Cuidar de filhotes é muito cansativo. Ademais, cada vez se cria mais regras e deveres para com os filhotes da mesma espécie transformando o trabalho de cuidar deles cada vez mais difícil.
Antes criava-se os filhos com o objetivo de eles chegarem à fase adulta. Atualmente isso é proibido. Precisa-se educar os filhos, então dar comida, higiene e sono não são mais o suficiente. Precisa-se de mais. De muito mais. Escolas, cursos, esportes, carinho, atenção, um quarto específico, brinquedos, brincadeiras, desenvolvê-los emocionalmente, e tempo para com eles. É muita coisa e esta é uma das razões pelo qual ter filho custa mais caro do que no passado.
O ser humano é emocional e social. Precisamos de relacionamento e saciedade emocional. Queremos ser importantes e que alguém nos dê apoio quando queremos. No entanto, o relacionamento humano-humano significa lidar com uma pessoa que também tem carências, demandas e exigências fazendo com que seja algo muito custoso. Dessa forma, trocar relacionamentos com humanos por relacionamentos com animais de estimação se torna uma vantagem. Os animais são dominados ou domesticados, dependentes e, ainda que desejem mais do que demos, são os mais fracos da relação o que os torna submissos e passivos. Se eles querem algo que não damos o problema é deles. Simples assim. Mas, se nós queremos algo que o animal não nos dá, nós o castigamos, adestramos, abandonamos ou conseguimos outros que supram as nossas demandas. Relação de poder: é o que queremos porque quem tem o poder manda e faz com que os outros, de outra espécie ou não, obedeçam e o satisfaça. Mas não queremos isso entre os humanos porque nós não queremos ser a parte submissa da relação, queremos ser a parte poderosa da relação e, como raras pessoas conseguem tal parte na maioria de seus relacionamentos, a maioria fica com a parte mais submissa e desagradável. É essa maioria insatisfeita com suas vidas que criam ideias de que “relações de poder devem ser abolidas” porque ELAS não querem ficar com a parte submissa. Sem força para pegar a parte mais poderosa ou se imporem, cabe-lhes se unir e criar regras sociais visando recuperar o poder através de artimanhas sociais.
Veja mais em hipocrisia: certa ou errada? boa ou ruim? Por quê? (colocar link)
O ser humano não lida bem com a satisfação constante. Somos alternáveis e mutáveis. Nós mudamos, nos acomodamos e não identificamos o que sentimos, apenas a variação do que sentimos, se estamos mais ou menos satisfeitos, não se estamos satisfeitos em si.
Poucas pessoas buscam a satisfação pessoal independente. No geral nós nos comparamos com outros para avaliarmos se temos mais ou menos do que os outros, ou seja, se temos mais satisfação ou menos.
Ainda que alcancemos a satisfação total, caímos numa outra cilada: somos mutáveis. Nós não lidamos bem com a satisfação constante. Precisamos de variações emocionais para percebermos e sentirmos algo. A felicidade total e constante se transforma numa depressão por ser algo constante como visto em O que é e onde está a felicidade .
Além disso, somos uma espécie criativa e preguiçosa, logo queremos o máximo que pudermos pelo menos que precisamos pagar ou investir. Assim como substituímos os filhos por animais de estimação por ser mais fácil, provavelmente substituiremos os animais de estimação por plantas já que necessitam de menos cuidados do que estes.
Podemos falar sem sermos interrompidos ou criticados à vontade com as plantas. Elas não sujam a casa, não precisam de ração nem de passeios. Basta adubar e dar água basicamente. Mais simples e limpo.
Depois do sucesso das plantas, onde botânicos ganharão importância tal como veterinários e médicos anteriormente e respectivamente, entraremos na era da inteligência artificial por companhia de modo que seja popular tal como os animais de estimação são hoje e, talvez, ainda tenham o seu sucesso aumentando num futuro próximo.
A inteligência artificial será programada para ser como queremos em tudo. com a voz que gostamos, com as ideias que nos encantam, sem críticas e com elogios, quando e onde quisermos.
Da mesma maneira que valorizamos mais a nossa própria espécie por termos mais empatia para conosco, nós desenvolvemos mais empatia para com os animais e, assim, passamos a valorizá-los mais. Começamos a ter pena e dó deles, desenvolvemos afeto e, assim, nós os vimos como seres vivos. Como acreditamos que a vida seja algo preciosa e que as plantas também são vivas, (talvez) trocaremos os animais por plantas. Da mesma maneira faremos com a inteligência artificial como companhia: primeiramente nós (a geração do momento) a veremos com preconceito, como um objeto e, portanto, menos importantes do que plantas já que plantas são vivas. Assim como todas as ideias que surgem, crescem e se popularizam através de gerações que estão abertas a novas formas de se avaliar o mundo, faremos o mesmo e migraremos de plantas para a inteligência artificial.
Ficará popular e, com isso, os especialistas nesta tecnologia garanhão mais importância como fora com os botânicos, veterinários e médicos.
Depois do sucesso animal em forma de pet, chegaremos às plantas e, posteriormente, à inteligência artificial. Sempre buscando mais satisfação e menos responsabilidade assim como deveres.
Na primeira opção, troca-se filhos por bichos porque criar bicho é mais fácil e tem menos exigências. Depois será a vez das plantas que, apesar de não se mexerem, ainda são seres vivos e são cada vez mais enaltecidas como natureza e algo bom, razão suficiente para valorizamos mais do que a inteligência artificial. Contudo, muitas gerações após as de hoje a perspectiva será diferente e admitir que inteligência artificial é melhor do que vidas ou natureza será mais fácil porque satisfaz mais e os ideais serão diferentes. Quem sabe conseguiremos ser menos idealistas e mais realistas aceitando os fatos e desprezando ilusões?