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Acreditamos em nossos desejos como se fossem fatos — Continuação

Somos seres reagentes às sensações que temos. Com os pensamentos sendo flashes de consciência do que sentimos, acreditamos em nossas ideias piamente como se fossem fatos concretos e irrefutáveis, razão pela qual damos a vida aos nossos ideais e brigamos com quem discorde de nós.

Dessa maneira, ideias “sem razão” surgem em nossas mentes, nós acreditamos nela e, visando “concretizar” ou imaginar ser possível ou aceitável, nós as distorcemos em ideais de um passado imaginário.

É assim que a vontade de ter várias mulheres, por acreditar que haverá boas sensações com elas, é transformada em algo normal ou natural e cria-se este ideal como se fosse normal e natural ao modificar, mais uma vez, a ideia e colocá-la no passado além de trocar a opinião por uma afirmação. Então tem-se que “os homens naturalmente têm várias mulheres”, ou “existe homens alfa que possuem várias mulheres” ou derivados. A base de tudo isso é apenas a vontade de realizar esta fantasia e se convencer e convencer aos demais de que é realista, aceitável e que os demais devem colaborar para tal.

Em nenhum momento há questionamento sobre “possuir mulheres” ou a opinião delas. Existe apenas a fantasia daquele que faz a afirmação escondendo a sua real intensão.

Mas isso não acontece apenas para homens que desejam muitas mulheres, acontece para todas as vontades que encontram possibilidades ilógicas em nossas mentes restritas de inteligência de se transformarem em algo “verídico”.

A alimentação rica em carne, um homem com muitas mulheres, homens fortes, mulheres bonitas com seios fatos e cintura fina, saúde impecável, harmonia com a natureza, pessoas bondosas e gentis ao nosso redor são exemplos. Nós criamos a ideia de que o ser humano primitivo vivia feliz e “de bem” com a natureza, que não haviam doenças, violência, estupros, sofrimento ou morte. Construímos a imagem que desejamos que seja real; transferimos a ideia para o passado; e a dizemos com convicção de ser verdadeira. Mas continua sendo apenas uma vontade.

Não há relatos ou evidências de que tudo isso seja verdade. na verdade, há evidências que provam o oposto, mas somos seres emocionais, não racionais, e prezamos pelas nossas emoções, não pela inteligência, então conseguimos ignorar fatos e provas e acreditar em nossa imaginação que nos alegra mais.

Criamos tudo isso em nossas mentes alimentados pelo desejo que sejam ou foram reais porque, se um dia foram reais, então é possível recuperar tal capacidade e satisfazer as nossas vontades, porém, se não foram, como imaginar ser possível mudar a humanidade para que se encaixe em nossas fantasias pessoais? Isso é improvável. Afirmar as nossas vontades como se fossem verdades em algum momento é a maneira que as nossas emoções (nós) têm de manipular a pouca inteligência que temos para que acreditemos que são reais e, sendo reais, podemos satisfazê-las e obter o prazer de suas realizações.

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