Moral é conjunto de crenças que motiva uma pessoa a agir de uma determinada forma.
Consideramos uma boa moral as crenças que levam as pessoas a agirem de forma altruísta e colaborativa para com as outras e uma moral ruim quando as leva a agirem de forma a se beneficiarem com o prejuízo alheio.
Dessa forma, consideramos uma boa moral nos outros o que os leva a nos beneficiar sendo uma crença que sustenta a nossa moralidade ruim uma vez que queremos o altruísmo alheio para o nosso benefício.
O raciocínio é simples: queremos que os outros colaborem com o grupo porque fazemos parte deste grupo e, assim, somos beneficiados indiretamente. Já as pessoas mais egoístas, que se beneficiam com o prejuízo alheio, são má-vistas porque não nos causam qualquer benefício. Pior que isso: elas nos geram prejuízos, danos, dor, sofrimento, sensações desagradáveis as quais queremos evitar tanto quanto o possível.
A base emocional do ser humano é a dor e o sofrimento. As nossas vidas nada mais são do que um conjunto de comportamentos visando fugir de situações desagradáveis que geram tais emoções, portanto, tudo que nos prejudica ou que ACHAMOS que pode nos prejudicar são percebidos como perigos que devem ser eliminados. Dessa forma, pessoas egoístas são vistas como tais e, portanto, são ruins, perigosas e que devem ser eliminadas ainda que da convivência social através de linchamentos emocionais (morais) e outros castigos.
Por sermos dependentes do grupo, tudo o que prejudica o grupo é sentido como prejuízo pessoal e, assim, identificamos quem prejudica o grupo como alguém que prejudica a nós mesmos. Da mesma forma, quem beneficia o grupo é visto como alguém que beneficia a nós mesmos indiretamente por sermos parte do grupo e é assim que julgamos as pessoas: se são boas (para nós) ou ruins.
As pessoas boas são as que nos geram benefício enquanto as ruins nos geram prejuízos. Porém, agir de forma bondosa é diferente de ser uma pessoa bondosa. Para nós não importa a motivação que a pessoa possui, o que nos importa é estritamente o resultado de nos beneficiar ou não.
Contudo, sabemos que as pessoas são motivadas por emoções tais como nós e, dessa forma, saber quais emoções as motivam nos gera mais confiança sobre elas. Se elas são motivadas pela vontade de serem queridas, farão o que podem para agradar as pessoas ao seu redor e, assim, são pessoas boas na perspectiva de quem as rodeia. Se são pessoas que visam colaborar com o grupo, também são pessoas boas. Exemplos diferentes onde o primeiro sentimento é o medo de não ser querida e o segundo é a vontade de participar geram o mesmo resultado e, portanto, ambos são motivos “bons” (para nós) e, então, bons valores morais (para quem recebe os benefícios de suas ações).
É interessante perceber que as pessoas boas ou com boa moral são ruins e nocivas para si mesmas. Se elas escolhem beneficiar o grupo em prol de si mesmas, a sua boa moral é somente boa para o grupo e uma péssima moral para si mesma.
Na visão dualista comum do ser humano, onde há um extremo há necessariamente o outro porque um não existe sem o outro tal como uma moeda que não é possível existir sem um dos lados. É possível que a figura de cada lado seja diferente ou igual, mas não é possível não haver um dos lados.
A linha de pensamento dualista é uma reta aparentemente. Cada extremo possui uma característica oposta à do outro e somente por isso a linha existe. Logo, se há um extremo, há o outro e, portanto, se há boa moral para alguém, á uma má moral para outrem. Tal como a reta dualista, não há como existir somente a má moral ou a boa moral. Ambas se complementam sendo o resultado direto do pensamento dual do ser humano que estabelece opostos sendo necessariamente a possibilidade de ter ou não ter alguma coisa, as duas únicas opções existentes dentro dessa perspectiva.