Muitas pessoas gostam de dar opiniões mesmo sem entendê-las. A sensação de grandeza, poder e valorização social de si mesmo ao dar a sua opinião conquista muitas pessoas. Quanto menor é mentalidade da pessoa, mais ela gosta de opinar e menos aceitar críticas ou a simples discordância do outro.
A opinião é sentida como parte de si. Sendo uma pessoa (mente) pequena, a sua opinião possui grande parte proporcional de si mesma, ou seja, por ser pouco, qualquer pedaço representa significativamente. Assim, dar opiniões e as defender são sentidos de forma intensa como se fosse a própria pessoa. Dessa maneira, dar a sua opinião é uma maneira de se mostrar presente; ter a sua opinião não valorizada, ignorada ou criticada é como se fosse um ataque a si mesma; e defender a sua opinião é defender a sua vida. Por conta dessa percepção equivocada do que é a sua opinião de fato muitas pessoas lutam e batalham regularmente com todos que não concordem com elas.
A opinião nada mais é do que a sensação que a pessoa tem diante de um objeto ou situação. Todo o seu inconsciente é ativado e processa as informações que lhe chegam por meio das sensações. Sendo inconsciente, a pessoa não sabe propriamente o motivo de sua opinião, mas tão certa quanto a sua existência, a sua opinião também lhe é certa mesmo sem explicação. Veja mais em Acreditamos em nossos desejos como se fossem fatos e Acreditamos em nossos desejos como se fossem fatos – continuação.
Quem duvida de estar vivo? Quem questiona a própria existência? As pessoas sentem que estão vivas e, por isso, concluem que estão e, da mesma maneira, fazem com as suas opiniões.
Quanto mais impõe e publica a sua opinião, mais a pessoa se sente no mundo, se sente viva e com relevância; quanto mais é questionada, criticada ou humilhada, o processo inverso acontece a fazendo se sentir menos importante, menos viva e menor.
É por conta dessas sensações que reagimos como se as nossas opiniões fossem nós mesmos e as opiniões dos demais fosse como ataques ou aliados. Quem discorda nos ataca e quem concorda nos é aliado. Contudo, não concordamos com tudo com uma pessoa, nem discordamos de tudo e o mesmo acontece com os demais, porquanto, não existe aliado que dure para sempre ou para todos os assuntos (opiniões), mas sempre haverá ataques.
As pessoas que nos “atacam” são sentidas como inimigas, portanto devem ser ignoradas, isoladas ou eliminadas. É com essa sensação que pessoas pequenas são controladas para conter todos que não sejam a favor de suas opiniões chegando ao ponto de acreditar que tais pessoas devam ser eliminadas fisicamente. É assim que o fanático político funciona: “se não está comigo, está contra mim (se não me ajuda, então me prejudica ou pode me prejudicar, portanto, é inimigo que deve ser eliminado para eu não ter chance de ser prejudicado em outro momento).
A necessidade de termos outras pessoas em nossas vidas nos obriga a aceitar quem não concorde conosco em tudo. nós aturamos pessoas que discordamos porque elas concordam em outros assuntos e nos ajudam. É assim que criamos relações de carinho e raiva, de amor e ódio: amamos quem nos ajuda, mas não as suportamos quando não age de tal maneira.
Se eliminarmos todos do planeta por não concordarem conosco em tudo, ficaremos sozinhos e a solidão não é apenas uma dor cerebral, mas uma ameaça à sobrevivência em si. então devemos evitá-la e, para tal, temos de aceitar outras pessoas mesmo com suas diferenças e defeitos (características que desgostamos).
A necessidade de opinião é grande. Quanto menos a pessoa é, mais ela tenta se mostrar para aparentar ser mais e ter relevância, já quanto mais a pessoa é, menos necessidade de se mostrar possuir porque ela tem já valor em si. É por conta disso que pessoas sábias e grandes em suas próprias vidas não buscam mais plateia, aplauso e público: elas não sentem necessidade de serem validadas por outras para se sentirem valorizadas enquanto as pequenas têm mais desta necessidade. Assim, pessoas sábias são mais ouvintes e pensantes enquanto as menores são mais taxativas e opinam sobre tudo, principalmente sobre o que não conhece na reação simples de imaginar o assunto e opinar sobre este refletindo a sua sensação sobre a imaginação do assunto do qual se pensa. Nada realista, mas gera sensação de certeza e, se há certeza, há segurança, se há segurança, pode-se confiar e, se pode confiar, então é real (sensação de realidade à sensação de estar vivo).
Enquanto as pessoas pequenas buscam se impor para se mostrarem e outros a verem, as grandiosas não precisam de plateia. Elas têm o que precisam para se valorizarem, então não precisam da valorização alheia.
Nada é totalmente para um extremo ou para o outro. Sempre precisamos de validação e valorização dos outros tendo as pessoas menores mais necessidade do que as maiores.