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O macro é o micro em maior escala

Um homem e uma mulher precisam dividir o mesmo território, como uma casa. Pode-se dizer se tratar de um casamento.

O homem diz que trabalhará pelos dois e que a mulher deve ficar em casa, segura, protegida e sem precisar se esforçar com um trabalho. A mulher, insatisfeita por desejar ter um emprego e uma vida fora de casa, contesta, mas ele segura fortemente em seus braços e repete: “eu trabalharei por nós dois” numa ameaça clara de que se ela desobedecer será fisicamente penalizada. Com medo da surra, ela aceita

O homem trabalha, se socializa, conta piadas e, após o expediente e depois de trabalhar muito, merece descanso. Então ele sai para se divertir com amigos, com outras mulheres, com bebida ou o que mais ele quiser. Enquanto tudo isso acontece, a mulher está em casa, sozinha, “descansando o dia inteiro”. Ela faz a própria comida, lava a louça, limpa a casa, faz a janta e, quando o marido chega, exige a janta.

“O dia foi cansativo, querida. O que tem para comer?”

Ela o serve e assim todos os dias se repetem por anos.

Algumas pessoas podem dizer que é um relacionamento abusivo, mas não importa o nome. O fato é que uma das partes está descontente e não tem a liberdade de fazer o que quer sem ter de enfrentar a fúria daquele que deveria protegê-la, amá-la e respeitá-la.

A mulher, cansada da solidão e sem poder ser alguém na própria vida, tenta falar mansamente que deseja trabalhar fora e tomar as próprias decisões, mas o homem afirma que ela não tem maturidade nem capacidade para isso. “Depois de tanto tempo dentro de casa, você não sabe lidar com o ambiente fora do lar. Aqui é mais seguro para você”. Lembrando da ameaça constante e da afirmativa que o homem não a deixará sair, ela abaixa a cabeça e continua a obedecer para sobreviver de maneira menos sofrida possível.

Anos se passam e ela contesta as saídas e festas que ele vai enquanto ela vive em casa sem poder fazer o que quer. Ela contesta que o dinheiro da família visto que são um casal, é usada apenas por ele e para ele em seus lazeres e suas diversões com terceiros enquanto ela não tem nenhuma parte que possa usar para si. Com firmeza na voz e em pé, olhando-a para baixo, ele a assegura: “eu mereço descanso. Eu trabalho muito! Você tem a vida boa sem fazer nada. Vive descansando em casa todos os dias. Você deve me agradecer por lhe proteger do mundo fora de casa.” A mulher percebe que não basta apenas acatá-lo. Ele quer ser venerado com um deus que cuida dos mais fracos quando, na verdade, prende quem deseja voar.

Como se resolve um problema desse? Para muitos a solução é deixar esta casa e refazer a própria vida sozinha distante do abusador. Mas, e quando não existe a opção de sair? E quando não dá para abandonar o lar fisicamente? O que fazer?

Imagine que este homem seja os políticos (governo), criando leis e exigindo pagamentos para diversas finalidades que a mulher, a sociedade, não quer ou não tem nenhum benefício. Um governo que trabalha “pelo povo”, “para o povo”, que sai em festas por trabalhar demais enquanto o povo só aproveita a vida sem “verdadeiras” preocupações e o povo só deseja a liberdade de poder escolher em concordar ou não com o governo em vez de ter de acatá-lo por medo de ser penalizado. O que este povo pode fazer?

A mulher pode preparar alguma bebida ou comida com veneno para mostrar o seu poder, dominar o homem através de palavras e sensualidades, manipulando-o. O povo também tem as suas possibilidades, mas requer que seja um povo, e não vários povos.

Quanto mais povos fracos houver, mais fácil será do dominante manter o seu poder e, por isso, criar ideias e medidas que segreguem, dividam e excluam alguns indivíduos é uma tática eficaz para manter o poder sobre os muitos fracos em vez de lidar com um único muito forte.

Enquanto o ser humano buscar dominar o outro, tendo poder, dinâmicas como estas serão normais, tanto em nações quando em casas com poucos integrantes.

Observe que o macro é o mesmo que o micro, só que com mais pessoas, assim como a sociedade é o macro da família onde em ambos temos de aprender a nos relacionar de forma a cedermos e exigirmos a cada momento distinto.

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