso lixo na natureza na quantidade que despejamos é prejudicial (a nós).
Ainda que muitos aleguem preocupação com o meio ambiente como se fosse algo altruísta, nós nos preocupamos com o NOSSO bem-estar, não com o dos outros. Exemplo disso são os aterros sanitários ou lixões que são locais de despejo de lixo. Enquanto não estamos nestes lixões, ficamos bem. Nós não nos preocupamos com esses locais contanto que estejam longe de nós. Nós jogamos lixo nas latas de lixo, as companhias de limpeza coletam e jogam nos lixões enquanto nós ficamos bem com isso e sequer pensamos a respeito.
Quando o lixo de alguma forma afeta os lençóis freáticos, os quais usamos, ou outras partes da natureza que usamos, começamos a nos preocupar mostrando que não temos preocupação com o meio ambiente, mas como o nosso próprio bem-estar.
O despejo de lixo em rios e mares nunca nos incomodou se isso acontece longe de nós, mas quando nos afeta, passamos a dar atenção e buscar soluções para evitar tal cenário prejudicial para nós mesmos.
Certa vez, carregamentos de lixos foram negociados com países que desejavam dinheiro e não se importava em receber tal lixo. Países que não os queriam pagaram para que outros países o recebessem e os despejassem em seu território transformando o lixo em um negócios. Dessa forma, esses países “limpos” se livraram do seu lixo enquanto outros se sobrecarregavam com o mesmo. Isso também mostra que, além de não nos importarmos com a decomposição do lixo, o dinheiro que podemos conseguir nos é mais importante. Aceitar dinheiro para receber lixo de outro é um negócio.
Outro exemplo que temos são as cotas de gás carbônico lançado na atmosfera. Com tratados internacionais, países se reuniram visando “proteger” o meio ambiente atmosféricos e implementaram regras que restringem a quantidade de dióxido de carbono lançado no ar. Aparentemente é bonito, contudo, negociar as cotas também apareceu porque a natureza humana é se preocupar consigo mesma e conseguir o máximo de benefícios possível.
Países pagavam ou pagam a outros países para usar as suas contas mantendo o seu grau de poluição atmosférica enquanto outros países precisam reduzir ou não (caso suas cotas sejam muito grandes para a sua produção de lixo atmosférico). Em suma, não buscamos reduzir o despejo de lixo, buscamos reduzir o despejo de lixo EM NÓS, ao nosso redor.
As mídias em massa recebem de quem paga mais sendo grandes classificados disfarçados de notícias. Muitas mentiras são contadas, muitas opiniões são emitidas e tudo isso em forma de “notícias” por usarem afirmações em vez de deixarem claro verbalmente que são opiniões e propagandas.
Várias ideias foram vendidas de forma intensa ou prolongada como a ideia de que o conhecimento é a porta para uma vida melhor que vendeu muitos cursos universitários bem como favoreceu as aberturas de universidades privadas. O resultado é que temos uma população com mais escolaridade, mas com os mesmos problemas de falta de emprego bem-remunerado porque as pessoas investiram mais em educação, mas não em empreendedorismo que cria empregos.
Por décadas essa ideia foi vendida em grandes mídias para as massas que acreditaram nesta história e buscaram essa tal escolaridade para melhorar as suas vidas. O resultado foi a grande dívida da população para pagar estes estudos que transformariam as suas vidas positivamente, mas sem emprego o suficiente, temos muitos engenheiros e advogados que trabalham em aplicativos como o Uber ou vendendo doces em profissões que não precisam em nada de escolaridade superior.
Outra ideia que é amplamente vendida é de que o Brasil é um país ruim, como tudo ruim e que outros países, principalmente na Europa e na América do norte, são melhores em tudo. dentro desse tema temos a ideia de que a aposentadoria no Brasil é insuficiente e imaginamos que nestes países idealizados são melhores quando, na verdade, são mais problemáticas do que aqui no Brasil.
Em uma reportagem em Londres, na Inglaterra, um dos países idealizados pelos Brasileiros, mostrou-se que a aposentadoria não apenas era ruim, era precária. Idosos compartilhavam uma quitinete para conseguirem pagar as contas e, ainda assim, tinham de racionar os seus recursos para não contraírem dívidas. Pessoas estranhas dividindo um cômodo com banheiro e racionando luz, água e comida para terem como pagar as contas.
A alimentação nos Estados Unidos da América e na Suíça, países também idealizados pelos brasileiros, é muito mais cara do que no Brasil. Carnes, grãos, verduras e o que mais é cultivado são mais caros do que no Brasil gerando populações que se alimentam mais de alimentos processados do que os naturais e, segundo a ideia atual, os alimentos processados são prejudiciais à saúde enquanto os naturais sã benéficos.
Água é um recurso abundante no Brasil bem como energia elétrica que é feita em grande parte pela água (hidrelétrica). Podemos tomar vários banhos, cozinhar e lavar bastante enquanto em países como a França, outro país idealizado pelos brasileiros, a água é cara e, por isso, pouco consumida.
Ademais, o clima no Brasil também favorece os cultivos de animais e plantas além de não termos necessidade de aquecimento em grande parte do país. O aquecimento é um processo custoso e indispensável em locais frios como os países idealizados pelo povo brasileiro que eleva muito as contas. Portanto, não temos essa despesa constante e alta em nossas contas.
A temperatura comum do Brasil favorece o povo a sair de casa, relaxar em bares, fazer passeios e dançar em boates, atividades que favorecem a economia e alegram o coração. Devido a esse clima, somos mais animados, descontraídos e íntimos. Brincamos mais e somos mais felizes por conta disso enquanto em locais frios as pessoas são mais distantes, frias e individualistas. Pode parecer tolo, mas o clima influencia diretamente na socialização das pessoas, item indispensável à vida humana.
A solidão ou falta de socialização causa muitos problemas de saúde no ser humano e talvez esta seja a razão de haver muitos problemas mentais e suicídios como consequência nestes países que tanto idealizamos como o Japão. Claro que o suicídio não é resultado unicamente da sociabilidade, mas é fácil perceber que parece existir uma correlação entre clima e suicídio.
A discriminação é um problema social humano existente em todas as culturas porque temos receio ou raiva do que nos é diferente seja por ser diferente do que conhecemos ou por ser diferente do que imaginamos.
A discriminação homossexual e o racismos são exemplos existentes tanto no Brasil quanto fora do país. Em locais que imaginamos serem melhores, mais avançados ou desenvolvidos há discriminação mais forte e com comportamentos mais violentos do que os comumente encontrados no Brasil.
Até poucas décadas atrás a segregação racial nos Estados Unidos da América, um dos países idealizados pelo povo brasileiro, era comum e legal. A mistura entre pessoas de cores diferentes de pele era proibida e havia mais intolerância e violência para manter essa separação enquanto o Brasil já caminhava nos trilhos da irmandade.
Um fato curioso foi que na segunda grande guerra os inimigos dos aliados identificavam se as tropas contra quem lutavam eram estadunidense ou brasileiras facilmente: se os negros ocupavam cargos e posições inferiores e tratados da mesma maneira, então eram tropas estadunidenses, caso os negros estivessem em pé de igualdade com os demais da tropa (ou com menos discriminação), eram brasileiros.
Ainda que tenhamos discriminação, algo improvável de extinguir por nossa incapacidade de conhecer tudo, nós temos mais tolerância e respeitos pelos diferentes. O povo brasileiro se enxerga como um só enquanto em países como a Ucrânia o povo se enxerga como parte de um grupo e que nem todos participam do mesmo grupo social. A separação da Crimeia, parte da Ucrânia, mostra isso. O povo que vive nesta região não se identifica como Ucranianos.
Discriminação por etnias também são comuns na Alemanha e Estados Unidos da América sendo que a Alemanha levou isso tão a sério que criou uma guerra e tentou exterminar os diferentes que não gostava.
Enquanto há verdadeiras lutas ou guerras por conta de etnia ou cor de pele em países que achamos serem avançados, nós vivemos pacificamente em comparação a estes lugares.
Embora tenhamos muita violência no Brasil, não temos guerras como em países são idealizados pelo povo Brasileiro. A segunda grande guerra e a guerra na Ucrânia são exemplos de que o Brasil possui vantagens muito boas.
Temos muitas coisas boas no Brasil, mas nos focamos no que é ruim e imaginamos locais que sejam como desejamos que sejam e, então, comparamos essas duas ideias criadas e acreditamos ser fato. Veja mais a respeito em A confusão de um pensamento e Por que confundimos desejos com realidade além de outros títulos em filosofia21.com
As ideias vendidas por mídias de grande escala são absorvidas como verdades porque acreditamos que essas mídias ofereçam notícias, não publicidade disfarçada. Os golpes sociais são facilmente implementados através de métodos que abrangem muitas pessoas e que oferecem poucas ou somente uma narrativa bem como nega todas as demais ideias.
As universidades são outro exemplo de publicidade disfarçada. Com pessoas guerreando para se imporem e usando de suas posições dentro delas, elas fazem várias afirmações sem provas ou mesmo sem qualquer pesquisa enquanto o sue público absorve e repete a mesma ideai a todos os demais ampliando essa “verdade”.
Esses métodos de lavagem cerebral só funcionam porque o próprio público não pensa, apenas absorve sem qualquer análise resultando em diversas pessoas defendendo a mesma ideia.
A publicidade disfarçada em ambientes de trabalho principalmente os públicos é reforçada pelo individualismo em que as pessoas desejam promoções e visibilidade aceitando obedecer aos chefes, que em última instância são os políticos que desejamos o poder sobre os outros. Elas aceitam subornos diretos e até mesmo os inconscientes para agradar aos chefes e conseguir o que desejam, logo, repetir as ideias do superior por palavras ou ações trona-se um comportamento rotineiro que amplifica essa divulgação da ideia de quem comanda.
Sem qualquer pesquisa ou estudo, temos certeza de muitas coisas que não pensamos de forma crítica. Temos certeza de que as escolas são ruins, que os políticos não prestam e que não há inclusão social. Quem fez tal pesquisa? Quais os resultados? Não temos nada disso, mas a certeza que temos é inegável porque temos certeza sobre o que sentimos e pensamos mesmo sem saber ao certo o que sentimos e pensamos.
Somos reféns de nossas sensações que nos são percebidas como verdades ou mesmo fatos, logo a conclusão que fazemos e as opiniões que temos, resultado dessas sensações, são “logicamente” fatos também.
Essa característica parece ser do ser humano, não de uma sociedade específica ou mesmo de uma época e a história da humanidade prova isso com comportamentos de pessoas que tinham certeza sobre suas ideias e que, atualmente, são vistos como errados e até mesmo criminosos.
Uma das ideias mais vendidas nos últimos tempos é a da sacola e canudo plásticos. Com tanta “reportagem” falando que esse é um dos maiores problemas do mundo em relação ao lixo descartado imprudentemente, a sociedade aceitou como sendo verdade.
Os canudos plásticos, baratos e “dados” aos consumidores para tomar o que compraram se tornaram o vilão da história, porém, o problema é o excesso de canudo no lixo, não o canudo em si. Uma maneira de tentar conter esse desperdício foi a negação de canudos plásticos e a venda de canudos “reutilizáveis” que custam certa de R$40. Tanto o canudo quanto o seu uso permanecem, a diferença é que agora pagamos caro por eles.
Por que o canudo de plástico não é reutilizável? Ele é, mas como o ser humano valoriza o que é caro, guardar e reutilizar canudos plásticos parece muita mesquinharia e pobreza, coisas que grande parte da população não quer parecer ser. Então, entre usar canudos plásticos baratos ou canudos caros, a população escolhe o mais caro para mostrar que tem poder aquisitivo.
Outra ideia que também foi vendida em larga escala foi sobre as sacolas plásticas de mercado e compras como inimigas do meio ambiente. Usadas e dadas por mercados, as pessoas as consumiam bastantes, mas ao afirmar que são vilões para o meio ambiente e que o meio ambiente deve ser salvo de nós, a ideia de reduzir o consumo dessas sacolas surgiu. Então em vez de ganhar as sacolas, passamos a comprá-las num comportamento que parece favorecer o uso mais “consciente” (barato) das mesmas. No entanto, passamos a comprar mais sacolas plásticas para o descarte de lixo que antes era feito com essas sacolas de compras dadas. Ademais, apenas mercados aderiram à ideia de vender sacolas enquanto farmácias e outras lojas continuam usando as mesmas sacolas plásticas em suas vendas sem alteração alguma.
Ademais, o plástico mais difícil de ser decomposto ou reutilizável são os plásticos duros usados comumente em embalagens de produtos como sabões, ovos, cremes e outros produtos de limpeza e cosméticos. As sacolas plásticas são maleáveis e finas que rapidamente se degradam ao sol, portanto, não é o plástico mais ameaçador da natureza.
Sem análise alguma sobre o que fazemos ou comparamos, passamos a comprar sacolas de mercado de modo a “ajudar” o meio ambiente enquanto continuamos a consumir e descartar os plásticos que realmente degrada o ambiente.
Campanhas contra a sacola plástica foram feitas, mas contra embalagens de produtos não. Copos plásticos, pratos e talheres plásticos descartáveis continuam em alta sendo muito mais prejudicial do que essas sacolinhas quase auto degradáveis porque, na verdade, queremos o melhor e o mais fácil que é usar descartável.
Os descartáveis são reutilizáveis, mas assim como os canudos plásticos, são descartáveis por serem baratos, não por serem biodegradáveis. Se elevar o valor dos descartáveis de R$1 para R$50 deixarão de serem descartáveis porque é o valor que faz algo ser descartável, não o seu material.
É com a publicidade em massa numa população incapaz de observar e pensar que caímos no golpe das sacolas e canudos. Agora pagamos pelas sacolas e não temos mais os canudos para tomar a bebida enquanto nada mudou realmente. Apenas um golpe para mercados terem mais lucro com a venda de sacolas, simples assim.
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