Criticada, idealizada, julgada e desejada, passa por avaliações humanas de acordo com os desejos e pensamentos da sociedade e da época.
O modo de identificar escravos varia assim como a sua dominação. No Brasil, usou-se da cor de pele para distinguir quem era escravo e quem não era, mas em outros lugares do mundo houve e há outras maneiras de distinguir quem o é ou não.
Várias técnicas foram e são usadas para escravizar uma pessoa ou grupos como a dominação por força, destruição de seus símbolos de identidade, introdução a sociedades em que não se fala a língua, imposição de culturas, moedas, linguagem, dentre outros. O fundamental para dominar alguém é fazer a pessoa se sentir pequena, incapaz e sem apoio para reagir. Deste modo, ela obedece por medo de sofrer algum castigo pior.
A disputa pelo poder sobre outros seres humanos é algo natural da espécie e encontrada em outros animais e até mesmo antes do ser humano ser homo sapiens propriamente. Tendo mais desejos do que competências, buscamos por quem possa nos satisfazer de diversas maneiras sendo a dominação pela força e pelo medo os mais instintivos e primitivos, razão de serem tão usados.
Conforme desenvolvemos a capacidade de nos compreender enquanto espécie, descobrimos que existem outras áreas que também podem ser dominadas como a psicológica e emocional permitindo o controle de pessoas mesmo não estando presente ao domá-las psicológica e emocionalmente.
Embora haja pessoas criativas que agregam ao mundo mais do que consomem, a maioria se mostra carente: tendo mais desejos do que habilidades de se satisfazer. Descubra mais em LINK DE A ORIGEM DA POBREZA DE 29/10/25. A própria sociedade nada mais é do que a união de vários indivíduos incapazes de se manterem sozinhos para dividirem as dificuldades e conseguirem as conquistas dos mais aptos e produtivos. Grande, média, pequena, mínima, enorme ou global, o fato é que a ESPÉCIE usou desta tática e sobreviveu mantendo-a.
Viver em sociedade não é apenas uma tática que aprendemos com os familiares ou os mais próximos, isto é, não é somente cultural. Temos a NECESSIDADE de socializar, característica que favoreceu ou não atrapalhou os nossos ancestrais primitivos de sobreviverem, então, mantiveram tal organização social e uso de tal habilidade.
A necessidade de se socializar é superimportante de forma fisiológica uma vez que ativa partes importantes e produtivas do encéfalo bem como a sua falta gera problemas e até mesmo doenças. Ainda que gostemos de socializar, temos dificuldade para lidar com os outros gerando um conflito permanente em que precisamos dos outros, mas não os toleramos. Esse amor e ódio é encontrado em muitos casais que vivem brigando e não se separam, relações de um povo com o seu representando ou líder, em famílias disfuncionais que não se dissolvem e quaisquer outras relações que possam existir.
Sentimos que precisamos dos outros porque não conseguimos fazer tudo o que precisamos para termos o que desejamos, contudo, detestamos ser dependentes e buscamos maneiras de manter esse antagonismo sem lidar diretamente com ele precisando das outras pessoas enquanto sentimos que somos independentes das mesmas.
A sensação de poder nos gera mais confiança e sensação de independência porque não sentimos que precisamos nos esforçar para conseguir o que desejamos, no entanto, o poder é justamente a imposição de alguém ou algo sobre outra pessoa. Dessa forma, enquanto uma pessoa se sente poderosa e independente, a outra se sente necessariamente incapaz e dependente. Esta maneira de entender o mundo é amplamente percebida pelos indivíduos humanos, embora não seja a única.
Este sistema de percepção do ser humano em relação aos outros é muito comum e a luta por algum tipo de (sensação de) liberdade constantemente aparece ao longo da história da humanidade diversas vezes.
No mundo capitalista, em que o dinheiro oferece grande sensação de poder, conseguimos essa contradição ao usar do dinheiro para comprar itens e serviços que são feitos por outras pessoas, ou seja, nós precisamos dessas pessoas para nos ofertá-los, ao mesmo tempo que sentimos que não dependemos delas porque não criamos vínculos profundos ou pessoais para convencer o outro a nos dar o que desejamos, basta pagar (o outro deseja o dinheiro).
Essa crença é criada da ideia de que dinheiro é a maneira de se conseguir tudo uma vez que todos o buscam, então, todos farão o necessário para tê-lo como vender seus bens a quem oferte. Dessa forma, entende-se que pessoas ricas possuem tudo e que o trabalho é um meio para se conseguir dinheiro tornando-o fundamental. A soma dessas ideias é de que as pessoas trabalharão para conseguirem dinheiro e o usarão para comprar e consumir o que lhes dão prazer e satisfação mantendo este ciclo de produção e ofertas constantes ao mesmo tempo que alimentamos o consumo. É por conta dessa tara por dinheiro que muitos aceitam trabalhos sem muito prestígio social, vendem segredos e dão golpes: todos querem dinheiro porque dinheiro é uma forma de se ter poder e adquirir o que se deseja (nem que parcialmente).
A questão não é propriamente o dinheiro, mas a grande oferta de bens e serviços que podem ser adquiridos com a moeda.
A organização social mais atual é baseada na quantidade monetária que alguém possui, não as suas ascendências ou títulos que outrora eram equivalentes a poder e obediência por parte dos demais. Isso significa que precisamos apenas fazer dinheiro para, então, comprar o que desejamos, embora ainda haja muito preconceito que dificulta a ascensão social pelo montante monetário da pessoa.
Embora muitos aleguem desejarem ser ricos, o fato é que não desejam a riqueza, mas o poder de comprar tudo o que se desejam para satisfazer os seus desejos uma vez que a felicidade pode ser comprada mesmo que parcialmente, veja mais em A felicidade se compra, parcialmente. Isso significa que não queremos a riqueza em si, mas a satisfação completa e, conseguindo muitas satisfações através da troca monetária (compra e venda), é comum acreditarmos que podemos comprar tudo o que precisamos para satisfazer as nossas vontades e alcançarmos a sensação de felicidade e completude.
As pessoas mais carentes de habilidades costumam ser as mais carentes financeiramente, resultado direto de suas incapacidades de produção e colaboração social. Num mundo em que podemos ofertar serviços e bens, os pobres são quem não têm nada de valioso para os outros para lhes oferecer. Com isso percebe-se que o valor de algo não é absoluto, mas diretamente dependente do valor que os outros lhe dão. Podemos fazer artesanatos muito cobiçados e termos muitas ofertas generosas por eles tornando-os valiosos, mas podemos fazer outros que ninguém deseja tornando-os sem valor. O valor não é o que nós acreditamos valer o nosso trabalho, mas o valor que o outro está disposto a nos pagar por ele, portanto, quem determina o valor do produto é o comprador. Para compreender melhor sobre as relações humanas, leia Hipocrisia: certa ou errada? Boa ou ruim? Por quê?
As pessoas com mais carência produtiva ou de habilidades são as que vivem mais a escassez física, isto é, as vontades físicas não satisfeitas. Estas vontades/necessidades/desejos são facilmente perceptíveis por serem mais intensas gerando sensações de serem mais concretas e visíveis bem como amplamente conhecida por serem sentidas por todos como alimentação, abrigo e socialização, a base da vida humana. Por viverem sempre desejando algo físico, provavelmente comprável, elas vivem com a fantasia de serem felizes com mais comida gostosa, lares bonitos e confortáveis e amigos que elevem o seu bem-estar e tudo isso pode ser adquirido com dinheiro.
O dinheiro compra lugares, alimento e amigos através de festas, roupas, reuniões, sapatos, cultura e outras coisas. Dessa forma, uma pessoa que sonha em ter tudo isso consegue transformar a ideia de felicidade em algo comprável e realizável através do dinheiro levando-a acreditar que dinheiro resolve tudo e gera felicidade. Portanto, conseguir dinheiro é o meio para ser feliz e, então, o dinheiro se torna a felicidade propriamente.
Pessoas mais afortunadas com dons e habilidades são mais bem recompensadas por seus trabalhos justamente por ofertarem resoluções de problemas, satisfação e prazeres para outras como bens e serviços que facilitam a vida ou satisfazem alguma parte desta. Como todos nós buscamos por prazeres, vender prazer é a essência de qualquer objetivo de trabalho.
Pessoas com bem-estar financeiro conseguem usufruir da boa vida física tendo suas vontades corporais sanadas, isto é, elas são felizes, com tudo que o pobre imagina ser felicidade. No entanto, elas não alcançam esse degrau de satisfação plena ou completa que os mais pobres imaginam, mas se deparam com outras necessidades, desconhecidas até então.
Estas “novas” necessidades não são novas propriamente, mas são mais sutis do que as necessidades físicas que ganham a nossa atenção quase que totalmente e, então, não percebemos as mais sutis. Embora muitos não percebam a sua existência, sãos importantes o suficiente para adoecer a mente de uma pessoa se não for satisfeita assim como a falta de satisfação corporal como a fome também adoece o indivíduo. A diferença está no conhecimento e percepção: todos nós passamos pelo primeiro degrau, o das necessidades físicas, mas nem todos chegam no segundo, quando descobrem a insatisfação mesmo com todas as satisfações corporais sanadas.
Pessoas neste segundo degrau buscam por algo a mais, além da rotina de trabalhar para ter dinheiro para pagar as contas porque elas já possuem estabilidade e segurança sobre tais partes de sua vida. É neste ponto em que muitos se sentem perdidos e sem objetivo de vida, afinal, já conquistou todo o necessário para a própria sobrevivência.
O tédio deprime pessoas que não são criativas gerando depressão ou ansiedade, doenças fisiológicas. Contudo, para evitar este mal-estar do tédio, muitas buscam espiritualidade como forma de compreender o que vivem e acharem um novo objetivo na vida ou se voltam à caridade exercitando suas mentes a favor de pessoas que julgam necessitar de ajuda. As pessoas criativas “ganham” esse tempo de sobra e podem usá-lo para criar e produzir concretizando a sua imaginação. É neste cenário que temos inventores e cientistas fora de época: são pessoas com tempo, investimento e criatividade que promovem novidades.
Neste ponto a pessoa busca satisfazer a sua própria pessoa enquanto indivíduo de uma sociedade gerando mais do que consome desta de alguma forma e criar ou ofertar aos outros são modo de se sentirem mais importantes socialmente, sensação que o ser humano sempre busca.
O fato é que o “excesso” de tempo pode ser uma armadilha para quem não sabe usá-lo com liberdade e indispensável para que o aproveita bem. De busca por novidades, tecnologias, criação e caridade à busca por prazeres através do conhecido como drogas, comprar e socialização, a pessoa busca algo para preencher este vazio que surge com a satisfação completa da sobrevivência.
Este é terceiro degrau, após conquistar os dois primeiros. A pessoa passa a sentir essas outras necessidades mais sutis e age de acordo com as suas capacidades: criando, trabalhando com filantropia ou se entorpecendo com prazeres básicos da espécie.
Aqueles que usam do seu tempo para produzir e colaborar com a sociedade de algum modo (algum trabalho), são pessoas que sobem este degrau no desenvolvimento enquanto as que continuam buscando prazeres conhecidos se retém aos prazeres mais básicos e primitivos do degrau anterior justamente por serem os mais conhecidos uma vez que a liberdade de poderem buscar qualquer coisa lhes promove a sensação de segurança ao não saberem para onde devem ir ou o que fazer.
A busca por mais na vida (novidade) é uma expansão da própria pessoa. Ela não se satisfaz com o que possui, uma característica humana, e busca por novidades através de si. Em vez de buscarem prazeres conhecidos em maior frequência ou intensidade, elas desejam aprender, se desenvolverem ou colaborarem com outras pessoas. Neste ponto existe a expansão da consciência do significado do eu.
O egoísmo que visa a satisfação do próprio indivíduo facilmente percebido através do corpo físico é trocado pelo egocentrismo em que a pessoa se percebe como fundamental em sua vida, mas não somente a si mesma. As pessoas ao redor também são importantes, então valoriza em primeiro lugar a si mesmo, mas valoriza o que está ao redor. A sua percepção do eu muda e passa a englobar os demais gradualmente porque a pessoa percebe que viver em sociedade não é somente a troca individual, mas geral.
O bem-estar dos outros lhe gera bem-estar assim como a sua colaboração também. A percepção de poder também sofre alteração e passa da ideia de controlar os outros para a própria capacidade de produzir e colaborar com a sociedade se pondo no centro da ideia, mas diretamente conectada com os demais.
Com alta capacidade, a vida deixa de ser vista como luta para dominar ou tomar algo e passa a ser vista como forma de somar no mundo ou nos outros. Este “novo” poder faz a pessoa não apenas se sentir ainda mais capaz, mas se sentir completa, sem vazio, preenchida, feliz, confiante e segura sobre si mesmo, isto é, gera emoções agradáveis (positivas) e, portanto, os comportamentos que as geram passam a serem a nova busca. Dessa forma, a pessoa aprecia fazer o bem e construir um mundo melhor além de se satisfazerem com os resultados positivos de suas ações. São essas pessoas as mais felizes porque agem de modo que apreciam bem como obtêm resultados também agradáveis. O trabalho deixa de ser um meio para se obter o que se deseja e passa a ser um prazer, daí a ideia de que “quem faz o que gosta vive de férias”.
Estas pessoas não buscam alianças ou ajuda mútua, elas querem conexão com outras pessoas e isso muda a sua maneira de compreender a vida. Em vez de se enxergarem como um indivíduo que precisa de do lugar em que está para sobreviver, ela se enxerga como uma ferramenta capaz de transformar as coisas e produzir novidades boas. Portanto, passam a desejar a contribuir com o mundo, não apenas para si ou pessoas próximas. Trabalhos voluntários e filantropia começam a serem mais atraentes bem como trabalhos com mais alcance na população e elas passam a trabalharem para ajudar alguma sociedade a progredir (melhorar).
O altruísmo humano surge com a segurança financeira (para sanas necessidades físicas, importantes à manutenção da vida em si), social e altas habilidades de produção, ou seja, a minoria super bem-sucedida é quem se importa com os demais justamente porque já alcançou tudo o que precisava para a sua própria sobrevivência enquanto as pessoas mais carentes e inábeis são as mais egoístas pensando sempre em si mesmas, em como satisfarão as suas vontades (normalmente as mais básicas) sem se importar com os demais.
Estas pessoas não costumam fazer doações de nenhum tipo, a menos que consigam algo em troca como um favor de um vizinho o que desconfigura a ideia de doação. As suas vidas giram em torno si mesmas quando muito os parentes mais próximos, mas apenas por questões egoístas de sentirem como partes de si emocionalmente. Veja mais em AGREGADOS EMOCIONAIS. Elas não se importam em cuidar da rua ou da calçada, não pensam no bairro ou cidade e muitas vezes sequer têm planos para além de alguns dias.
O imediatismo é o sentimento que gerencia tais pessoas, resultado imediato do instinto de sobrevivência que busca o máximo para si uma vez que favorece a sobrevivência do próprio indivíduo no exato instante.
Com pessoas neste primeiro degrau de desenvolvimento sendo a maioria no mundo, qualquer ideia diferente das que possuem é imediatamente ignorada ou criticada, afinal, se não dá resultado imediato, então não faz sentido pensar a respeito. Ademais, sem exercitar o pensamento de planejamento, elas ficam menos capazes de o fazer dificultando sugestões longínquas.
O pensamento imediatista se retroalimenta já que as pessoas agem por impulso gerando consequências desagradáveis para o futuro enquanto sana um desejo do momento e, quanto o futuro chegar, elas agirão por impulso novamente gerando mais consequências nocivas para um futuro que não vislumbram alimentando o ciclo de ações imediatas que alimentam a situação carente da pessoa. É como uma pessoa que come por precisar se alimentar: ela come o que tiver disponível como um biscoito e não pensa a respeito até sentir fome novamente. Então ela come outro biscoito e, depois de semanas, meses ou anos comendo biscoito por necessidade de sobrevivência, a pessoa desenvolve outras doenças por falta de nutrição.
Apesar deste ciclo se estimular, algumas pessoas neste primeiro degrau emergem e sobem um degrau tendo mais habilidades do que os seus parentes o que favorece pensamentos diferentes. Assim, pensar e planejar as suas ações visando um futuro específico passa a ser parte de sua vida e com as suas habilidades, a remuneração será melhor do que as dos seus pais. Contudo, se a sua vida física correr algum perigo como falta de moradia ou alimento, o seu encéfalo fica incapaz de pensar em quaisquer outras coisas senão o que lhe importa no momento que mantém a sua vida. Portanto, quebrar o ciclo do imediatismo necessita de satisfação das necessidades que mantêm o funcionamento do corpo, habilidades de pensar (conscientemente) para criar algo novo que podem ser estimuladas ou desenvolvidas pela própria pessoa bem como serem limitantes mesmo quando sob estímulo e disponibilidade de tempo e materiais para concretizar sua imaginação através de sua habilidade.
A habilidade nem sempre é uma nova tecnologia. Pode ser uma nova maneira de lidar com as pessoas, de usar os seus sentimentos, de enxergar a vida, criar planos, criar tecnologias ou serviços… Qualquer novidade que gere bem-estar de algum modo é derivada de alguma habilidade.
A inteligência é um ideal humano por gerar facilitadores de resultados e satisfações, no entanto, não é uma característica inata do ser humano visto as contradições e as escolhas nada sábias que normalmente são feitas. Raramente encontrada, aparece como resultado das poucas pessoas com tal capacidade e suporte para usá-la e, ainda assim, são limitadas a poucos assuntos.
Com o pensamento imediatista e desejando coisas palpáveis e mais rapidamente adquiridas, essa grande massa de pessoas sonha em ter todas essas coisas, mas como?
Desejar terem mais conhecimento para criarem o que desejam ou terem mais habilidades para resolver os seus problemas não são opções. A incapacidade de verem além do que conseguirem o que desejam restringe a própria maneira de pensar. Sem habilidades necessárias para se satisfazerem, imaginar mudar este cenário torna-se impossível. Então, a maneira de se conseguir tudo o que se deseja é através de alguém que lhe forneça ou um milagre, explicado em Por que esperamos milagres? e Milagres e fatalidades
É nesta perspectiva que nasce o desejo de se ganhar na loteria, ter escravos, receber um milagre, surgir um herói ou religiões que alimentam a sua esperança de ter o que se deseja como explicado em “A lógica emocional da divindade”. Contudo, escravidão não está na moda e é criticada, então afirmar tal ideia soa socialmente repulsivo e, portanto, as pessoas não admitem essa vontade
Quem não deseja ter alguém que lhe dê comida, que lave as suas roupas, que traga tudo o que deseja comer, que leve para passeios, que satisfaça o seu ego, que eleve a sua autoestima, que lhe apoie? Queremos tudo isso porque precisamos de tudo isso para nos sentirmos bem, contudo, sem a possibilidade da escravidão por ser socialmente condenável, resta-nos contentarmos com a troca: a sociabilidade.
Assim criamos empregos para realizar os mesmos serviços que escravos fazem, porém pagamos para não sermos vistos como pessoas más que possuem escravos. Da mesma forma, não queremos ser estes “escravos salariados” porque visamos o bem-estar para nós, não a outrem.
Empregados, governantas, motoristas, diaristas e outros são justamente os serviços feitos pelos escravos em locais em que tal organização social é permitida. A diferença é que quando pago, entendemos que não seja ruim porque foi a ideia que absorvemos como correta. Veja mais em O QUE É REALMENTE CERTO OU ERRADO? – link em 7/5/25
Trocamos elogios, apreços, agradecimentos, críticas, ajudas e tudo o mais que seja possível nos campos emocional, social, emocional e intelectual além do físico quando troca-se objetos em si. Porém, muitas vezes as pessoas que precisam de alguma ajuda oferecem algo posterior ou são cobradas por suas dívidas e precisam cumprir com as suas palavras, embora não tenha tido um acordo explícito de troca de favores, uma vez que podem precisar de ajuda novamente num momento futuro e não a terão caso não colaborem com o outro. Dessa forma, dizer “não” é algo difícil e até mesmo prejudicial por reduzir as chances do outro em lhe ofertar auxílio em outro momento ao mesmo tempo que reduz o seu círculo social já que passam a serem vistas como inconvenientes, razão suficiente para serem excluídas ou ignoradas.
Ademais, satisfazer o outro “contra” a própria vontade também gera sensações de insatisfação, cobrança, peso nos ombros e opressão, no entanto, se não o fizer perderá o aliado que pode ser valioso futuramente, então, trocar favores mesmo que não deseje executar o favor em si, gera um bem que gera satisfação social e segurança de ter apoio caso necessite e isso favorece a sobrevivência, portanto, uma característica muito importante para pessoas neste degrau de desenvolvimento.
Precisamos de coisas e estas são adquiridas através de trocas, seja monetária, social, de títulos, favores, controle ou o que mais pode ser barganhado. Quando não temos o que ofertar para conseguir todas essas coisas, nós nos sentimos pequenos, insignificantes, oprimidos, reprimidos, tolhidos, abusados, usados, descartados, desvalorizados, desprezados e todas as mais ideias de desvalorização e obrigação que possam existir.
A revolta, que surge por conta desses sentimentos oriundos de nossas incapacidades, energiza a pessoa bem como a motiva a agir e é neste ponto em que tudo pode mudar.
Algumas pessoas usam da energia da raiva para se aperfeiçoarem, se valorizarem e conquistarem mais do que possuem enquanto outras, talvez a maioria, se deixa governar por este sentimento que julga o mundo de forma completamente parcial que prejudica (às vezes propositalmente) a própria pessoa, portanto, se ela se vê como pequena e julga que ser pequena seja errado.
Essa mudança entre sentir e ser é uma das distorções de pensamento mais comuns no ser humano que faz com que conclusões errôneas como esta sejam tidas (a pessoa sente algo e julga como verdadeiro, real, factível, absoluto, concreto). Diante deste cenário de “injustiça” e cheio de energia, a pessoa sente vontade de quebrar coisas e gerar prejuízo alheio para que o outro sinta algum tipo de perda igualando-o à mesma sensação que tem de ter prejuízo. Mas não é somente esta igualdade emocional que a pessoa deseja, ela quer provocar outras sensações ruins que ela mesma sente como o descontrole, o limite e a incapacidade de mudar a própria vida para melhor. Além disso, prejudicar o outro é uma maneira de se sentir com algum tipo de poder e habilidade: o de destruição. Se ela não tem o poder para fazer as mudanças que deseja sentir, ela pode pelo menos destruir e gerar alguma mudança reavendo a sua sensação de poder por conseguir provocar algum efeito.
Esta percepção, muitas vezes inconsciente, também é a responsável por muitas pessoas escolherem os seus próprios infortúnios em vez de deixar nas mãos dos outros como terminar um namoro com alguém que goste para evitar que o outro o faça; não fazer concurso para evitar a sensação de não passar; não se esforçar para não se frustrar caso não consiga o seu objetivo…
Apesar da sensação de alívio por ter algum poder ao destruir algo, a pessoa gera transtornos futuros que superam o bem-estar do momento no ciclo do imediatismo que é uma mera ação para resolver o problema imediato da sensação de incapacidade com grande consequências futuras.
A visão pequena desse grupo social, que se restringe a si próprio em prejuízo de outros, gera uma massa de pessoas sem plano para o futuro, algo grave para uma nação por exemplo, bem como limita a felicidade como tendo as suas necessidades do momento sanadas ignorando até mesmo o próprio bem-estar no futuro que chegará. Este comportamento deixa claro que elas não se importam como os demais além de os julgarem com descrédito e desprezo como se não tivessem importância. Egoístas, não são o centro de suas vidas, mas a única coisa de valor em suas vidas, portanto, desprezar e ignorar os demais se torna normal, comum e até mesmo aceitável.
É com este pensamento que ideias sobre doenças mentais, não palpáveis nem mensuráveis, são tidas como frescura uma vez que estas pessoas não vivem com tais sintomas e tampouco desejam conhecer mais sobre o assunto. A opinião sobre o assunto desconhecido já está feita e é sempre a mesma: “nada é mais importante do que as minhas vontades e tudo o que não compreendo não existe.” Este pensamento inconsciente é compartilhado na humanidade a tal ponto que ninguém critica, questiona ou mesmo o percebe. Apenas sentimos que é o certo porque nos faz bem e, com multidões sentindo o mesmo, concordam e, assim, torna-se comum por conta do grande número de opiniões similares. Veja mais em OPINIÃO (LINK DE 8/10/25)
A busca incessante dessa grande massa social por satisfações imediatas e mais básicas faz com que todos os desejos sejam unificados em apenas um: ter tudo ou ter alguém que os faça.
Independentemente do degrau social em que se está, sempre queremos alguém que faça pelos menos algumas coisas por nós sem que tenhamos de corresponder. Este é um dos motivos pelo qual ter pets em vez de filhos está se popularizando e, logo depois, ter plantas em vez de pets.
Os pets precisam de menos atenção e menos elaboração do relacionamento do que a relação com humanos. Eles ofertam atenção e carinho sem precisarem de muita coisa em troca. As plantas são ainda mais fáceis: elas sequer pedem atenção ou incomodam com barulho, pelo ou cheiro.
Essa vontade de ter alguém que nos satisfaça é perpétua já que não temos como satisfazer todas as nossas vontades, então empresas e inteligentes sempre tentam criar máquinas para trocar humanos, o que gerou revoluções industriais bem como diversas melhorias derivadas destas.
Ainda assim, queremos mais e desenvolvimento de máquinas para se passarem por pessoas é um sonho para muitos já que poderão satisfazer as necessidades da pessoa sem que esta tenha de corresponder com atenção, carinho e outros cuidados.
É por conta disso que criamos máquinas para trabalhos nos campos e nas cidades, máquinas domésticas para não termos de fazer as atividades por nós mesmos e pelo mesmo motivo buscamos mais e mais máquinas.
O componente social do ser humano é real. Todos nós sentimos, uns mais, outros menos. O fato é que precisamos nos socializar ao mesmo tempo que não temos habilidade para termos relações felizes e satisfatórias: sempre falta algo e, então, buscamos em outras pessoas, lugares ou objetos.
É por conta disso que buscamos máquinas que se pareçam com pessoas. Dessa maneira, podemos ter a sensação de que estamos com alguém e sanar as nossas necessidades sociais sem que essa outra “pessoa” discorde ou nos irrite de algum modo. Com esse ideal, muitos tentam criar robôs com similaridades humanas que, na prática, são desnecessárias. Se uma máquina é feita para conversar, para que fazer boca se o som sai por aparelhos próprios? Para que fazer olhos se são câmeras que enxergam? Porque precisamos sentir que estamos com pessoas que possuem sentimentos, que gostem de nós e, assim, nos sentimos importantes e valorizados.
A dificuldade em criar um escravo em forma de máquina, mas que pareça ser humano, é justamente a falta de conhecimento que o ser humano tem de si mesmo para que se possa criar programas com tais informações e, então, fazer um robô reproduzir um humano. O desconhecimento sobre os nossos sentimentos e “programas” (como o cérebro funciona e ativa o corpo) faz com que não saibamos o que é necessário em um robô para se assemelhar a um humano.
Sabemos de anatomia que seja visível e produzir materiais que gerem similaridade como a pele que nos reveste é relativamente fácil, mas não sabemos como ou o porquê de reagimos a estímulos de formas específicas ou genéricas. Ademais, existe ainda as particularidades, ainda menos compreendidas. Então, como criar uma pessoa se não sabemos o que é ou como funciona uma personalidade? Se não sabemos como funciona o nosso modo de pensar ou sentir? Mesmo assim, nos focamos neste objetivo ignorando a possibilidade de mudarmos a nós mesmos para nos adequarmos mais, isto é, nos encaixarmos melhor de modo a nos sentirmos mais confortáveis.
Interessante perceber que não buscamos nos aperfeiçoar e sermos mais prestativos e menos egoístas. Criamos a ideia de que machucar outra pessoa seja ruim porque nós mesmos somos essa outra pessoa para alguém, ou seja, não queremos a possibilidade de sermos feridos por outras pessoas. Com a satisfação em ser obedecido e mandar nos outros, queremos ter alguém para nos impor com a segurança de que este jogo não será revertido e publicações anônimas são exemplos disso: a pessoa critica e humilha sem ser reconhecida para não sofrer uma reação negativa de alguém contra a sua ideia enquanto se sente grande e importante ao publicar a sua opinião.
Na hipocrisia humana rotineira, tentamos evitar confrontos, no entanto, se não os colocamos para fora, eles nos devoram por dentro. Para evitar tal calamidade, buscamos maneiras de nos aliviar seja com prazeres, distrações, agressividade ou publicações anônimas para criticar quem desejamos criticar sem sermos criticados pelas críticas que fazemos.
Queremos o direito de criticar ao mesmo tempo que desejamos o direito de não recebermos críticas. Por sermos parte de um grupo, hora somos o grupo, hora somos o indivíduo, hora queremos a liberdade de criticar quem discordamos, hora queremos a proteção de não sermos criticados por quem não goste de nós. Como solucionar este conflito?
Robôs são feitos para realizarem determinadas tarefas, então se o criamos para não criticar, poderemos criticá-los o quanto quisermos sem a ameaça de sermos alvos deles, o mesmo que acontece entre o escravo e o seu dono: o escravo deve engolir tudo e obedecer.
É com isso tudo que criamos robôs que tentam fingir serem humanos para que possamos satisfazer nossas vontades egoístas e sádicas neles mantendo a segurança de que não seremos prejudicados pelos mesmos.
Continuamos os mesmos seres de milhares de anos atrás tal como vários outros animais que apreciam o sofrimento e a dor alheia porque, na luta e disputa pela sobrevivência, a desvantagem do outro é uma vantagem que pode significar a sobrevivência em um momento de perigo.