Não aceitamos mudanças bruscas, mesmo sendo as que queremos. Temos um modo padrão de sentir, pensar e agir e uma mudança brusca é mudar radicalmente tudo isso. Conseguimos por um breve momento, mas o modo padrão é a maneira como reagíamos sem que tenhamso controle ou consciência, logo, é algo passivo. A mudança é consciente, controlada e ativa. Manter controle e consciência sobre o que sentimos, pensamos e agimos é extremamente exaustivo, razão pela qual não conseguimos nos manter assim. Daí que a mudança brusca se desfaz e a rotina antiga volta a se instalar.
A mudança real é feita de maneira gradual por nos acostumarmos a pequenas alterações que conseguimos incorporar em nossa personalidade de modo que, depois de um tempo fazendo conscientemente, passamos a repetir sem pensar, sem controlar, nem notar. Neste momento incorporamos a mudança.
Por isso que uma grande mudança é feita por várias pequenas mudanças ao longo do tempo. conseguimos mudar detalhes ao nos concentrarmos nestes enquanto o resto segue o modo padrão que estamos habituados. Após instaurar a primeira mudança, vamos para outra seguinte com o controle e consciência e fazendo esforço para mudarmos mais uma pequena parte de nós porque não temos como prestar atenção em tudo e menos ainda controlar tudo.
Dessa forma, quem tem um modo padrão de funcionamento acelerado tem dificuldade para desacelerar enquanto quem é mais devagar não consegue acelerar muito. Por conta de estamos acostumados ao nosso modo padrão, não compreendemos como outras pessoas podem ser tão diferentes já que, para nós, o normal é ser como somos da mesma maneira que, para os outros, o normal é ser como eles são tendo a mesma conclusão que nós ao nos acharmos estranhos por não sermos como eles.
Dessa forma, uma vida calma e feliz é angustiante para quem luta pela sobrevivência, quem vive sob pressão, estresse e preocupação. O modo padrão da pessoa é ter preocupações, procurar formas de resolver os problemas, conseguir mais um pouco de recursos escassos para conseguir mais alguns dias de vida. Em termos emocionais, são pessoas estressadas, aceleradas e que vivem a 1000. Um dia de tranquilidade é chamado de férias enquanto vários dias de tranquilidade é chamado de tédio ocioso ansioso. O cérebro da pessoa não está acostumado a viver neste ambiente e, portanto, não acianos os mecanismos necessários para lidar com tal situação. O resultado é a ansiedade onde a pessoa sofre com a falta de estímulos que está habituada a ter como a preocupação e pressão para realizar tarefas. Enquanto para elas o ócio é um problema, para quem sofre com a pressão e o estresse por ser uma pessoa mais lenta enxerga tudo isso de forma oposta: é o seu objetivo de vida!
Este tipo de pessoa sofre com as exigências do dia a dia porque o seu cérebro não consegue responder a tempo. não conseguir fazer muitas coisas é um resultado de que esta pessoa é alguém que funciona de maneira mais devagar e que, portanto, não se encaixa em trabalhos que necessitem de muitas tarefas.
Para este tipo de pessoa, a ansiedade é justamente o resultado de não conseguir fazer tudo que quer ou exige acumulando tarefas que a faz ficar preocupada se conseguirá cumpri-las ou não.
Diante de uma situação de conforto, paraíso ou céu visto como aposentadoria para muitas pessoas em que a pessoa não precisa mais trabalhar para conseguir o recurso financeiro, o primeiro tipo de pessoa começa a ficar ansiosa e, visando atender o seu cérebro que demanda muitos estímulos, passa a buscá-los. A procura por atividades, responsabilidades, tarefas e problemas por coisas sem importância são apenas resultado de um cérebro em desespero para ser ativando como está habituado para funcionar como está acostumado porque esta é a rotina dele, o modo básico ou padrão de funcionamento. Ele fica sobrecarregado quando há mais demanda do que consegue lidar ou pouquíssima exigência lhe gerando o ócio depressivo.
Estes comportamentos, pensamentos e sentimentos são apenas provas de que o ser humano não suporta mudanças drásticas ainda que sejam para gerar mais bem-estar. Seja uma mudança na rotina ou em um conjunto de ideias, não conseguimos lidar com grande alteração. Por isso que as mudanças, incluindo as opinativas, são graduais. Mudamos de opinião de acordo com que mudamos de mentalidade, de pensamento, e isso acontece ao longo da vida, com as experiências e mais uma demonstração que não conseguimos nos moldar rapidamente são os problemas que temos que são sempre os mesmos porque visamos mudar o outro, esperamos que o mundo mude para se enquadrar a nós em vez do oposto e, depois de muitas tentativas, muitas brigas e inúmeras decepções nós finalmente aprendemos como o mundo funciona e que só cabe a nós mesmos mudarmos e nos encaixarmos ou aceitarmos que não nos enquadramos. Só neste instante aceitamos a realidade, após muitas tentativas em vez de aprender logo com a primeira experiência.
Brigas de casais, lutas ideológicas e brigas parentais são sempre as mesmas porque não são finalizadas, mas pausadas e novamente acendidas posteriormente em uma “nova” briga. As pessoas envolvidas já até sabem como a briga será, como vai ser o comportamento do outro e que também não vai mudar de opinião sendo um dos fatores que colabora para a dita cuja. Ainda assim, a pessoa mantém o relacionamento conflituoso porque até mesmo sair de um relacionamento ruim é difícil já que está habituada a viver nele.
Somos reféns de uma rede sináptica cerebral que determina como sentimos e reagimos à vida. Gostamos de pensar que temos o controle porque isso nos gera sensação de segurança, o que nos é agradável, contudo, falta de controle sobre a forma de pensar e viver é o resultado.
Há quem não controle a quantidade de comida que ingere, quem não controle a forma de pensar mantendo um padrão que gera sempre a mesma conclusão, quem não controle o apreço pela felicidade, quem não suporte o tédio de não ter o que fazer por não ter a sensação de pressão e obrigatoriedade de fazer algo… Afinal, se realmente podemos escolher o que pensamos, por que não pensamos em coisas que nos fazem felizes? Se podemos escolher o que fazemos, por que não fazemos o que sabemos que dará o resultado que queremos? Por que não estudamos e aprendemos os assuntos que dão mais reconhecimento ou dinheiro?
Acreditamos no que nos gera bem-estar, não no que é real.