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A ditatura em nossas vidas

Ditatura “é um regime governamental no qual todos os poderes do Estado estão concentrados em um indivíduo, um grupo ou um partido. O ditador não admite oposição a seus atos e ideias, e tem grande parte do poder de decisão. É um regime antidemocrático no qual não existe a participação da população” segundo a enciclopédia significados. Também pode ser “um dos regimes não democráticos ou antidemocráticos, ou seja, governos regidos por uma pessoa ou entidade política onde não há participação popular, ou em que essa participação ocorre de maneira muito restrita. Na ditadura, o poder está em apenas uma instância, ao contrário do que acontece na democracia, onde o poder está em várias instâncias, como o legislativo, o executivo e o judiciário. Ditadura é uma forma de autoritarismo” segundo a wikipédia. Já no dicionário priberam da língua portuguesa ditatura é “Absorção do poder legislativo pelo poder executivo”.

 

Pode-se ter várias definições que rondam a ideia de que alguém se impõem sobre as demais gerando a sensação de repressão, opressão e servidão àqueles que não têm o poder.

É por conta dessa definição emocional que usa-se a palavra para outras ideias como “ditatura da beleza”, “ditatura da moda”, “ditadura da classe média” dentre outras. A ideia é mostrar como a pessoa se sente inferior, fraca e impotente em relação a essas ideias se sentindo reprimida e oprimida por conta da pressão social que ela sente.

Note que não há regras formais ou leis que estabelecem que ela deva agir de uma forma rigorosa, que usem roupas pré-determinadas ou que tenham uma beleza padronizada. A pessoa pode usar maquiagem ou não, tomar banho ou não, arrumar o cabelo ou não, usar saia, calça ou short, andar de tênis ou sandália ou salto alto… A pessoa tem muitas opções, no entanto, por valorizar muito a opinião dos outros sobre si é refém destas e se sente impotente bem como forçada a agir da maneira que os outros desejam.

Muitas pessoas fazem suas vidas de acordo com roteiros que ouvem e que outras pessoas idealizam. Elas estudam, conseguem um emprego, namoram, casam e têm filhos sem quererem fazer nada disso. Elas se sentem presas e sem forças para fazer diferente e, com a mentalidade dualistas, acreditam que, se elas se sentem presas, é porque alguém as prende; se elas se sentem oprimidas, é porque alguém as oprime. Como opressão, repressão e falta de liberdade para fazer o que se deseja, julgam viver numa ditadura.

Muitas pessoas absorvem e concordam com opiniões de terceiros favorecendo a ditadura que elas mesmas não gostam. Elas não querem casar, mas casam e afirmam que o casamento é o certo a se fazer. Não querem estudar, mas estudam e afirmam que o estudo é indispensável. Não querem se submeter ao ideal de beleza que alegam ser o padrão de beleza, mas compram roupas, usam acessórios e até se submetem a procedimentos cirúrgicos visando ter a aparência ideal, ou seja, tentam fazer parte do que dizem ser o padrão de beleza.

O fato é que ninguém é autossuficiente e independente para não precisar de mais ninguém o que faz com que TODOS tenham de se submeter em alguns momentos sobre alguns assuntos.

Ninguém está preso a ninguém. Todos somos livres para fazermos o que queremos, mas nos sentimos presos quando queremos algo que não conseguimos ter por nós mesmos e “precisamos” agradar outra pessoa sem vontade de fazê-lo para que ela nos dê o que queremos.

As pessoas mais habilidosas são mais independentes justamente porque têm mais capacidade de conseguirem o que querem por si mesmas. Sem se submeterem muito, sentem-se livres. As pessoas menos habilidosas precisam que outras satisfaçam as suas vontades e, para isso, troca favores e agrados.

É a sensação de precisarem do objeto de desejo que confere a sensação de necessidade. Quanto mais se DESEJA algo, mais PRECISAMOS desse algo e é por isso que nos sentimos presos, porque precisamos.

Estamos PRESOS ao que PRECISAMOS.

Logo, quem precisa mais sente menos liberdade e mais imposição, sensação que remete à ideia de ditadura.

 

 

Ditadura do currículo

 

Sendo o dinheiro um dos meios mais eficientes para se obter itens que nos satisfazem, é visto como necessário à felicidade. Então nós precisamos de dinheiro para adquirir o que de fato queremos fazendo o dinheiro ser apenas um tipo de moeda de troca.

Uma das formas de se obter dinheiro de forma legal é através da troca de atividades lícitas por dinheiro conhecida como trabalho. Alguns trabalhos seguem legislações específicas e são tidos como empregos. Assim, temos:

  • queremos muito um objeto à nós precisamos dele
  • conseguimos satisfação/felicidade com o objeto
  • conseguimos o objeto trocando-o por dinheiro
  • conseguimos dinheiro com trabalho
  • precisamos de trabalho

Este é o pensamento por detrás do sonho de ser rico. Ninguém quer ser rico, todos querem ter dinheiro o suficiente para comprar toda a felicidade comprável que desejam e é por isso que buscamos trabalhos que paguem mais.

Queremos trabalhos com boas remunerações para conseguirmos mais dinheiro e, assim, mais coisas que nos satisfazem e, para conseguir um trabalho mais rentável, precisamos exercer atividades mais caras. Para isso, precisamos de conhecimentos específicos ou habilidades raras e conseguimos tais conhecimentos com um currículo maior.

O currículo é descrição das habilidades de um indivíduo. Quanto maior ou mais específico, mais valiosos são as habilidades do indivíduo que o tem. Como todos buscam os melhores trabalhadores para realizarem serviços ou produzirem itens, quanto menos há no currículo, mais difícil é de se conseguir alguém disposto a contratar este indivíduo. Precisando de dinheiro e conseguindo trabalhos que paguem pouco, a pessoa se sente oprimida por precisar (desejar) de muitas coisas e não poder comprá-las. Logo, sentem a ditadura do currículo onde os poucos que o têm bem preenchido são os que são bem pagos e que, portanto, possuem mais dinheiro lhes permitindo comparem o que quiserem.

Contratamos pessoas capacitadas, isto é, trocamos dinheiro por resultados que as pessoas oferecem. Quanto mais o resultado se aproxima do que desejamos, mais pagamos exercendo o nosso direito de consumidor e liberdade ao impor a exigência de habilidades determinadas sobre aquele que nos oferta o que queremos.

Somos reféns de nossas habilidades que trocamos por dinheiro e somos os opressores de quem faz o mesmo alimentando a ditadura do currículo que exige currículos bons o suficiente que nos satisfaçam.

 

 

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